Tuesday, May 09, 2017
Minha nova instalação se chama "O quadrado contemporâneo" e é constituído de um quadrado de concreto armado 4x4m que fica no meio da calçada de uma pequena rua de paralelepípedos no bairro das Perdizes. Meu querido quadrado contemporâneo é sabiamente denominado desta maneira graças a falta e ao vazio que a modernidade representa, nada mais do que um testemunho ocular do tempo na qual a geografia urbana - vulgarmente chamada de paisagem - e sua morfologia visual refletem os efeitos de exposição temporal prolongada agregando ao mesmo novas significações e leituras da vida cotidiana. Por exemplo: modificaram o calçamento da rua e o que um dia foi paralelepípedo hoje tornou-se "uma massa cinza cortada por uma faixa branca que divide um espaço bipartido que sobe (pra cima) e desce (pra baixo) e vai para frente e para trás", denominado 'asfalto' (Enciclopédia Rosseau). Ainda, tal como telhas cor de barro de casas que recebem chuva, o quadrado quase que diariamente é regado por água de cachorro, criando, dessa maneira, uma poça de água amarelada fonte de uma cultura de bactérias caninas de raro interesse.
Desta maneira, com o intuito não apenas de chamar atenção do mundo para esse fenômeno urbano de transição e imaterialidade- mijo- como igualmente chocar os críticos, sem referência para compreenderem assaz façanha, ouso afirmar que o quadrado contemporâneo é uma das grandes jóias da Arte das três (mil) ultimas décadas.
Aos que possam se interessar, em breve as fotos do mesmo estarão em meu sitio online e participarei com essa e outras obras de um panorama no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP).
Ficam meus sinceros agradecimentos a todos, saudações calorosas,
João GoldFabber.
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Outro dia me contaram que um artista chocou o mundo ao comer o cu de cachorros mortos cheios de verme e que o pau dele quase apodreceu, levando-o hospital. Fiquei me perguntando qual é a arte nessa perversão? Costumo me perguntar coisas similares quando olho pra grande parte de arte contemporânea. Aparentemente não há muito o que possa fazer... Nessa forma de arte referencial se não te explicarem "o significado", ele não existe, logo... (Quando um filme publicitário é ruim você joga um lettering explicando ao consumidor "como entendê-lo").
Parte dos auto-denominados artistas contemporâneos são, em certo sentido, como publicitários vendendo seu peixe. Os artistas têm mais referências e atitude blasê, os publicitários só ego, mas, me pergunto, qual o valor dessa pose toda?
(quem respondeu umbigo ganhou).
A crise da arte contemporânea passa pela imagem, por questões de aparência, beleza, sedução e tantas outras, mas isso não torna qualquer explicação acadêmica ou pseudo-intelectual suficientemente consistente pra me convencer de que qualquer cagada que façam e atribuam valores venha a ser arte. Duchamp percebeu isso há décadas, mas (quase) ninguém deve ter entendido direito o que ele quis dizer.
Pode ser impossível definir a arte, mas saber percebê-la é mais sutil e prazeiroso que se deixar convencer por punheteiros de que vale tudo, isso é bastante útil pro bem estar social. Oratória por oratória, o português dos advogados soa incrivelmente mais bonito.
(publicado originalmente em 2007)
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