As vezes pensa-se que uma coisa acabou mesmo bem antes de começar,
as vezes tem-se a impressão de matar as sementes antes que possam germinar,
as vezes tem-se a certeza de se haver cometido uma estupidez como auto-sabotagem,
as vezes perdem-se os sentidos numa vontade incontida para elocubrar um silêncio,
as vezes fazemos tudo errado, mesmo querendo acertar.
Quando nossas falhas são expostas aos olhos do céu e um raio de sol fura a pupila, lidamos com as consequências,
as vezes os erros se convertem em aprendizado, ou a estupidez em raiva e descontrole,
as vezes somos capazes de dar a volta por cima, outras vezes nos apegamos ao erro e ao
sofrimento como resposta,
as vezes somos observadores passivos de um amor que parece ir e vir sem mais nem menos
e queremos somente fechar os olhos e poder começar tudo de novo.
Entre sorrisos, soluços e lágrimas, acenamos para felicidade, abraçamos os infortúnios,
guiamos ou deixamo-nos levar, sempre respirando fundo e seguindo em frente - para onde, afinal?
No fundo somos isso tudo nesses todos, razão (des)informada, vazão aberta,
uma questão de ponto de vista, projeção imaterial de uma substância chamada alma.
O amor funciona como redenção, esperança, impulso e força para
encontrarmos o melhor de nós, para nós mesmos e para aqueles
que queremos bem.
O amor não é posse descabida, controle ou aprisionamento, o amor não é satisfação egoísta, auto afirmação ou um troféu a ser exibido, o amor transcende, supera, embeleza a natureza sem maquiagem e é capaz de salvar qualquer ser, lidando com toda franqueza com as fraquezas e estando sempre
disposto a dar e receber força e esperança:
o amor reside na capacidade de, incondicionalmente, querermos bem a tudo que possuímos
e deixamos de possuir.
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arnald moustard, sgt do regimento francês balístico, discorre sobre o sentido da vida.
(foto cuville, f).
