Sat on a rug
obra em construção [surreal live edition]
Sunday, October 22, 2017
Ouço os aplausos, o palhaço voltou ao palco, mas não é o IT!
hahahaha.
Ninguém entende a risada íntima que brota de seu ser, tampouco você entende seu ser, estando tão assim,
A frase acaba inconclusiva. Tal como você olhando pro espelho e tentando ter um estalo e dizer algo que o valha, definir a situação. Pensa assim: recentemente tentou voltar a escrever algumas vezes e foi tão desenvolto quanto o rebolado que nunca teve. Mas as palavras, te, tinha. Um dom. Fosse como fosse, saiam. Hoje estão enferrujadas. Mas te diziam que era um treco seu, desse jeito estranho que você leva, toca pra frente, empurra o corpo contra a gravidade.
No lugar do polidor, você compra epoxi cristal. Mistura. Faz a resina e sai algo. A transparência é capaz de encapsular o que você quiser, vidro liquido. Emoldurar palavras? Você também pega aquele velho mdf preto- sobra da mesa- e pensa em fazer uma obra de escultura de prego. No final substitui por parafusos. O lance começa a ficar interessante, mas você não conclui, ao menos por hora. Parece que vai ficar bom, pra saber, só terminando.
RUIDOSO
Também tem o post das gavetas de meia e outras coisas. Mas você nunca se decide. Minutos atrás estava na seção de comentário, tentando se lembrar de quem era em 2006- o que dizia, o que diziam os amigos, do que se cercava. Era tanta coisa, outra época, lembrar é ressignificar. Talvez a lembrança te pusesse no lugar, já que o tempo não delineia com linearidade as voltas que a cabeça dá. Tudo cabe e escapa num instante.
......
Amores. Planos. Desejos. Caminhos. Realizações. Frustrações. Birita. Fumaça. Secura. Punheta. Trepada. Trapalhada. Tudo junto habita uma mente inquieta. Fantasias e falências. Recuperações. Espiritualidade flutuante. Cacetada, um rio.
.......
SILÊNCIO
.......
(parafuso sobre mdf preto).
.......
E gostaria de me lembrar da tese do tempo como uma casca de laranja descascada e suas layers, mas não me lembro, apesar de acreditar que tinha uma certa sabedoria naquilo.
......
pergunto:
se a laranja é amarela, porque o mamão é laranja?
Thursday, June 15, 2017
Estou morrendo de sono, mas meus dedos estão inquietos.
Quero começar um poema, como se começa um poema?
Uma memória me diz que devo seguir seu rastro, mas é uma lembrança que dói. Dói no osso.
Pra começar o poema eu preciso olhar pra dentro, colocar a mão na consciência e prestar atenção no tempo-
Passam-se alguns instantes até eu perceber que não fui muito longe, talvez o poema se distancie.
O corpo continua doendo. Naquele desânimo de dias que estamos cansados e uma marca roxa aparece debaixo do olho pra atestar no físico o que dizemos pra nós mesmos no etéreo.
Você se sente dolorido, afirma, diz que está cansado e seu corpo cria uma marca proveniente dessa razão. Talvez essa seja a forma que as marcas vão se acumulando, o corpo conversa com a alma, a mente e o espírito e decidem, juntos, criar uma marca no corpo, afinal é nossa geografia encarnada, o corpo.
E com ele doendo, marcado por essa dor, sigo em frente, querendo somente fechar os olhos, voltar pra cama, ignorar a conversa que tenho que ter, a decisão que tenho que tomar, a perspectiva que tenho que encarar- toda essa soma sem divisão- e fazer um poema.
Devo tomar um café ou voltar pra cama?
Devo fumar um cigarro, meditar ou ajustar a antena?
Devo escrever, tocar piano, ou viajar de carona?
((((Certo seria encarar o incômodo na vã tentativa de fazer o poema que me livrasse do cansaço, da tristeza, da marca, do fracasso)))).
Pudesse escolher o poema e tirá-lo da terra como se colhem plantas no jardim e seria feliz. Daria-se uma nova perspectiva transpassada essa dor de osso, desfolhando a passagem da vida por um momento azul; o mundo teria cheiro de manjericão roxo esverdeado e mantas de seda alaranjadas, paredes diamante purpura e colunas douradas espalhadas na rua, imagens de adoração a um santo inconteste, iluminação pra vida daqueles que, procurando um poema, se deparariam com luz, enchendo-se de força e ânimo numa vibração que aniquilaria a condição de corpo cansado buscando refúgio em palavras que não podem traduzir o soluço relutante do peito que não sabe bem o que fazer. Do poema. Da vida. Da escolha. Da dor. Das palavras. Da poesia. Do poeta.
Tuesday, June 13, 2017
A cara feia você já não sabe porque.
Porque fez isso?
Porque reagiu assim?
Porque não se acalmou?
Porque não tomou outra ação?
....
Seres humanos se condicionam. Acostumam suas (re)ações. Antes mesmo de julgar, reproduzem um comportamento. [[[Que já sofreram. Ou viram. Ou fizeram. Ou]]]. Depois pensam que poderia ser diferente. E talvez sintam-se arrependidos. Culpados. Preocupados. Inseguros. Incertos quanto a decisão. Um momento e clique depois, gatilho.
....
As relações mudam o Homem. Os Homens mudam as relações. Algumas perduram, outras perdem-se com o tempo. Pelo tempo. Em algum lugar num instante armazenado numa pequena caixa de histórias que se acumulam e somam, ora dialogando, ora ignorando as páginas vizinhas empilhadas.
Algumas perdem sentido momentâneo e depois retornam cheias de fúrias, outras, como por inércia, se arrastam, desgastam e se desmancham até sobrar nada, ainda assim, resistem e seguem, sem a determinação exata de um porque. Algumas são puramente sem importância. Outras gritam em desespero esperando pra serem resgatadas e re-olhadas, re-vistas, re-contadas. Outras nunca deixam de aparecer. E assim por diante, a vida se faz e dilui em instantes.
....
A mente de um homem se perde dentro de suas razões e sentimentos. A mente se perde tentando encontrar um ponto, um foco, uma luz, uma organização, mesmo no breu. Sabe-se lá porque vagueia tanto essa mente do Homem sem nunca deter-se num ponto fixo pra além do momento sublime, da descoberta-eureka onde tudo faz sentido por um breve segundo e num mal súbito desaparece. instante, clique, gatilho.
....
[[[[ou numa falha grotesca
que faz um breve segundo perdurar e se transformar numa eterna agonia]]].
....
Realizar, realizar-se, materializar, sonhar, desejar, desvirtuar as virtudes de governança e organização. Manter-se à parte do todo. De tudo. Ou inserir-se na sociedade, nas rodas, nos grupos, nas discussões e politicagens. Existem letras que nasceram para ser homens e homens que nasceram para ser mudos, (in)ventam. Mas a invenção de verso não desfaz a falta sublime do cobertor, do sino da garganta, do apito do ouvido. Trêmula bandeira no mastro que indica uma direção mesmo sem saber qual sua razão. Nunca lhe perguntaram pra onde gostaria de apontar, caso pudesse. Caso fosse sua própria razão. Apenas aponta pro que lhe toca, sem se deixar tocar.
....
OUTRO
....
Recortei um jornal com as mãos cheias de fúria. O corpo em cólera. Tomado por ódio.
Todo sentimento fervia e a boca, cheio de palavrões, cuspia no mundo insatisfação.
Tudo porque não sabia bem. O que queria. Queria, sabia, que todos se fodessem.
Uma vez fodidos e talvez o sentimento passasse. Pensou de relance que na verdade
todos já estão fodidos, mais fundo, 'estamos' fodidos. Colocou sua primeira pessoa no
coletivo, esse mesmo que ele picotava com a tesoura como se fosse um corpo, e pensou
que estaria no meio daquele papel jornal vermelho de sangue, nas fotos, notícias, publicidade
ou escritos. Não tinha certeza. Espumava de ódio, sentia um gosto de ferrugem e sal na boca,
as mãos como se espremessem vidro e a cólera espiritual dilacerada partindo pra outro lugar. Quando olhou, não tinha mais camiseta, era um corpo de jornal manchado de tinta vermelha e seu próprio ódio apunhalava o corpo levando a vida embora. Afinal, puto, se fodeu. Fodeu com o mundo. Fodeu com tudo. Não gozou. Não se sentiu mais aliviado. Nada disso. Apenas fodeu com mais um dia
até que pudesse se deitar e abrir novamente os olhos, quem sabe, vazio de significado.
.....
Abstrato, abstraio.
Retumbante fracasso todo aquele desejo que lentamente esculpi entre juventude e adolescência.
Tudo que foi, veio, passou e não se deteve. Tudo que projetei e escapou pelos dedos. Tudo que
desejei e nunca pude colher. Talvez tenha sido erro de plantação, manutenção, execução, um pouco
de cada numa proporção que não cabe na definição de palavras, mas surge num piscar de olhos e
permanece queimando a vista preso na retina coberto de rotina rondando a esquina.
Sei lá. Essas rimas. Que atormentam e desafiam e me questionam: qual o sentido?
Pensando na minha pica, um foda, um corpo feminino, no peito, na boca e na boceta, no gozo suado e na respiração aliviada duma tarde chuvosa olhando pela janela desejando estar com a cabeça vazia. Cheia de idéias, coço impaciente e falta controle, decido ir pro boteco acender um cigarro pra foder com minha vida, que descompasso. O corpo físico que briga com o mental que só cumprimenta o espírito que demanda a energia que resultada nessa confusão de linhas mal escritas em que você passeia com meus olhos. Seus olhos. Nossos olhos. Em ordem desordenada. Da direita pra esquerda, -------, da esquerda pra direita e de cima pra baixo, flutuando por uma mente desnuda, abusada e sem pudor.
......
Quem nunca andou pelado?
......
Gênio oculto, oculto genial genioso, desaparecimento primoroso
mar de rostos espalhados pelos espelhos, desejos retumbantes
que aparecem na capa, no vidro, no reflexo, expectativa de um ser querido
ser querido por todos
Mesmo sem saber se o que mais vale é ser visto ou poder ver
o ser oculto se esconde dentro dum ser
e você
mesmo que não saibas porque
mesmo que não pareça teu ser
mesmo que não o veja, te vês
Óbvia galáxia periférica do universo trancado no fosso
buraco negro ou calabouço
dessa escuridão toda não se sai sem esforço
estamos na terra. 2017.
Ser oculto, esse gênio permanente existe em seus olhos inexistentes
mesmo que não o reconheça no mérito criador, mestre da serpente
resistente,
Deus está aí.
.....
CONCLUO. E por fim.
Tentei dialogar com uma inabilidade tremenda. É um grau meu. Ser inábil socialmente.
Talvez como imitação de pai e mãe. Talvez como reconhecimento sutil que bate tardio.
Talvez como àquilo que não temos, nunca teremos e desejamos.
Por isso, singularmente considero-me gênio desaparecido. Por gênio,
genes criadores que tenho em singularidade plural, como todo e qualquer Homem.
Mas, desaparecido no mar da rede, rede no mar não pega peixe que se esconde. Como nas cavernas do Himalaia não pegam antenas, pese suas ondas se conectarem e perpetuarem no mundo. É preciso se perder para encontrar. Aqui agora hoje finalmente me encontrei com contemporâneos que valem registro, ou parecem valer. Talvez não mais deseje sumir, mas reaparecer.
Anos atrás encontrei desencontrados que reconheço, admiro e prospero com sua cia silenciosa. Nunca estou são, nunca estamos sós. Esses novos, já, são tão silenciosos quanto minha inexistência em vossas percepções. Quem sabe eu tente contato. Com eles. Com o mundo. Com isso tudo.
Deixa ser, deixa estar, vou pra rede balançar.
.......
Tuesday, May 09, 2017
Minha nova instalação se chama "O quadrado contemporâneo" e é constituído de um quadrado de concreto armado 4x4m que fica no meio da calçada de uma pequena rua de paralelepípedos no bairro das Perdizes. Meu querido quadrado contemporâneo é sabiamente denominado desta maneira graças a falta e ao vazio que a modernidade representa, nada mais do que um testemunho ocular do tempo na qual a geografia urbana - vulgarmente chamada de paisagem - e sua morfologia visual refletem os efeitos de exposição temporal prolongada agregando ao mesmo novas significações e leituras da vida cotidiana. Por exemplo: modificaram o calçamento da rua e o que um dia foi paralelepípedo hoje tornou-se "uma massa cinza cortada por uma faixa branca que divide um espaço bipartido que sobe (pra cima) e desce (pra baixo) e vai para frente e para trás", denominado 'asfalto' (Enciclopédia Rosseau). Ainda, tal como telhas cor de barro de casas que recebem chuva, o quadrado quase que diariamente é regado por água de cachorro, criando, dessa maneira, uma poça de água amarelada fonte de uma cultura de bactérias caninas de raro interesse.
Desta maneira, com o intuito não apenas de chamar atenção do mundo para esse fenômeno urbano de transição e imaterialidade- mijo- como igualmente chocar os críticos, sem referência para compreenderem assaz façanha, ouso afirmar que o quadrado contemporâneo é uma das grandes jóias da Arte das três (mil) ultimas décadas.
Aos que possam se interessar, em breve as fotos do mesmo estarão em meu sitio online e participarei com essa e outras obras de um panorama no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP).
Ficam meus sinceros agradecimentos a todos, saudações calorosas,
João GoldFabber.
...
Outro dia me contaram que um artista chocou o mundo ao comer o cu de cachorros mortos cheios de verme e que o pau dele quase apodreceu, levando-o hospital. Fiquei me perguntando qual é a arte nessa perversão? Costumo me perguntar coisas similares quando olho pra grande parte de arte contemporânea. Aparentemente não há muito o que possa fazer... Nessa forma de arte referencial se não te explicarem "o significado", ele não existe, logo... (Quando um filme publicitário é ruim você joga um lettering explicando ao consumidor "como entendê-lo").
Parte dos auto-denominados artistas contemporâneos são, em certo sentido, como publicitários vendendo seu peixe. Os artistas têm mais referências e atitude blasê, os publicitários só ego, mas, me pergunto, qual o valor dessa pose toda?
(quem respondeu umbigo ganhou).
A crise da arte contemporânea passa pela imagem, por questões de aparência, beleza, sedução e tantas outras, mas isso não torna qualquer explicação acadêmica ou pseudo-intelectual suficientemente consistente pra me convencer de que qualquer cagada que façam e atribuam valores venha a ser arte. Duchamp percebeu isso há décadas, mas (quase) ninguém deve ter entendido direito o que ele quis dizer.
Pode ser impossível definir a arte, mas saber percebê-la é mais sutil e prazeiroso que se deixar convencer por punheteiros de que vale tudo, isso é bastante útil pro bem estar social. Oratória por oratória, o português dos advogados soa incrivelmente mais bonito.
(publicado originalmente em 2007)
Monday, August 15, 2016
O vazio [
]
desse poema corresponde a
f
a
l
t
a
de estímulo, como numa cachoeira ao contrário
----> volte para o início subindo a escada, pule
e se agarre ao início do poema, desça novamente ------>
e agora estamos de volta depois de uma escorrega de bunda, pura diversão.
o que eram versos, revelam, em água túrgida, no movimento dessas águas, umas lágrimas minhas
que não caem, não vêm, e não se manifestam com a franqueza que deveriam- pura construção.
=
=
=
=
=========
000000000
OOOOOOO
ooooooooo oo (cadeira de roads)
ooooo
o ooo o
o 000 o
o 000 o
o o
ooooo
talvez haja um poema acidental, tetraplégico, imóvel e triste, tentando se desvelar frente as águas,
o narciso olhando pro espelho e sua falta de vida no reflexo incompreendido-
não há mais reconhecimento de qualquer vista e espécime.
(soluço. ar.)
como se deserto seco fosse
terreno desabitado, só mato,
pântano traiçoeiro, bicheiro,
floco de neve cortando a montanha
ou qualquer paisagem
que desse de cara com a nostalgia e a dor,
essa seria minha face.
sem vida. sem cor. sem fogo.
sem a juventude. sem a esperança. desprovido de desejo.
antes fosse, restaria um teco. nem isso.
sem frequência, alcance,
sem afeto ou doçura,
me lanço querendo
d e s
a p a r e
c e r
em meio a noite colorida do universo. da lua. dos planetas. dos cometas. e constelações inteiras.
só pó. pedra. grão de infinito. testemunho de uma madrugada inventada a sina dessas impressões
ligeiras e fugazes da vida.
como dói cutucar nessas palavras. nessa vã tentativa, de, novamente,
ser poeta.
só é poeta quem é poesia, e poesia, feneceu.
fantasia: reviverá um dia?
é como se tudo fosse
um remexer nas águas túrgidas depois de um escorregão duma cachoeira.
Sunday, June 08, 2014
nado. nada. e plenitude.
….
Aqui estou, nesse lugar. Sozinho, como sempre e desacompanhado, cada vez mais. Por opção, mais, ou menos, (irr)racional. De fato, de alguma maneira me isolo mais e mais continuamente, num movimento que não sei se vai em direção ao egoísmo, ou puramente contra ele, na falta de sentir necessidade de compartilhar meu 'self' com o mundo. Aparentemente contraditório, sempre lembro de duas afirmações: as aparências enganam.
….
Alguns artistas se confudem com a própria obra. Alguns artistas se diferem a personalidade da obra. Alguns artistas não se assemelham a nada, ninguém, nem a sí, nem a própria obra. Eu nado nu, desejo que minha obra circule, mais do que desejo circular por rodas/redes sociais, sendo reconhecido pelas ruas/atualizações. Se daqui há alguns anos eu lograr sucesso, darei um sorriso atemporal- não quero ou posso ser um modelo de sucesso, vitória, ou desejo pré moldado numa sociedade em crise de valores. Vivo num tempo a parte, nem bem sei onde estou, onde vivo, e gostaria de dizer que não me importo; me importo, mas não procuro, ou conseguiria, me adaptar a um lugar onde, de fato, não estou adaptado.
….
Sou oposição- não sou direita, esquerda, sou canhoto, torto, pau que nasce torno não se endireita.
Sou oposição- não sou vítima, opressor, pregador, sou todos juntos, o que me convir quando souber, ou não, me portar.
Sou louco, sou são, sou racional, sou sonhador, sou realista, sou um mendigo, sou esperto, sou burrão, sou tantos que não sei dizer se sou ... , sou ..., sou ..., nada ou um pouco de cada. Sempre me perguntam como querem que me chamem e respondo que tanto faz, que me chamem como quiserem, prefiro a carregar o peso de um som morto e inúmeros moribundos sob minhas costas brancas. Ferre-se o mundo (e eu junto à ele).
….
Sábado, domingo de madrugada, 0h08. Sozinho, eu e uma garrafa sem outro destino, somente o fim. Poderia ter companhia, despejo. Poderia farrear, me nego. Poderia descansar, não vou. Produzo estimulado. Dou-me a chance de escutar a voz, porque no momento ela quer se centrar, fosse outra e estaríamos por aí, em determinado momento ou contexto, aqui permaneço- sou o que (de)tenho, me basto agraciado, nisso e na falta de (estar) (sendo) outro. A morte é um desejo, um desejo a renúncia- aqui não renuncio, reafirmo, é só o sou- vivo. Bem vivo.
….
Cada um traça o próprio destino no risca-faca. Cada um se insere na própria lógica. Cada um se projeta, cria uma imagem e semelhança de sí e do mundo. Cada um é o próprio Deus, e sua ausência (onipotente e fálica). Cada um experimenta o que pode, deseja, escapa e teme: o que mais se pode fazer nessa lógica de quebra-cabeças até que ela se borre e torne-mo-nos outra coisa? Pergunto e calo.
Tuesday, May 27, 2014
massivo.
O tempo consome o cigarro no apito do guarda, no carro que passa, na luz da motinho que parou: atravessando o asfalto, mais um pito no cigarro, e o homem cruza a faixa na esquina do conjunto nacional.
conjunto (constatación/constitución/construcción)
Ao lado da banca, passantes. Seguindo na calçada da banca, o ponto de ônibus. Adiante, o metro. Justo no centro, o conjunto. Situado na avenida do uruguaio, é iluminada por Guignard e amigo da Bombardi. Um dia uma idéia de cidade que saiu da prancheta e do papel, por certo mais generosa, de um rapaz de 25 anos. Diz aqui, D. Libeskind. Talvez no nome já provessem as intenções de bom trato .
Dentro do conjunto tem a livraria, cinema e cultura, a loja de discos e o café com pão de queijo e coxinha quente, também tem esfilha e sorvete de iogurte. Nos fundos, uma escada em espiral liga-se a livraria e nos corredores tem papelaria, loja de velha tecnologia, bugigangas, sapatos (sempre tem um loja de calçados) e quinquilharias. Numa das esquinas tem um buffet, na outra um banco. Em dois dos corredores de entrada, espaços para exposição de projetos e, nos corredores centrais, um espaço com esculturas de grande formato. Ao longo de todo conjunto, bancos pra se assentar e namorar. Também sobraram uns orelhões. Ainda próxima a entrada principal, uma outra galeria, e em frente a ela, na calçada um músico tocando: clarinete, violão, as vezes muda.
maioral
Isso que é shopping center?
....
Tem uns dias que vivo na cidade ideal, e comemoro.
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