Friday, August 23, 2013
Não sou mais capaz de escrever um poema,
uma folha caindo,
o rastro invisível
de um lastro de flor.
Não posso mais juntar palavras, construir
sentidos, fechar os olhos, respingar,
já não há ar.
Narinas tapadas, olhos cerrados,
dentro d'água choco,
sem gravidade posso ser,
permaneço.
Nesse estado, um país submerso,
dúvidas, dívidas, ativos e passivos,
o que procurar?
Uma notinha melódica aguda,
agito as moléculas,
verde fosforecente
no negro cintilar,
qual é mesmo o seu nome?
Venha brincar, gire o verso,
misture as cores, nomes, sentires,
qual a essência (do vazio)?
Possuir quando falta,
quando não há nostalgia, desejo, nada além
desse resquiço,
matéria escura,
silêncio
dum grito,
momento
sem foda,
amor,
ou nada
de mais.
:
veja como brilham seus olhos, opacos
veja como piscam, sem dor
veja como rimam os versos, sem som
sem odor, sem vista pro mar,
e mesmo sem ohm.
:
Átomos numa colher de sopa de letras,
não há fome ou tesão que me
faça parar
(de) pensar
- você -
onde está?
