Thursday, December 27, 2012
Fim da estação, mais um ano partindo pra algum lugar na memória, um segundo numa imagem que reaparecerá talvez numa pedra, talvez num pomar, não sei.
Seus olhos pretos, suas pintas escuras, sua pela morena, seus pelos negros, seu busto empinado.
Começo de ano, esperando pelo que virá a ser, pelo que está virando pro meu lado e, no horizonte, a vastidão da palavra esperança enche mares de lágrimas, segura todas árvores de uma floresta, barro batido por mil patas de cavalo, mato mordido pelo macaco, amarelo transformado em potes de trigo, brisa-esperança que sopra atrás do pescoço.
O Amor é um lugar, como um país, uma cidade, uma vila, uma casa, um lar ou um rio.
O Amor é um porto, seguro pra quem acredita, cantado por quem necessita, esquentado por quem o habita ou quer habitar.
E os dias seguem passando em um tempo invisível, sob plumas e pétalas, sob um aroma rosa-alaranjado, sob os beijos que vem e os que nunca chegarão a vir; sob lágrimas e palpitações, a duração penosa de um nada; sob sorrisos intermináveis, o tempo todo esticado, completude: o que possa dar dimensão e expandir o significado de ser, estar e permanecer.
Com ou sem Deus(es), como Natureza frágil ou exuberante, como resposta para as perguntas abertas ou deixadas nos cantos silenciosos, é preciso lidar com a solidão e preencher o eco ininterrupto que carregamos no centro do peito, ao longo da existência, para poder amar, e ser amado.
Sunday, December 23, 2012
Ela faz as cores trocarem de lugar, e quando olha pra uma coisa escura, esclarece, quando olha pra uma melhor iluminada, brilha ainda mais intensa. Ela faz o rufo peitoral soar mais alto, e ao encostar a cabeça pra escutar, ou segurar no pulso pra verificar o batimento, a intensidade aumenta produzindo um som proporcional a um acontecimento de altura traduzido numa onda grave gigante, bem maior que qualquer coisa que veio antes. Assim, suscetivamente, as percepções que tendem a se acumular e se substituir periodicamente sem maiores alterações, sobressaltam, destacando a partir de então presença em qualquer nuance, porque as nuances estão aí para provar que nada, nem um minuto, nem um segundo, nem um, nada, é igual a outra coisa, e vivemos quase assim, sem saber direito o que está acontecendo.
Ele sente tudo como mais vasto, e também sente o corpo enraizado, e até mal sente, por não estar acostumado a lidar com sentimento. Ele sente o dia inteiro ela, como uma química invisível, como uma idéia que flutua, leveza de ar como brisa no rosto. Ele nota que tudo faz sentido e se encaixa num quadro maior, feito de peças que não se encontram de acaso e ajuntam naturalmente, uma choupana quente de cor amarelo alaranjada.
futuro dias deverão,
...................................
Vitamina C, praia, ventilador, areia, livro, violão, deck, praia, chinelo, óculos escuro, biquini, barraca, esquece, esquece, biquini, barraca, Vitamina C, Vitamina C, V C, chinelo, óculos, sol, olhos fechados, brisa, brisa, barulho do mar.
..................................
passados dias, verediam.
Sunday, December 02, 2012
Boletim:
Seus braços estavam queimados, a cabeça chamuscava,
mil idéias repartidas em nozes quebradas por um martelo
de ferro num pote de barro com mel.
Alimentar-se do sagrado, clarificando o que se profana, debaixo
dos panos, nas esquinas opacas duma rua deserta, cheia de
folhas, outono, dias de inverno, devora as paredes
internas como forma de estranho, atordoa as víceras
e causa mal estar passageiro, age ainda sem elegância,
mas cresce com bastante naturalidade.
Tudo isso coube, quando soube, pois, que era tarde demais,
em seus dentes escorria o mel das abelhas, e as nozes dos
deuses, e da sua fenda a fertilidade de flores avermelhadas,
que ao banhar-se na luz da lua do céu estrelado
concebeu uma criatura pura, pintura, arte da lua, luz que ressoa,
talvez responda a tantas dúvidas estranhas, tá prenha.
talvez responda a tantas dúvidas estranhas, tá prenha.
Estás escorrendo pela pele, vermelho e queimando como quem acredita no
que até Deus duvida, disseram-lhe, estava transbordando. Não, não seria uma boa idéia,
a solução pra todos os problemas, uma concepção segura; não, não seria como deve ser,
que até Deus duvida, disseram-lhe, estava transbordando. Não, não seria uma boa idéia,
a solução pra todos os problemas, uma concepção segura; não, não seria como deve ser,
mas tudo enrolado, distanciado, tudo tão raro, tudo tão duro.
Ele disse por ela,
Te desejo felicidades.
Ela disse pra ele, também.
E foram se buscar por aí, em algum lugar invisível, caçando respostas com uma rede,
resultando numa grande interrogação que informa mudanças de paradigma, dizendo
em forma voz de gás hélio que se tornaria provedor de uma nova alma, embora ainda
sejam precisos ajustes. Escutou uma voz lhe dizer e desde então vem sendo bastante
borra botas.
resultando numa grande interrogação que informa mudanças de paradigma, dizendo
em forma voz de gás hélio que se tornaria provedor de uma nova alma, embora ainda
sejam precisos ajustes. Escutou uma voz lhe dizer e desde então vem sendo bastante
borra botas.
Thursday, November 29, 2012
Oblivión:
- soy raro, vós
- sí. y ¿que pasa?
….
Eram quase duas manhã quando ela abriu a porta e o convidou pra entrar,
estava de penhoar, atravessou o pátio florido e lhe ofereceu algo pra tomar,
- sí, alcoolico,
misturou zumo de naranja, hortelã, três gelos e mexeu,
pôs em suas mãos, perguntou que tal, estava bom, mas ela não se deixou convencer,
disse que àquilo era fanta e não zumo.
Já havíam passado pelo quarto, logo foram pra sala, ela partiu pra cozinha e pediu pra que não a seguisse,
saiu lá fora pra pendurar as roupas, estava com os cabelos mojados,
voltou e foi pro quarto, pediu pra que permanecesse na sala,
mas enquanto se vestia, ele cortou o barato e entrou, pronto fue echado
e novamente encontrou seu drink.
...já de volta, ela lhe disse que parecia nervoso,
vai ver estava,
pegou seu drink e tomou.
Tinham se esquecido de algumas coisas ao longo do tempo e pelas impressões,
sí, estavam cambiados,
a querência, não.
Elogiou suas mãos enquanto sorria,
levantou a masajear las espaldas, que dolian e
atravessando suas costas y tocando la piel con propriedad
pôde ver los senos pela fenda da vestimenta até que em determinado momento.
não se sabe ao certo como, estavam atracados.
Entraram no quarto, tiraram as vestes e
acenderam o abajur anaranjado y ¡la pegación! iniciaron
Pouco há de ser dito, nada mais fazia sentido,
una música de toques, mordidas, arranhões e lambidas
una música de violência, explosão e rompimento,
una música de falta, afeto,
fricção de claros e oscuros,
baixo clero e agudos,
lindo tema duma noite portenha.
……
(ela)
Deu-lhe um ramo de flores vermelhas
feitas de um guarda-chuva de enfeite
resignificadas em pedaços de afeto
num drink de laranja, gelo e hortelã.
……..
(ele)
Deixou-lhe as flores e um bilhete
pedindo pra que as regasse diariamente com água de mel docinho,
assim o coração seguiria batendo con vitalidad e que volte logo,
a verla numa hora dessas.
……….
bandoneon
cellopiano
y bajo
.......
--pietra y blanco--
:
encantamiento roto:
le falta confianza,
su corazón está roto.
𝄞
encantamiento resurgido :
no le falta nada,
su corazón está rellenado.
....
Todos te querem,
mas o que quieres,
¿usted?
……….
caminante del infinito
...........
Tuesday, November 20, 2012
….
Alaranjado
…
Todos pecados, pudores, miudezas
Todos narcisismos, esconderijos e auto afirmações,
Todas leituras, interpretações e conclusões momentâneas,
Todas contradições, exemplos, tolices e doses de sabedoria,
Todo todo, tolo do todo, lodo do tolo, todomundocabenumverso
e é isso que digo, posso dizer e venho dizendo.
Todos olhares contidos, todas vozes caladas,
todo assovio, toda prosa, todo pilantra,
indivíduos parecidos com tudo e nada como se fossem o mesmo,
sendo outro; como se outro fossem, sendo mesmo, e se esmiuçando,
tendo em posse números,
livros, discos, amores e cartas de emprego, falência moral,
bajulação intelectual, dominação, fantasias e realizações,
# etnias de paus e bucetas, cus e freud ou jung,
qualquer coisa pra se justificar:
tanto faz, pega na minha mão e vem, acabou o passeio por hoje.
….
Agora de noite eu li algo de bom, reli e fiquei bem, (ou)vi você
escapando do cuspo soltando bolinhas de baba sem uma razão que eu possa traduzir,
suponho só que seja da sua natureza_
[martelo, medito, reflito, atento]
veneno.
Você não justifica, eu não pergunto,
sou assim sem querer, sendo,
mas te admiro, fique sabendo e rimo
curtindo as diferenças
prefiro assim, pra mim
im
e você, um tom que não existe,
mas acabei de inventar
duma cor opaca
que esquentei num pote de vidro
e escorreu como lágrimas amarela
das
de um azul grego.
Ouça só:
Vamos seguir inventando palavras, assim a vida passa mais massa,
bjo.
---- amar sem desgraça o cangote da flor da toalha e seu caule.
Monday, November 19, 2012
Tuesday, November 13, 2012
la meduza.
As pessoas procuram pela solidão apoiando os cotovelos nos parapeitos das janelas e olhando por ela como se buscassem respostas, mas não há perguntas, somente cansaço. Melhor pegar chuva do que enfrentar o trânsito, bom é morar perto do trabalho, queria ser famoso, queria te dinheiro, queria casar e ter filhos, queria me livrar de tudo. Inalamos fumaça pra respirar, corremos sempre nos justificando e esquecemos o que não se pode justificar, somos contraditórios, frágeis e inseguros; arrogantes, confiantes e ególotras, débeis; contradição, parasitas sociais, fóbicos, neuróticos, psicóticos, narcísicos, maniáticos, dramáticos, midiáticos e no final nos acotovelamos na janela, partilhando ou evitando a multidão, nos encarando pelo reflexo do túnel enquanto observamos as linhas que levam o trem de um lado pro outro, vida em comunidade,
vicilisação HUMANA. …
*****!!
..........
***** vicilisação = você quis dizer civilização, é isso?
você e essas inversões!!!
.....
psfora, você sempre me corrige, mas sempre entende,
compreende? me conhece faz tempo.
eu não quis dizer nada, eu disse.
…
trombada por casualidade:
bueiros, ganidos e sujeira,
outro dia um rato entalou na minha perna,
ambos nos assustamos e corremos -
não soubemos ser amigos, sequer colegas,
não trocamos gentilezas ou mesmo rudes palavras,
apenas nos afastamos como se não quiséssemos ver a nós
mesmos um no outro,
....
...
freak,
vc fez barulho ontem a noite,
ontem vieste a ser um ovo, mas hoje
comporta-se como pinto direito,
postura!
pó pó
::::
......
e seu coração bateu mais vermelho e enrubeceu como pitanga com cor de mirtilho,
e seu figo pulo de baixo pra garganta e desceu novamente,
já o pêssego não é maçã, mas o paraíso permanece,
só dispois consolação,
….
msg de amor ao alvo:
o ···3
...
joga quem qué,
acerta quem tenta,
erro brincando.
::::
o poeta foncusão solto segue a linha
e logo lodo no estouro da espinha
verde jante no je nto na sua tela
amarela eita trela
não foi nada,
DANADO.
::::
live water.
___________________
<----> ---->O
____________________
Sunday, November 11, 2012
....
Pensando bem, já não quero guardar nada,
carregar seu nome pelos mares, pelas rondas,
rotundas memórias esmiuçadas pelos dentes do animal,
ganiço estridente buscando equilibrar-se na natureza
agressiva do peito, desejo de carne, das vísceras, de um foda,
da baba de sangue nos dentes,
de tudo que não tenha nome, mas devore.
....
e se possa: ignorar a passagem do furacão.
....
mais um CHUVA fazendo poesia e regando o muro.
Sunday, October 28, 2012
N_na:
Noite, clima agradável, lugar e música boas, moças bonitas. Você, bem, fazes tudo certo e ouve buchicho de quem por, casualidade, cruza seu caminho, 'ai, é uma pena que estou casada': seu ego festeiro balança, a felicidade comparece, mas não, nada além de um sorriso, pois você não estava ali, falando com ela, olhando pra ela, fantasiando com ela, você apenas perguntou pra ela, 'mas e a sua amiga'.
Todos assuntos deram certo, todos conhecidos dos conhecidos bateram, todas impressões deram certo, assuntos aleatórios deram certo, a atração deu certo, mas no final, quando tudo dá certo, é porque ainda não é o final.
Inversão subversiva do dito popular: fiz tudo errado, mas deu certo.
E concluo.
Tuesday, October 16, 2012
Vou estalar os dedos 47 vezes, deitar com meu chapéu e olhar pro teto: o ventilador espalha o ar e minha garganta se delicia com um gole de bourbon,.
A brisa está boa, o ar está seco, como minha pele e toda a superfície que se desprende, por onde andamos nesses ultimos meses do ano, se bem me lembro já estivemos por aqui, ou talvez não, minhas memórias as vezes se confudem, talvez seja o verão chegando. Outro dia estava andando e cai. Estava andando e cai, simples assim, estranho, não? Você já sentiu uma queda iminente? Andou e caiu?
Bom (coça cabeça), onde estávamos mesmo? A ultima coisa que lembro foi do bacalhau, estava gostoso, ninguém gosta de óleo de bacalhau, eu como como ninguém, você sempre diz isso, mesmo sem me contar, vejo nos seus olhos. Depois você sai com aquele sorriso excitado, sabendo de qualquer coisa que me escapa, quem se importa? Você sempre vai embora, mas uma hora tem vontade de voltar e dizer oi, e aí, legal te ver, tal. E vem, vai,...
Gosto do fato do malte viscoso quebrar o gelo, se misturar a pedra derretida e deixar meu paladar amarelado, sinto até seu cheiro e misturo uma coisa com a outra, bem que te disse.
Ouve só:
There's a winner in every place
There's a heart that's beating in every page
The beginning of it starts at the end
When it's time to walk away and start over again
No more rain, no more roses
On my way, shake my thirst in a cool cool pond
...
Não sei porque, nasci mágico, bom de carteado, dedos habilidosos e aprendi cedo, é preciso saber tirar proveito da vida, sentir o gosto das coisas que apetecem antes que se perca o paladar. Gosto de adivinhação, dos sentidos e músicas, imagens por palavras.
Dorme bem.
(e sonha comigo).
...
youseffmonkey
Saturday, October 13, 2012
Debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando: escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.
...
Rua Augusta, descendente, bebendo num boteco fajuto sob o testemunho dos passantes que pediam trocados para biritas, cigarros dum maço acabado e um pouco de atenção e dignidade, nós dois.
Rua Augusta, descendo em direção ao Inferno, um carro preto com um cartaz no para-brisas 'batida', uma mão que remove o cartaz e risadas, 'vamos colocar noutro lugar', até que alguém aparece enfurecido dizendo para deixar o cartaz onde estava. Impressionados e sob efeito de algumas risadas etílicas, o cartaz é deixado por lá. A descida continua, parados em frente a um lindo hotel de luz roxa tiram uma foto, 'aqui nos casamos' e seguem de braços dados, cruzam a rua de um lado pro outro e um carro preto, com porta malas abertos passa reto ente a vista, mais risadas, regridem quinze passos pra trás e averiguam, 'batidas: um porta mala aberto, um isopor cheio de gelo e um casal com um cara bravo que acabou de pedir pra que deixassem o cartaz no lugar. A vida é literal, naquela esquina.
Ignorando maiores detalhes de todo resto, chegam ao vão livre da avenida Paulista e dividem espaço com veados, moleques, moradores de rua e os ratos atravessando a mureta coberta de plantas, mobiletes de plástico e uma floresta, lá brisam, discutem arquitetura, filosofam sobre o vão do museu e sua falta de colunas centrais torcendo para um skatista-vulto cair no chão para rirem mais um pouco, algo que não aconteceu, ele confessa seu sonho de fazer um clipe na cobertura e não me lembra mais o quê. 'Vamos embora, não posso mais...'.
...
Caminhando sob a avenida debaixo da fina garoa, etílicos e brisados, param sob um ponto qualquer, é preciso chamar um taxi e acabar com isso de uma vez por todas, e assim será. Prontamente, 4h da madrugada, debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando: escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.
Friday, October 12, 2012
Glória,
O porquê não interessa,
interessa interessar-se
Despir-se, despertar,
vestir-se, pontuar
Um dia numa noite,
uma noite noutro dia
Confundir-se,
ser, estar,
permanecer, restar,
dentro do outro
no oco
que escapa por meio
de nós:
se masculino ou feminino,
terno e gravata,
azul ou vermelho,
Somos todos um,
perpétua dúvida, satisfação,
amor, dor, rima que
combina, nova, ínfima,
digna do silêncio que povoa a existência
fulgaz,
singela,
bela,
misteriosa e inconclusiva,
que nos desperta e repousa continuamente
até que a morte separe, e (re)una,
numa dimensão poética,
as palavras que significam
as palavras que significam
flores amarelas sob a terra úmida.
Do seu, Genivaldo
[Mosaico Francês - Histórias da Guerra, 1943. Editora SansBri, autor desconhecido]
Sunday, October 07, 2012
Sabe que é, são sei lá que horas da madrugada e a ultima
lembrança que eu tenho é você entrando nesse apartamento e eu acendendo as
luzes; ao acender a luz sozinho, lembrei de você. Resolvi olhar suas
fotografias e senti uma ponta de ciúmes daquele babaca que costumeiramente
divide o espaço com você no quadro. Vejo nele um sorriso que eu já senti, vejo
em seus olhos uma expressão de leveza, invejo ele na foto que nunca tiramos e
sei o quanto é bom te amar quando estamos ali, transcendendo qualquer dúvida ou pensamento que se entreponha, são e salvos.
Me perco em seu sorriso, desejo seu corpo, seu busto e suas
pernas, e tudo que posso fazer é lamentar sua falta, despedaçado e te querendo mais que tudo, um dia que não chega, e não passa, até que volte e novamente se instale aqui. Você não se aquieta, desafiando toda fragilidade no peito consigo
mesma, e na indiferença entre um e outro, transgredindo as incompreensões que apenas se traduzem numa tola explicação.
...
Posso sonhar, transformar o porvir e alimentar minhas razões ilógicas, mas
FODA-SE.
Como uma sombra que
escapa pela parede, como um assovio, como um respiro de alívio, como um
trompete safado, com merda nenhuma, como uma falta que me faz, você se esvai e eu desperto num outro dia: passou, mas não passou, passou, mas nunca
passará (disso. disso tudo. Isso. Isso, tudo).
Wednesday, October 03, 2012
Oh! Darjeeling
Já não consigo desembaralhar o carteado colorido, desfazer seu nome em mil pedaços,
fazer juras de amor ou querer que desapareça como registro desnecessário.
Sei lá que me dá, essa noite,
ao pensar em distância, proximidade,
certeza, perdição,
não penso em nada com sua cabeça apoiada em meu ombro, agradada,
mergulhada num mar de prazer.
Se um dia quis te deter mil e uma noites e te transformar no que queria,
tal como se fosse igual, mas diferente,
Se um dia tivessemos sido tintos, ou azuis,
e um triângulo contasse até nove e me pedisse que fosse diferente,
eu nunca teria sido outra coisa.
Não existe grandeza maior pra um coração quente que a possibilidade de se levar
pelo mundo, pelo que se avista, pelos desejos, por tudo que diz respeito ao encanto de desconhecer o final,
mesmo sabendo que uma hora vai acabar, e nunca é tão bom quando acaba, mas quando começa e recomeça e segue.
Melhor deixar ser, estar, e o que um dia foi consolo, vira sorriso,
e mesmo não querendo ser vítima dos próprios anseios, seja,
e viva, cheia de si, porque tudo muda quando sopra o vento
a mando do tempo:
destino.
Monday, September 10, 2012
Já a bastante tempo a minha doença crônica e incurável, a chative, vem aumentando progressivamente e atormentando tanto eu quanto as pessoas próximas. Já tentei arranjar soluções para isso - tomei poções mágicas, sacrifiquei virgens e embebi bebês em sangue e, enfim, poupando outras flatulências, as tentativas nunca alcançaram um resultado concreto. Assim continuo sendo da mesma forma, conscientemente chato, mas aborrecido por isso.
...
Fiquei pensando que as vezes eu deveria ser um barbatuque e que se eu me irritasse por algum motivo eu sairia batucando no corpo, formaria uma conchinha de ar com as mãos e bateria no peito ao mesmo tempo que mexeria as pernas com tamanha destreza, criando uma jinga branca vexatória qualquer. E pulando pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima... pra baixo.... pra cima... pra baixo....todos os males desapareceriam. Faria isso até dar com a cabeça no teto, criando assim uma performance conceitural significando o retorno da irritabilidade, um mote bem contemporâneo. Também adoraria ter mais amigos barbatuques e ficar numa espécie de onda hippie-corporal, valorizando os sentidos neutralizados pela cidade, imitando o som de uma bexiga esvaziando e dando petelecos nas meninas como forma de pulsão reprimida. Escutar o meu eu interior, que adorável vida seria essa.
O problema é que eu sou apenas um paulistano irritado sem motivo e que, mesmo que eu pudesse lutar com todas minha forças, mesmo se soubesse o que é xi pra isso, eu nunca me apresentaria ou revelaria ser um barbatuque. Isso seria, sob qualquer aspecto, um erro. Um erro repugnante.
...
baseado realmente no fato verídico e fatídico episódio de uma amiga que pediu pra outra descrever o namorado novo: `ele é um palhaço´ e ao que ela traduziu `ahh! Ele é engraçado?´ a outra cortou e disse `não... ele é um ...palhaço´.
...
Enquanto isso eu continuo batucando. batucando. e. batucando.
até dar com a cabeça no teto.
Sunday, September 09, 2012
Continuar a espantar-se; continuar a ser novo, e até o fim, ante tudo o que é novo… pois tudo é novo para quem é novo.
Não ceder ao hábito, que é usura progressiva; e tudo se torna poeirento e cinza, tudo se torna igual ao que sempre somos,
tudo se parece e se repete, porque nós nos parecemos e nos repetimos. Seria preciso que o homem se acrescentasse à
criança, sem dela desprender-se, que a criança subsistisse dentro do homem, que fosse uma base para a construção de
acréscimos sucessivos - que não a destruíssem, como acontece. Não basta ser apenas um primitivo, mas é preciso ser
também um primitivo. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras; elementar diante do elementar; ser capaz
de, sempre devir e não apenas ser: não imóvel, mas em movimento, em meio ao que é móvel; em contacto incessante com
o que se transforma, transformando-se a si próprio; como a criança entregue totalmente ao exterior, mas com esse retorno
a si mesmo, que a criança não tem, em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas".
C.F.Ramuz, "Pages de Journal", Fontaine, nº 33, 1944, apud H.Read,ob.cit.
Não ceder ao hábito, que é usura progressiva; e tudo se torna poeirento e cinza, tudo se torna igual ao que sempre somos,
tudo se parece e se repete, porque nós nos parecemos e nos repetimos. Seria preciso que o homem se acrescentasse à
criança, sem dela desprender-se, que a criança subsistisse dentro do homem, que fosse uma base para a construção de
acréscimos sucessivos - que não a destruíssem, como acontece. Não basta ser apenas um primitivo, mas é preciso ser
também um primitivo. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras; elementar diante do elementar; ser capaz
de, sempre devir e não apenas ser: não imóvel, mas em movimento, em meio ao que é móvel; em contacto incessante com
o que se transforma, transformando-se a si próprio; como a criança entregue totalmente ao exterior, mas com esse retorno
a si mesmo, que a criança não tem, em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas".
C.F.Ramuz, "Pages de Journal", Fontaine, nº 33, 1944, apud H.Read,ob.cit.

Hoje quero brincar com as palavras, quebrá-las em letras e deixá-las escorrer soltas.
Hoje quero usar letras garrafais, letras pequeninas, minuciosas, afiadas e desafiadoras, hoje quero quebrar a gravidade e fazê-las levitar.
O gelo da palavra.
Como se fosse em um playground ventando com uma gangorra porteña, como o vento sul en Mar de Ajó. Palavras que rompem e irradiam um tipo de luz que eu já não via há muito tempo, mas que hoje voltaram como se nunca tivessem partido e deixado essas tantas lacunas. Letras, letras, pós e mágicas impossíveis de serem desvendadas, como um feitiço quebrando. Não senhores, hoje me libertei e até perdi o medo de baratas.
Macumbas, pós e feitiçarias, tudo pode ser quebrado, assim como a palavra em letras e o vazio em seus significados. Hoje, senhores, eu pedi para que tudo se fosse e deixei apenas o necessário para que seja diferente amanhã. Assim, de forma simples, creio que meu pedido será atendido.
Hoje quero quebrar as letras e significar as palavras, hoje quero questionar o porquê de tanto vendaval e de outras tormentas pois, apesar de tudo, falharam em desmantelar o barco e o capitão segue firme na proa de seu velho barco marcado pelo tempo. É apenas caso de sair do mar, lustrar o casco, polir até brilhar e esperar pela próxima saída. Assim são os dias do marinheiro apalavrado, do sonhador incrustrado, burro e teimoso, que não teme suas esperanças mais remotas de um dia encontrar um porto seguro que aceite que ele continue teimando e retornando a seu mundo- remando no mar.
--
tentativas tentações tentáculos
Octupu´s garden.

--
Hoje escrevi uma linhas
numa grafia incorreta
sob o ponto de vista plural.
--
[acerca de um dia passageiro]
Descastelo.
E, já no espaço cartográfico celestial,
aonde estarei, como estarei, com
quem estarei, estaria na lua, no
sol, em jupiter, saturno ou
escorpião?
era um corpo formoso que
eu foderia se pudesse.
não pude.
apesar de tudo
falhou a palavra
fagulhou o silêncio
e finalmente
morreu desgostoso.
Desde então estivemos apalavrados.
--

--
auguri aos
moresa
mantes
::::
Um dia qualquer, início de tarde, um corpo desanimado vaga pelas ruas procurando alguma coisa que caiu, sua alma. Desconhece o paradeiro, se quando aconteceu era dia ou noite, inverno ou verão, tampouco está certo em relação ao conteúdo, não se lembra com exatidão o que continha esse pedaço metafísico do ser, mas sente falta de algo.
::::

Vagando pelo Myspace Wilson busca referências, modelos de vida, apreço por algo. Mas Wilson não encontra nada, sistematicamente dá de cara com seu vazio interior e tenta, a qualquer custo, negá-lo.
Wilson sente uma tristeza intransponível, uma imobilidade ignóbil e usa signos não verbais buscando a todo custo exteriorizar a grande tragédia, sua auto-imagem. Wilson não se reconhece em nada do que faz, o ser escapa a autoimagem; Wilson pensa em quem é, pensa no que pensam que ele é, pensa [que] é, mas desconhece sua razão de ser. O modus operandi de Wilson parece incompatível com o mundo, seja ele qual for.
::::
Viciando-se em substâncias químicas para amortizar o valor do tempo e estender e mesclar a memória presente com o grito calado; agarrando-se a experiência do isolamento a ponto de desenvolver algo sem necessariamente criar uma ponte, uma ligação com o mundo real; fechando-se sobre a própria carcaça e devorando, como um abutre, o intestino e corpo biológico e finalmente criando um elo de dependência com uma escolha como se ela fosse outra coisa além disso, Jeremias desistiu de si. Jeremias matou-se, mas não no sentido físico. Jeremias perdeu a essência de sua alma e hoje vaga pelas ruas sem saber se é dia ou noite, verão ou inverno, tentando a qualquer custo encontra-lá para voltar ao principio de tudo, o início daquele ser, o momento em que escolheu uma vida que não satisfaz sua fome.
::::
bilhete encontrado na porta de casa:
Ignóbio
A pedra fundamental da desordem social é a ignorância dos seres humanos para com os seus iguais; quando um homem ignora um outro, ele dá ignição em um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim
resposta:
Quando um homem ignora a suas próprias necessidades, ele dá início a um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim.
conclusão:

::::
Não sei mais se foi noutro país, ou se dentro de mim
num qualquer lugar, mas escuro e deserto,
deparei-me com o espelho e fiquei horas tentando
tocar seu reflexo, reflexo, eu
e ao encostar na imagem invertida, não sabia quem
era quem, qual era qual, o que era imagem, o que era real
talvez a imagem resista permanentemente como ideal de recordação,
mas, efetivamente, ela deixou de ser àquilo que transparece há muito tempo. se o real está morto, resta a imagem, imaginar é resistir.
mas hipótese maior é que toda essa construção virtual
constata a busca por algo [im]palpável e [in]tangível, calado e não verbalizado:
me enganei. mais uma vez e para sempre, constantemente persistindo em enganar-me todos os dias, penso que os silêncios e pausas são como pedaços de pulsação cortados e as memórias versões para o presente que se desfaz a cada palavra, passo ou
respiro.
Para reviver é preciso buscar na morte um motivo --> motivo//ação.
:::::
A busca por oportunidades maiores trás dores de cabeça, mas [se] expor é a única forma e [solu]ação.
Definhar é a morte.
Re-Start.
Um dia qualquer, início de tarde, um corpo desanimado vaga pelas ruas procurando alguma coisa que caiu, sua alma. Desconhece o paradeiro, se quando aconteceu era dia ou noite, inverno ou verão, tampouco está certo em relação ao conteúdo, não se lembra com exatidão o que continha esse pedaço metafísico do ser, mas sente falta de algo.
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Vagando pelo Myspace Wilson busca referências, modelos de vida, apreço por algo. Mas Wilson não encontra nada, sistematicamente dá de cara com seu vazio interior e tenta, a qualquer custo, negá-lo.
Wilson sente uma tristeza intransponível, uma imobilidade ignóbil e usa signos não verbais buscando a todo custo exteriorizar a grande tragédia, sua auto-imagem. Wilson não se reconhece em nada do que faz, o ser escapa a autoimagem; Wilson pensa em quem é, pensa no que pensam que ele é, pensa [que] é, mas desconhece sua razão de ser. O modus operandi de Wilson parece incompatível com o mundo, seja ele qual for.
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Viciando-se em substâncias químicas para amortizar o valor do tempo e estender e mesclar a memória presente com o grito calado; agarrando-se a experiência do isolamento a ponto de desenvolver algo sem necessariamente criar uma ponte, uma ligação com o mundo real; fechando-se sobre a própria carcaça e devorando, como um abutre, o intestino e corpo biológico e finalmente criando um elo de dependência com uma escolha como se ela fosse outra coisa além disso, Jeremias desistiu de si. Jeremias matou-se, mas não no sentido físico. Jeremias perdeu a essência de sua alma e hoje vaga pelas ruas sem saber se é dia ou noite, verão ou inverno, tentando a qualquer custo encontra-lá para voltar ao principio de tudo, o início daquele ser, o momento em que escolheu uma vida que não satisfaz sua fome.
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bilhete encontrado na porta de casa:
Ignóbio
A pedra fundamental da desordem social é a ignorância dos seres humanos para com os seus iguais; quando um homem ignora um outro, ele dá ignição em um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim
resposta:
Quando um homem ignora a suas próprias necessidades, ele dá início a um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim.
conclusão:

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Não sei mais se foi noutro país, ou se dentro de mim
num qualquer lugar, mas escuro e deserto,
deparei-me com o espelho e fiquei horas tentando
tocar seu reflexo, reflexo, eu
e ao encostar na imagem invertida, não sabia quem
era quem, qual era qual, o que era imagem, o que era real
talvez a imagem resista permanentemente como ideal de recordação,
mas, efetivamente, ela deixou de ser àquilo que transparece há muito tempo. se o real está morto, resta a imagem, imaginar é resistir.
mas hipótese maior é que toda essa construção virtual
constata a busca por algo [im]palpável e [in]tangível, calado e não verbalizado:
me enganei. mais uma vez e para sempre, constantemente persistindo em enganar-me todos os dias, penso que os silêncios e pausas são como pedaços de pulsação cortados e as memórias versões para o presente que se desfaz a cada palavra, passo ou
respiro.
Para reviver é preciso buscar na morte um motivo --> motivo//ação.
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A busca por oportunidades maiores trás dores de cabeça, mas [se] expor é a única forma e [solu]ação.
Definhar é a morte.
Re-Start.

Hoje chovia, fora
e o barulho dos pingos respingava
pela janela do quarto
lá fora não há jardim,
mas ventava como se houvesse
um ni mim
uma rede balançando com nós dois
aos pés da praia e umas pitangas no chão
e num tempo que a semântica não pesa,
leve como horizonte,
com os pés pra cima, no sol
esperando pela chegada dos seus
as horas se passam com a calma tal
qual horas deveriam sempre passar
::::
mas na cidade os carros estacionam
na alma e não há como se afastar
desse perigo, há muito gris e
ficar em casa é abrigo por
falta de opção: ficar
consigo mesmo
rascunhando
o paraíso
::::
revivendo dias que não passam de memórias distantes
persigo um espírito que nunca deixou de estar presente
[e tentarei- te colocar nesse lugar ao meu lado]
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andando por aí perseguindo o próprio rabo
querendo dizer algo que não lhe sai,
porque se sair algo mais escapa
ele corre atrás do rabo
continua a correr atrás do rabo
mas diferente de um cachorro
latindo para a lua suas palavras
ecoam nalgum lugar e rebatem
de volta ao sinal:
revoltado [reboot]
::::::
vôo_
circuitos circulam c_urto circuitos
repouso.
::::::
continuo deitado na rede, ouço o mar
há quanto tempo já não repouso?
a calmaria de tempos remotos que poderiam voltar como se nunca
houvesse
um dia partido,
como dói.
poderia ser mais feliz, ou calmo.
poderia ser diferente.
e todo novo dia penso que virá a ser, deverá ser,
mas e se não for? se for isso mesmo, se for assim mesmo
e talvez eu viva a me enganar, traçando linhas que nunca passarão
de abstração, de dúvidas, de idéias vagas, de planos que falharão
e eu não possa me recompor, como sempre pude até hoje
o que farei?
::::
[se] faria diferente [?]
mas só posso fazer,
e o que virá que vire
o que viria a ser
tivesse sido outro
[passado]
[presente]
[futuro]
numa mesma camada,
tudo junto: aqui agora
isso meu / eu / neu contido
::::::
triunfo do poeta empalhado
[grito da gruta gutural]:
os homens de pedra e concreto venceram
mas ainda tenho meu silêncio
::::::
vaga-lume abstrato
cada um tem o quixote que merece.
:::::::
soluço matutino [poesia para juventude]
.
Vou pra lá e pracá
procurando
quebrar
o ovo
da casca
de cuzco
calado e só
.
riminha briguenta, essa minha história que conto #:
queria que fosse, ficou
queria de noite, manhã
queria tão quente, esfriou
e assim por diane
.
poeta já foi,
artista tentou,
então musicou
e assim por diane.
.
mas ao quebrar
a casa do ovo
ouviu
a casca de cuzco
partir:
end iane
nasceu
e finalmente,
pôde chorar.
.
uma pequena casa de pedra na margem do rio
local
lágrimas acumuladas sobre um fundo arenoso
e o pântano brejeiro engolindo os assop
cena do vazio do coração de diane em pb despedaçado,
escala de cinza
.
a vida descoloriu o coração seguinte, acizentando toda história de então
end i ane
mas posso afirmar, não sou eu que estou muito louco,
e novamente garantir, não sou eu que sou muito louco,
jurando, são vocês que não vêem comtrozolhos,
são vocês que ignoram e calam
seguindo a trilha mundana
contagiada por cegos que
dizem
dana
.
idiotas.
ordinários.
papagaios.
mas não você -
nunca deixe de questionar
até que encontre
o que queria encontrar
e conte para todos
como foi
sentir-se assim:
daí endiane
pode voltar, revoltar e tingir o contágio cinzento,
colorindo o canto dos sapos
que coaxam nos corações solitários.
.
não deixem para trás, niños:
cabe a vocês o resgate do que se quer
ser um dia
até ser,
pouco a pouco e vagarosamente,
outro
[nem por isso sumir].
.
a fantástica história do quixotesco end i ane
.
Vou pra lá e pracá
procurando
quebrar
o ovo
da casca
de cuzco
calado e só
.
riminha briguenta, essa minha história que conto #:
queria que fosse, ficou
queria de noite, manhã
queria tão quente, esfriou
e assim por diane
.
poeta já foi,
artista tentou,
então musicou
e assim por diane.
.
mas ao quebrar
a casa do ovo
ouviu
a casca de cuzco
partir:
end iane
nasceu
e finalmente,
pôde chorar.
.
uma pequena casa de pedra na margem do rio
local
lágrimas acumuladas sobre um fundo arenoso
e o pântano brejeiro engolindo os assop
cena do vazio do coração de diane em pb despedaçado,
escala de cinza
.
a vida descoloriu o coração seguinte, acizentando toda história de então
end i ane
mas posso afirmar, não sou eu que estou muito louco,
e novamente garantir, não sou eu que sou muito louco,
jurando, são vocês que não vêem comtrozolhos,
são vocês que ignoram e calam
seguindo a trilha mundana
contagiada por cegos que
dizem
dana
.
idiotas.
ordinários.
papagaios.
mas não você -
nunca deixe de questionar
até que encontre
o que queria encontrar
e conte para todos
como foi
sentir-se assim:
daí endiane
pode voltar, revoltar e tingir o contágio cinzento,
colorindo o canto dos sapos
que coaxam nos corações solitários.
.
não deixem para trás, niños:
cabe a vocês o resgate do que se quer
ser um dia
até ser,
pouco a pouco e vagarosamente,
outro
[nem por isso sumir].
.
a fantástica história do quixotesco end i ane
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