Tuesday, June 04, 2013





você quer tirar a roupa dela. não, você tira a roupa dela, como tirou tantas outras roupas. você beija o corpo dela, como beijou outros mil corpos, mas nunca é igual, duas mulheres nunca serão iguais, mil mulheres nunca serão iguais, uma não é igual a outra, tudo é mistério, uma é o mistério da outra, as mulheres nunca são iguais como um homem se parece com o outro, nenhum se liga na metade das coisas que as mulheres significam, quem se importa?
tirei a roupa dela, beijei todo seu corpo, trepamos, apertei todo aquele corpo e dormi com meu rosto espremido no seu pescoço. acordei, apalpei seu corpo, massageei seu corpo, trepamos mais uma vez, foi lindo, como muitas outras vezes, mas bem longe das tantas outras tantas que não passaram de nada. disse coisa bonitas, ouvi coisas bonitas, como outras vezes e sabia que, sim, era tudo de verdade, seu cheiro, seu gosto, seu corpo, minhas mãos, tudo, mas… não há mais, um dia soube: não minto, hoje o amor tem a duração exata dos compassos de uma noite, de uma bela trepada, de um oi fulgaz sem longo adeus, intenso, mas logo se perde e fico tentando resgatar o sentimento que escapa e de nada sei, passa: vejo corpos, vejo almas, vejo espíritos, vejo sorrisos, sinto tudo, sou o rei da sinceridade, mas tudo passa rápido, imediato e irreal, coisa alguma, não reconhece duração maior do que a que escapa a esse verso, e de pronto torna-se outro na mudança de luz- dia, noite, dia, noite, versos, versos inversos, reversos, decupagem… desejo, mas quem sou, o que quero? fidelidade não sei (o que significa). glasgow. londres. lisboa. vigo. wrexham... países, acentos, verdades, mentiras, cores de cabelos, olhos, pelos, pele, cheiros, gostos, peitos…as que tive, as que negaram, os instantâneos lindos do meu quebra-cabeças, amei todas sem mentira, sem mais ou menos, num saber solitário.

[...] me convida pra acordarmos juntos, fumar, beber, dizer que me deseja, sentir saudades, me xingar, me chupar, me chutar do seu quarto, ou cortar essa, sei lá. sem ódio, sem dramas, com gosto de surpresa, empolgação, desejo de novos ares, inspirar e expirar verdades sem expurgos de falsidade, falsas vaidades, só fantasia, esqueça o amanhã, isso tudo, intensifica sem tempo, sem época, sem rumo, pois passa como um sopro de baker, só agora sem antes nem depois, nem nada, só isso. sem choro, sem lamento, só perfume e seda, sem pecado ou religião, sem pobreza de espírito ou nada que explique: impaciência, ansiedade, insegurança, nada disso, contrário de porra nenhuma, estou cansado, tão cansado, uma lágrima que não cai, a palavra que não sai e terminamos por aqui, como seu eu fosse tudo isso, e àquilo, que não sabe significar, digno de admiração e indefindo… você me quer, queremos trepar, eu por perto, longe, morto, sorrindo, partindo, como sabe (que sou), um sorriso estranho, uma felicidade, um motivo, um momento- outro, e te quero como a nenhuma outra, meu amor, essa é minha ode, mais forte e verdadeira do que todos os cãos que te lamberam, foderam e prometeram mil potes de mel e só te deixaram veneno, não me rendo e não se esqueça de mim e só, assim somos (e)ternos e duramos o quando podemos- (me)(te) ame. egoistas natos, solitários, verdadeiros e diferentes, o que resta quando colocamos a cabeça no travesseiro, descansamos e acordamos (n)outro(s).

meu bem, não se esqueça, nunca se esqueça: ame, me ame como se eu fosse o ultimo e o primeiro.