Monday, December 09, 2013

auto ordenação .......
V M X MAR GAL A R D R M O Z S A S P G VM XMAR GALA R DR M OZ SA SPG a u a a er a a u r le in s ve no hop in au a a er pa a u rein uve no hopin modernidade [des]ordenada, VaMu XaMAR a GALerA pRa DaR uM rOleZin SuAve no ShopPinG



poesia contemporânea

num país de tempo instantâneo DiFunDinDO BeSTeiRa como [se fosse] linguagem. não dá pra levar a sério como sentido não dá pra achar beleza como resolução, parte sentido da gíria perdida, pura alienação. não é mais que já foi um dia, como ontem, hoje, e amanhontem nem menos triste. [esteticamente é] pobre ideologia da fome em alma deslocada, não passa de ostentação. ........
isso outro (que procuro)
nem direita, nem esquerda, canhoto e torto ser [pra] sempre [se] foi, outra alternativa na via- não se detêm numa # não se encontra em qualquer esquina não fica só com uma mnna gosta de música e poesia. ....... fragmento esquisito esquecido no universo feito pedra, doído de pedra, não há beleza que supere um rochedo esculpido povoado de folhagem, natureza selvagem, de chuva, sal e água do rio, linguagem flutuindo cachoeira abaixo, descarregando todo raio e força da água [som das plantas e planetas] no leito escavado.
...... de rio, da pedra, do sol e da umidade cósmica.

ser[elepe] ...... a natureza é auto-limpante, a ntrza se cuiDA soZINha, meu coração também. .......

Wednesday, November 06, 2013

.........

 olhando pela janela
             
               [do ônibus]

                   e fugindo da banalidade   


sp passa rápido
sssp paa rápido
ppaasss rápido

...........

fulgacidade
fuga cidade
       l
       l
       l
       l
       l
horizontal
e empilhada
de   l's
       prédios.

............

sujacidade
l's prédios
encardidos
de mucos
surdos
ambientes
protegendo
com muro
os pias
dos pássaro   s
cantando
a fome
e sede
que tem
enquanto
apitam
tratores
sirenes
britadeiras
furadeiras
serra elétrica
estaca
buzinas
e outras
brincadeiras
de cinza e
cimento
instrumentais da orquestra do inferno chamada

C OOOOOONS TRU ~~~~~~~~~~~~~~~CÃO


da poeira
ruído
resquiço
do espírito
perturbado
que invade a sala
de estar
e mente vazia
o ambiente rugoso
do zunido que dura
e persiste noite
dia
apito
onipresente no caos
que
silencia.


......

foi-se, silêncio,

só, silêncio-foice:

paz já não (h)ouve.

......

Clack. Cidade.

......

subiram mais um andar.
aumentaram o número de vagas.
as pistas estão mais largas.

reduziram a velocidade.
há mais congestionamentos.
é zona azul por toda parte.

os farois pifaram.

os pneus furaram.
os espaços cessaram.
os prédios cairam.
as pessoas fugiram.

e agora joão, e agora?

['fricção do jornal' - classificados]
......

Wednesday, October 16, 2013


Na vida precisamos nos dar um susto.

Agir mais, (des)pensar: uma medida entre inconsequência e movimento,
símbolo de um poema sobreposto em três ima®gens: 
falar em camadas é deixar-se no sol, 
com a mente vazia 


…….

mar, vento e areia.

…...

paisagem aural,

…..

As vezes não sei o que penso, em quem penso, se penso mesmo,
(des)pensei. 

Sou apenas poeta, esse Estranho poeta.
Uan e Ong, Ing Y ang

E misturo o cinza, o ruído e a poeira com
o céu, a poça e o muro. casas derrubadas,
prédios na mata urbana, 
a memória perdida,
tudo se descontrola
tão rápido e não sabemos mais o que é
olhar pra cima, pra baixo, basta vermos:

o quê está acontecendo enquanto o gelo mistura no malte
e amanhece amarelo-chumbo na cidade?

todo entupido, espaço lot(e)ado,
próximo trem, meio de pista, vaga, 
travessia nos poucos segundos que [não restam].

ca )s) r) os,
atraso

mental, de vida. sabiwares cantando, fodendo com o apito (¿da buzina?) (¿do trânsito?), 
exterminando o pobre homem, vítima da insônia, que não consegue 

gozar,

perturbado. preocupado. desconfiado.


não há vida sem desejo.


Na vida precisamos tomar um susto.

Não dar nome. Não determinar. Não esperar

de(mais)

- agir -

……

Não se corre atrás do tempo, a terra gira, a vida são ciclos,
tudo se reencontra num mesmo ponto, em diferentes momentos,
quem corre se afasta, e é pego de surpresa. é preciso saber e
determinar qual o movimento. qual a direção do movimento.
a qual vento recorrer, que onda romper, e qual a terra - e o mar -
a serem desvendados. 

- Capitão, qual a direção?

………

Em frente,







sailor.

…………

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Wednesday, October 02, 2013

Pulo,

Desejo momentâneo de
(me)
desfazer:

Nada,
Tudo,
ou Oposto
Contrário,
Negação do
Antagonismo,
Protagonista do

mas o quê é mesmo que
?
Quero

Parar o mundo,
de mudo soluço
de peito cansado
de foda e baba

Desejo instantâneo de
desaparecimento,
sumiço
auto-enlatado,
fracasso de intenção
ou sonho mal projetado

Realizo o que posso, se posso,
como posso, mas nada possuo
além da vontade de deitar,
fechar os olhos e voltar pra casa
(repousar).

Estou cansado dessa viagem,
de todas viagens,
bem agradecido e ciente das graças,
sem condenar o mundo que me foi
oferecido,

Sem blasfemar ou desabar em lágrimas,
Sem citar a política, os infortúnios,
Sem condenar os erros,
Senciente, sempre,

(mas) Cansado disso tudo que me foi
dado
e tirado
num piscar de olhos,
tapar de ouvidos,
num tato opaco
de vidro enferrujado,
vermelho
de sangue, vinho, ou marte,

Distante de tudo
que se possa imaginar,

Próximo disso
que não se pode explicar.

Nesse meio caminho,
fio de navalha,
a tentativa de equilíbrio
numa ponta de pé
em cima da lamina que corta
e divide em dois:
pedaço de carne
esse corpo que me enforma,
ar,
essa alma que anuvia.

essa chuva, esse sol,
essa lama, esse drama
trágico,
esse guarda-chuva e
as flores
de barro
que esmaguei com
minha botina,

hoje de manhã.

(lodo)

Nada pensei.
Nem em você.
Nem em mim.
Tudo que calo
e carrego pra lugar
algum.
Prazer,
há de restar
quando chegar em casa
e acordar no paraíso,
sem viagem. sem caminho.
mesmo imaginação.
lá, serei plano.

e pleno.

Friday, August 23, 2013



Não sou mais capaz de escrever um poema,
uma folha caindo,
o rastro invisível
de um lastro de flor.

Não posso mais juntar palavras, construir
sentidos, fechar os olhos, respingar,
já não há ar.

Narinas tapadas, olhos cerrados,
dentro d'água choco,
sem gravidade posso ser,

permaneço.

Nesse estado, um país submerso,
dúvidas, dívidas, ativos e passivos,
o que procurar?

Uma notinha melódica aguda,
agito as moléculas,
verde fosforecente
no negro cintilar,
qual é mesmo o seu nome?

Venha brincar, gire o verso,
misture as cores, nomes, sentires,
qual a essência (do vazio)?

Possuir quando falta,

quando não há nostalgia, desejo, nada além
desse resquiço,

matéria escura,
silêncio
dum grito,
momento
sem foda,
amor,
ou nada
de mais.

:

veja como brilham seus olhos, opacos
veja como piscam, sem dor
veja como rimam os versos, sem som
sem odor, sem vista pro mar,

e mesmo sem ohm.

:

Átomos numa colher de sopa de letras,
não há fome ou tesão que me
faça parar
(de) pensar

- você -

onde está?

Sunday, August 11, 2013



Componho sobre a tristeza,
da alegria, já não sei.

Sopro de duração maior,
brisa triste que assovia,

o som do apito, agudo, ruído,

o som do pingo que bate na pia.

Coço o cabelo, os olhos tristes e vagos
na ponta do dedo que toca o pelo:

um idéia do que quer que seja e não chega.

A tristeza se esvai num suspiro, numa memória de um grito,
rio abaixo no centro do peito, palpite de dentro, água agitada,
caída, empoçando o chão.

Compor sobre a alegria já não sei, essa que sorri e se reconhece
no objeto de afeição, que se encanta com o sol na praia e no
pelo oriçado da menina de biquini, na pipa de vôo azul
esverdeado, na pelota que atravessa o ângulo da gigante caixa
de fósforo improvisada na areia, ao lado do brinco que caiu,
perolado.

Sobre a tristeza já digo, presença, saudade da tarde,
esse poeta que um dia ficou rabiscado, no caderno, abert(o)(a),
essa ferida ardida de sal e poeira, vidro e areia, esses acidentes
feios que rolam na estrada e cruzam pedágio, os chapas
discorrendo da vida em som e imagem, a medida da
consciência agindo no próprio saber, as certezas ruindo no ar,
repercutindo no ponto fora do oceano de pano sob o qual
repousamos a cabeça e, durante a noite, libertamos a
sombra, luz oposta da própria presença,
uma estátua da Brigitte Bardot.

::

Somos como somos e todo tempo atravessamos -
o que vemos e deixamos de ver
o que fomos e deixamos de ser
a forma que se transforma e se revela,
nu despertar.


Thursday, July 25, 2013




……….

Fico esperando a tela carregar como se houvesse novidade, 

nesse meio tempo ardem as expectativas, 

não há nada e,

pronto, 

chegamos a uma conclusão:

perda de tempo.

……….

esperar que algo aconteça e tome um espaço no meio de suas expectativas desgovernadas. a pessoa muda de roupa, a pessoa corta o cabelo, a pessoa se esparrama, a pessoa muda suas atitudes numa tentativa de auto descoberta, exposta ao mundo, esperando reconhecimento social. pessoal. a pessoa bebe. a pessoa para de beber. a pessoa fuma. a pessoa para de fumar. a pessoa deita. a pessoa nunca mais levanta. a pessoa deixa de ser, a pessoa se evaporou (e seus pensamentos sopraram no ar).

agora vamos ao universo, pulso negro, estrelas longínquas, pedaços de pedra que brilham, consciência dum espaço misterioso, incerto, infinito como medida de grandeza, lua satélite, velocidade da luz, o som sônico sem deixar rastros, o olho biônico da pupila chamuscada, um raio qualquer ocupando uma antena qualquer em cima de um prédio qualquer, nuvens, balões de imaginação e objetos voadores não identificados, o quê acende e apaga, esse tal dia que tive medo de et e você apareceu na janela com os cabelos molhados, saindo do banho, andando nua no jardim, a grama brilhando.

……….

ardem as expectativas?

pronto, chegamos a uma conclusão:

não há nada e fico esperando a tela carregar como se houvesse,

perda de novidade,


tempo.

……….


 

Thursday, July 18, 2013



A carne, a unha da carne, a pele debaixo da carne da unha.
O sangue segue o fluxo, circula o corpo, irriga a ponta do
dedo, o sangue da unha da carne debaixo da pele, na boca do
sujeito.

A raiva, a ansiedade, a fome que não sacia, um pedaço de pele morta na boca do sujeito descontrolado, viva.

O dente, osso, magnésio, mastiga a comida, despedaça a
unha, a carne, misturando a saliva ao sangue, a saciedade dum pote de ânsia debaixo dos dentes.

O aparelho digestivo, complemento biomolecular da alma desenformada, traduz ânsia em ondas, sinais elétricos em estímulo, o corpo que alimenta e transforma a ação do invisível digerindo o resíduo energético mastigado, desmascarando a alma sem forma, faminta, saciando-a pouco a pouco.

A palavra que escapa, linguagem, tradução falha,
o corpo elétrico, energético, digerindo o todo, a alma sem forma, sem toque, linguagem audiovisual,
pixels, layers, ondas, notas, grãos de prata, areia, alcance e projeção imaterial dos sentidos que
desconhecemos.


o que significa o homem?

.....

mastigar a carne crua - reflexões de uma vaca, imposição humana.

(sebastião josé alves da cruz almeida - fósseis, resíduos, hominídios - 1456).




Saturday, July 13, 2013



(el dia de los muertos)

Ela me faz rir. Rir bastante. Ela é irônica e perspicaz, e eu me sinto babaca babando nela. Desse jeito. Pensando que talvez ela seja o quê não é, e representando a dura missão de ser ela mesma, mal saiba quem seja, e o que faz. Medo? Talvez seu ego seja ela, e o ego não é nada além de uma  

Pedra. Fico pensando que talvez haja esperança nisso tudo se o amor deixar de representar a morte, depois que o amor morreu. Que meu amor morreu. Que o luto dessa morte se apossou do meu amor depois que [+ uma vez] os planos não deram certo, os sonhos não se tornaram outra coisa [pois, não se realizam] e ainda penso nela, naquela noite, na chuva, no vinho avinagrado, no som do corpo pintado e só vejo a imagem do outro lado da tela, não falo com ela. Me borro. Tenho medo, a rejeição é a morte e não quero mais sofrer dum mal que já sofri: me preservo, imagino que poderia ter sido, ser, fosse, fico na minha expectativa de um dia sair desse abismo, mas abraço meu medo, 
abraço a morte,  prefiro não arriscar a posse- (o amor) - do que me resta.

...

Sorrir, desejar, sentir, sonhar, vivenciar essa porra toda que tento evitar. 
Dialogo com ela no espelho invisível, desarmo toda carapuça, penso no impossível. Dialogo com ela como se houvesse conversa, mas ignoro a realidade palpável e gostaria que fosse de outra forma, hoje só existe uma (por enquanto).

...


Aquele anel que ela falava. Esse buraco que carrego. Símbolo oculto, bravura escondida, confiança esbanjada, isso que pinga em um e rebate no outro. Esse papo todo de louco que ninguém compreende, excluindo você, e eu, somos tão poucos:
é disso que estou falando.

...

 Se(r) alguém que(r) compartilha(r)?

Não sei- não sei o que quero e nem como evitar o que não quero. 
Complico o que já é difícil, ligo a cabeça, desligo a tv, dou um gole de Porto e ouço o peito em ebulição, penso que assim o destino me trás o que preciso, e um dia isso (ser)vir(á) outra coisa.

Hoje não sei.


Tuesday, June 25, 2013

...





Sonho com ela, essa moça sem rosto, essa flor sem perfume, essa parede sem cor, essa música silenciosa.

Olho pra ela e não vejo nada, não estou ali, refletido em coisa alguma, despertenço com toda fluidez.

Rezo, mas não há simbolismo oculto; Desejo, mas não há significado; Traduzo, mas não há linguagem.

Despertenço, desmaterializo, desfaço, descontruo, destruo, desobstruo, desobedeço, descarrego, danço. 

Não há nada que se possa fazer quanto a humanidade limitrofe, somos como somos, todos parte do mesmo, buscando diferenças como propósito quando o que delimita deveria acrescentar, ignorando o altruismo, sem saber o quanto queremos fazer parte disso e o quanto queremos deixar de fazer:

dia D

existência

(Murille Savage, Lille, France, 1967)


Wednesday, June 12, 2013


....................................................

Ela é esquisita, um ponto fora da linguagem. Da minha linguagem. Ela tem o cabelo meio raspado, já não tem, ela fica trocando de roupa e sendo uma personagem, e outra, outras tantas. Ela lê o texto devagar, e rápido, ela alterna os tempos e parece uma portuguesinha falando (gosto de ginja e de lisboa). Ela tira a roupa, eu enlouqueço, ela põe a roupa, eu enlouqueço, eu olho pra ela, eu enlouqueço, e ela não entende nada, talvez porque não me veja. Não, ela nem sabe de mim, que estou aqui a procurá-la nem sei bem onde, nem sei porque, ela ignora que fico tentado a descobrir se ela vai aparecer,e eu já quase pergunto diretamente pra quem sabe, mesmo sabendo que é uma idéia de merda- Foda-se. Eu nem sei se ela é sozinha, gosta de alguém, gosta de homens, ela tem cara de gostar de problemas, é, tem mesmo e eu gosto de garotas assim, mesmo sabendo que sou meio bronco, e não deveria gostar. Talvez eu goste mesmo dos problemas e por isso me coço, não sei ser de outra forma e nem devo ter muito interesse em saber, deixa pra lá.

Ela entrou com aquele batom vermelho, meio magra, magra e macia com uma camiseta cortada do sonic youth e pensei quem diabos era ela, ali, entrando, só consegui saber seu nome e depois empolgamos alguns grupos com a apresentação, sabe, ela ali e eu queria era me aproximar, mas não deu, tive que focar no que tinha que focar, sabe? Não, não, e daí essa merda toda, essas afirmações não nos trazem a satisfação que buscamos, que diabos, um monte de gente ciscando e eu lá, nela: sei lá. É, um papo de palerma, mas não importa, todos precisamos disso em alguma medida, seja combatendo a solidão, na busca por afeto, ou algo assim, somos produto-palerma em muitas medidas.

Ela segura o rosto, passa a mão no cabelo, parece atriz. Ela tem as mãos finas, bonitas, e rói a unha. Ela passa pincel no rosto e fica maquiada. Ela põe o sapato, tem uns pés bonitos, gosto. Sei lá, acho que hoje vou no teatro. Ela passa o batom e diz que vamos descobrir alguma coisa. Não sei se vou, está chovendo. Ela é divertida, mostra a orelha, que engraçado. Depois mostra o joelho, eu um sorriso. E assim vai, agora ela está andando e foi promovida a garota com o mais fino humor nesse segundo, só porque anda, e sabe fazer isso como ninguém (carregando meu olhar no movimento, se você não entendeu). Agora ela pula, mas já não é tão engraçado. Ela é artista atriz e ladra de estética e de personalidades e referências, todos somos. Agora eu olho pra mim, olho e não vejo nada que me agrade, penso que sou muito chato, incompreensível, analítico. Então ela se joga, se espatifa, faz muito barulho e, de repente, se deita: deita calmamente com um vestido branco, sinto seu cheiro de flores brancas como se estivesse aqui, do meu lado, jasmim nesse vazio que grita, mas ela nem sabe... Nem sabe disso, de mim, do meu olhar, do meu cheiro, do meu corpo, do meu som, de porra nenhuma, nem uma idéia de quem eu seja, exista, ou qualquer coisa que escape. Nada.

- Sim, ela está aqui.
- Quem é ela?
- O que pode fazer?
- O que quer?
- Porque se move assim?
- Como se move assim?
- Olhe pra ela. Olhe pra ela agora. Agora a música acabou. Não tem mais música.

Ela é esquisita, um ponto fora da linguagem. Da minha linguagem.

Ela é chata. Insuportável. Ególatra. Exibida. Tudo que quiser que seja, e desagrade. Todos defeitos que eu julgar necessário e quiser por, projeção do que listo, incomoda e não é digno de lisonjeio.

Ela é esquisita, um ponto fora da linguagem. Da minha linguagem.

Ela é quente, macia, gostosa. Linda, delirante, lunática, impiedosa. Ela é tudo isso, e me perco.

Ela é tudo o falta, e sempre faltará. Ela me completa, e sempre será dessa forma. Ela não cabe em definições, talvez porque não as tenha. Ela passa longe da ótica da obviedade, traduz o que escapa. Ela. Será Ela?

Acho que vou ao teatro, está chovendo, eis a surpresa final: a escova de dente, as bolhas de fluor e tudo que eu buscava, não há explicação.

Talvez seja o pequeno ponto branco no centro do seu coração, o anel branco do lado preto do casaco que ela ignora o significado, eu sei.

(e ela ainda nem conhece).

....................................................




Tuesday, June 04, 2013





você quer tirar a roupa dela. não, você tira a roupa dela, como tirou tantas outras roupas. você beija o corpo dela, como beijou outros mil corpos, mas nunca é igual, duas mulheres nunca serão iguais, mil mulheres nunca serão iguais, uma não é igual a outra, tudo é mistério, uma é o mistério da outra, as mulheres nunca são iguais como um homem se parece com o outro, nenhum se liga na metade das coisas que as mulheres significam, quem se importa?
tirei a roupa dela, beijei todo seu corpo, trepamos, apertei todo aquele corpo e dormi com meu rosto espremido no seu pescoço. acordei, apalpei seu corpo, massageei seu corpo, trepamos mais uma vez, foi lindo, como muitas outras vezes, mas bem longe das tantas outras tantas que não passaram de nada. disse coisa bonitas, ouvi coisas bonitas, como outras vezes e sabia que, sim, era tudo de verdade, seu cheiro, seu gosto, seu corpo, minhas mãos, tudo, mas… não há mais, um dia soube: não minto, hoje o amor tem a duração exata dos compassos de uma noite, de uma bela trepada, de um oi fulgaz sem longo adeus, intenso, mas logo se perde e fico tentando resgatar o sentimento que escapa e de nada sei, passa: vejo corpos, vejo almas, vejo espíritos, vejo sorrisos, sinto tudo, sou o rei da sinceridade, mas tudo passa rápido, imediato e irreal, coisa alguma, não reconhece duração maior do que a que escapa a esse verso, e de pronto torna-se outro na mudança de luz- dia, noite, dia, noite, versos, versos inversos, reversos, decupagem… desejo, mas quem sou, o que quero? fidelidade não sei (o que significa). glasgow. londres. lisboa. vigo. wrexham... países, acentos, verdades, mentiras, cores de cabelos, olhos, pelos, pele, cheiros, gostos, peitos…as que tive, as que negaram, os instantâneos lindos do meu quebra-cabeças, amei todas sem mentira, sem mais ou menos, num saber solitário.

[...] me convida pra acordarmos juntos, fumar, beber, dizer que me deseja, sentir saudades, me xingar, me chupar, me chutar do seu quarto, ou cortar essa, sei lá. sem ódio, sem dramas, com gosto de surpresa, empolgação, desejo de novos ares, inspirar e expirar verdades sem expurgos de falsidade, falsas vaidades, só fantasia, esqueça o amanhã, isso tudo, intensifica sem tempo, sem época, sem rumo, pois passa como um sopro de baker, só agora sem antes nem depois, nem nada, só isso. sem choro, sem lamento, só perfume e seda, sem pecado ou religião, sem pobreza de espírito ou nada que explique: impaciência, ansiedade, insegurança, nada disso, contrário de porra nenhuma, estou cansado, tão cansado, uma lágrima que não cai, a palavra que não sai e terminamos por aqui, como seu eu fosse tudo isso, e àquilo, que não sabe significar, digno de admiração e indefindo… você me quer, queremos trepar, eu por perto, longe, morto, sorrindo, partindo, como sabe (que sou), um sorriso estranho, uma felicidade, um motivo, um momento- outro, e te quero como a nenhuma outra, meu amor, essa é minha ode, mais forte e verdadeira do que todos os cãos que te lamberam, foderam e prometeram mil potes de mel e só te deixaram veneno, não me rendo e não se esqueça de mim e só, assim somos (e)ternos e duramos o quando podemos- (me)(te) ame. egoistas natos, solitários, verdadeiros e diferentes, o que resta quando colocamos a cabeça no travesseiro, descansamos e acordamos (n)outro(s).

meu bem, não se esqueça, nunca se esqueça: ame, me ame como se eu fosse o ultimo e o primeiro.

Tuesday, April 23, 2013



.....

perder-se é encontrar-se em mil pedaços partidos no solo e juntar os migalhos pacientemente:

pouca coisa pode ser mais bonita que a recomposição daquilo que se quebrou/rompeu
em algo rarefeito e se refaz mantendo a própria essência.

todo ser humano é digno de abandonar o que não precisa carregar, (se) perdoar, olhar pra si, ser humilde e reconhecer quando se equivoca, só não há perdão para aqueles que não se permitem
dar um passo para trás e se recompor sem arrogância ou afetação -

maior pureza que o verdadeiro arrependimento e a busca pela reconstrução não há,
é no consolo que um bom coração dá vazão a luz.

......

'histórias das cores do prisma, fragmentos de um coração de papel', editora nullman, 1994,
fabbrizio gofrinni.


Friday, April 05, 2013





----milindagacões---

escolha a palavra e substitua no poema, brinque de ser poeta,
como se fosse, você.

brinque você como se fosse poeta a palavra substituída no poema.

substitua você como se fosse o poeta no poema da palavra.

poeta substituido brinca com o se do poema, palavra foi-se,

problema.

---

----decorpoealma---

tudo é questão de ordem, e postura: realinhe sua sua coluna cervical,
seja firme, mas maleável, dobre e deixe-se dobrar, estique e verta-se
para si mesmo percebendo que todo esse encaixe de magnésio (osso)
e sua durabilidade como sedimento secular (caveira, pedra, gesso) 
pode agir como se morasse num mar com mil células (organismos marítimos) compartilhando graças, numa combinação mutualista desencadeando flutuação.

fosse assim sempre (só leveza), ao menos quando vivo (biomolecular consciente), e isso calaria perfeitamente minhas angústias quanto a dor nas costas.

--------

nem tudo é como parece,
você existe dentro de mim, 
universo,
e somos mesmo 
essa consciência de nós,
possibilidades aleatórias de eu's e vocês, 
- n u t  z -
onde tudo,
mesmo os seres em extinção,
jamais desistem e
se proliferam:

espuma do mar.

--------

estou tentado a rimar
[b com a] 
para provar
que talvez
não valha a pena
fazer a lição de casa
já que ordem da vida não altera
os resultados instáveis das
uniões casuais
afim de
perpetuar-se como raça.

portanto,

nem tudo é como parece, e distante
como se vê.

----------

portanto,

 como tudo se parece,
não há distância,
 como se vê.

-----------



(burceteoplatismo cenil da índia amazônica - gaspar toledo, 1976 - galeria isias maia)


Thursday, April 04, 2013





espírito selvagem 2013

um homem
num carro
em são paulo
atropela
na rua
um sujeito,

[[[andava de bicicleta]]]

dois homens
num carro 
em são paulo 
e um braço 
descolado
no banco de trás,

[[[andava de bicicleta]]]

um homem
num carro
em são paulo
atira o braço
num córrego
putre e infestado,

[[[andava de bicicleta]]]

sujo de mijo de rato
um pedaço humano é levado
rumo a origem do fato,
lá jamais será costurado
como se fosse todo retalho de
um espírito desgovernado
chamado de homem
vestido de carro

nesse raio 
um pedaço de máquina
se sobrepõe a consciência
biológica do braço,
já não coça a cabeça
nem coça o saco
já não sente necessidade
de existir como pedaço
de nada e ninguém:

já não serve
como denúncia
da selvageria,
mas atestado de podridão
do espírito cinza chamado de
homem
carro
ou grande cidade

Tuesday, January 29, 2013





Versos em cinzas e num copo de saquê,
confundo os sentindos tentando compreender,
quanto mais te vejo, mais pergunto porquê?

num maracujá retirado da casca, amarelo e preto
num abacateiro fim de tarde, rosa e verde,
na melancia azul e no branco do ipê,
pela lua prateada, procuro você

…..

a maré dos vai vens nos trouxe pra cá, 
nesse canto da praia, escondidos do mundo,
uma canoa, um silêncio e nada,

as ondas quebram na pedra e esculpem
um sonho,
passeiam a toa pelo cheiro de mato, 
enquanto isso fazemos amor
plantando esperança num mundo
tão frágil, 
linhas e teias,
vento de praia,
palmeiras e cocos,
tela duma coleção
de caiaques,
esse que remei por toda vida
até chegar na margem do rio pra te
pegar,
mas você se foi,

não compreendo.

…..

Versos da ressaca de um copo de mar de saquê,
uma série de cinzas, 
  lágrimas esculpidas numa cidade de pedra
e isopor miniatura,
tudo é confusão:

apesar de tudo, você não foi.

devemos estar confundindo as coisas,
ou não

sabemos o que fazer.

um universo amarelo, preto, verde, 
manga rosa abacateiro e pitanga,
branca lua dum dia prateado,

cabe você

…..


------> desoriente [noite oriental].

Saturday, January 12, 2013



As vezes pensa-se que uma coisa acabou mesmo bem antes de começar,
as vezes tem-se a impressão de matar as sementes antes que possam germinar,
as vezes tem-se a certeza de se haver cometido uma estupidez como auto-sabotagem,
as vezes perdem-se os sentidos numa vontade incontida para elocubrar um silêncio,
as vezes fazemos tudo errado, mesmo querendo acertar.

Quando nossas falhas são expostas aos olhos do céu e um raio de sol fura a pupila, lidamos com as consequências,

as vezes os erros se convertem em aprendizado, ou a estupidez em raiva e descontrole,
as vezes somos capazes de dar a volta por cima, outras vezes nos apegamos ao erro e ao
sofrimento como resposta,
as vezes somos observadores passivos de um amor que parece ir e vir sem mais nem menos
e queremos somente fechar os olhos e poder começar tudo de novo.

Entre sorrisos, soluços e lágrimas, acenamos para felicidade, abraçamos os infortúnios,
guiamos ou deixamo-nos levar, sempre respirando fundo e seguindo em frente - para onde, afinal?

No fundo somos isso tudo nesses todos, razão (des)informada, vazão aberta,
uma questão de ponto de vista, projeção imaterial de uma substância chamada alma.

O amor funciona como redenção, esperança, impulso e força para
encontrarmos o melhor de nós, para nós mesmos e para aqueles
que queremos bem.

O amor não é posse descabida, controle ou aprisionamento, o amor não é satisfação egoísta, auto afirmação ou um troféu a ser exibido, o amor transcende, supera, embeleza a natureza sem maquiagem e é capaz de salvar qualquer ser, lidando com toda franqueza com as fraquezas e estando sempre
disposto a dar e receber força e esperança:

o amor reside na capacidade de, incondicionalmente, querermos bem a tudo que possuímos
e deixamos de possuir.

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arnald moustard, sgt do regimento francês balístico, discorre sobre o sentido da vida.

(foto cuville, f).