Versos em cinzas e num copo de saquê,
confundo os sentindos tentando compreender,
quanto mais te vejo, mais pergunto porquê?
num maracujá retirado da casca, amarelo e preto
num abacateiro fim de tarde, rosa e verde,
na melancia azul e no branco do ipê,
pela lua prateada, procuro você
…..
a maré dos vai vens nos trouxe pra cá,
nesse canto da praia, escondidos do mundo,
uma canoa, um silêncio e nada,
as ondas quebram na pedra e esculpem
um sonho,
passeiam a toa pelo cheiro de mato,
enquanto isso fazemos amor
plantando esperança num mundo
tão frágil,
linhas e teias,
vento de praia,
palmeiras e cocos,
tela duma coleção
de caiaques,
esse que remei por toda vida
até chegar na margem do rio pra te
pegar,
mas você se foi,
não compreendo.
…..
Versos da ressaca de um copo de mar de saquê,
uma série de cinzas,
lágrimas esculpidas numa cidade de pedra
e isopor miniatura,
tudo é confusão:
apesar de tudo, você não foi.
devemos estar confundindo as coisas,
ou não
sabemos o que fazer.
um universo amarelo, preto, verde,
manga rosa abacateiro e pitanga,
branca lua dum dia prateado,
cabe você
…..
------> desoriente [noite oriental].
