Sunday, April 22, 2012
Pra não ficar em silêncio, vai um poema da Wislawa Szymborska (lê-se Vissuáva Chembórska):
Nuvens
Para descrever as nuvens
eu necessitaria ser muito rápida -
numa fração de segundo
deixam de ser estas, tornam-se outras.
É próprio delas
não se repetir nunca
nas formas, matizes, poses e composição.
Sem o peso de nenhuma lembrança
flutuam sem esforço sobre os fatos.
Elas lá podem ser testemunhas de alguma coisa -
logo se dispersam para todos os lados.
Comparada com as nuvens
a vida parece muito sólida,
quase perene, praticamente eterna.
Perante as nuvens
até a pedra parece uma irmã
em quem se pode confiar,
já elas - são primas distantes e inconstantes.
Que as pessoas vivam, se quiserem,
e em sequência que cada uma morra,
as nuvens nada têm a ver
com toda essa coisa
muito estranha.
Sobre a tua inteira
e a minha, ainda incompleta,
elas passam pomposas como sempre passaram.
Não têm obrigação de conosco findar.
Não precisam ser vistas para navegar.
Sunday, April 08, 2012
Não chores, menina. Nada será como antes, amanhece e você desperta, chove e você se molha, pela avenida caminha sentindo tudo diferente, mesmo permanecendo sob a regência soberana do tempo.
Já no espaço, tudo se redimensiona e tudo é espaço - mesmo as pedras da base do todo de concreto, a estrutura, esse esqueleto que nunca te abandona mesmo com tantas reformas.
...
Um dia chorei, chorei tanto que achei que fosse acabar seco, dormi úmido, mas acordei com a pele queimada por um punhado de raios de sol que devem ter cruzado a imensidão escura do cosmos até entrar pela janela do meu quarto, um milagre. Pensei em tantos rostos e passantes que cortavam meu caminho, nas árvores, flores e canteiros, no mau cheiro da fumaça dos ônibus e nas abelhas - um gosto de mel nos lábios que veio e seria sua memória.
Ainda sinto por tudo que ficou n´algum lugar fora disso, as migalhas soltas na chapa do pão, a fumaça do pingado numa padaria na cidade, uma idéia de convivência de tantos amores que nascem, morrem e as vezes querem renascer; procuram, atam e desatam nós e botões de vestido encontrando no corpo um abrigo quente afim de aquietar qualquer batida no contra-tempo: doce ninho.
...
O abandono desconhece qualquer objeto de busca, se uma aventura contínua, se um breve momento até que se desfaça por dentro, é só na falta que caminhamos rente ao abismo: não projete seu caminho, deixe-se levar, as falsas impressões é que te derrubam. Se você cair, levante, se recomponha e comece tudo de novo. Aproveite o vento, use a gravidade a seu favor, agradeça e siga.
...
Nascimento- Estou só e não resisto, muito tenho pra falar, meu caminho é de pedra, vou fechar o meu pranto, não quero mais a morte, vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer, já não sonho, hoje faço com meu braço meu viver.
...
Já John - All we need is love, love, love is all we need.
...
E você, o quê manda?
Já no espaço, tudo se redimensiona e tudo é espaço - mesmo as pedras da base do todo de concreto, a estrutura, esse esqueleto que nunca te abandona mesmo com tantas reformas.
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Um dia chorei, chorei tanto que achei que fosse acabar seco, dormi úmido, mas acordei com a pele queimada por um punhado de raios de sol que devem ter cruzado a imensidão escura do cosmos até entrar pela janela do meu quarto, um milagre. Pensei em tantos rostos e passantes que cortavam meu caminho, nas árvores, flores e canteiros, no mau cheiro da fumaça dos ônibus e nas abelhas - um gosto de mel nos lábios que veio e seria sua memória.
Ainda sinto por tudo que ficou n´algum lugar fora disso, as migalhas soltas na chapa do pão, a fumaça do pingado numa padaria na cidade, uma idéia de convivência de tantos amores que nascem, morrem e as vezes querem renascer; procuram, atam e desatam nós e botões de vestido encontrando no corpo um abrigo quente afim de aquietar qualquer batida no contra-tempo: doce ninho.
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O abandono desconhece qualquer objeto de busca, se uma aventura contínua, se um breve momento até que se desfaça por dentro, é só na falta que caminhamos rente ao abismo: não projete seu caminho, deixe-se levar, as falsas impressões é que te derrubam. Se você cair, levante, se recomponha e comece tudo de novo. Aproveite o vento, use a gravidade a seu favor, agradeça e siga.
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Nascimento- Estou só e não resisto, muito tenho pra falar, meu caminho é de pedra, vou fechar o meu pranto, não quero mais a morte, vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer, já não sonho, hoje faço com meu braço meu viver.
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Já John - All we need is love, love, love is all we need.
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E você, o quê manda?
Tuesday, April 03, 2012
havia uma terra onde nada existia e nela habitava um pato. lá, era xerife. nas lágoas mandava e desmandava, não havia ninguém que ousasse lhe desrespeitar, até que um dia deu-se conta não ser o dono das cores, e as cores tentou mudar. nada pôde fazer. resolveu, pois, meter-se com a palavra, e asu dermo mudou. nada podia ficar no grula. rae ire.
ainda compôs um tratado (pouco compreendido até presente época pelos tradutores do palavreado desnormativo e desnormatado) sobre embaralhar as cores afim de construir novos matizes de significado, mas nada obteve além da experiência em si, o próprio resultado. mas era um rei e tanto, o pato em seu lago jogando xadrez, um rei e tanto, o pato do lago num poema chinês..........
2)
A Tamoios foi pavimentada usando-se o método denominado "Mixed in Place", que eram os índios que habitavam o litoral norte paulista e o litoral fluminense durante o governo Jânio em 57 sob forte imundação até o alto da serra.
* AILANDER!!! A pergunta era sobre a identidade brasileira!!!
...........
Doravante, mediante e imediatamente preparado para elocubrar vossa dúvida:
é preciso ir além, cruzar a fronteira e sair de si, viajar por aí, perder-se na curva do vento cortando pari. chegando, compreenderá, e já não serão precisas as palavras, a vida pode embaralhar, mas não enganar; pode confundir, e (não) explicar; será precioso segundo de atenção no consigo mesmo que dirá porque, assim é: sinais, mentalizações e arte da desapreensão, abandono do tão somente ser racional. medite e asaz** compreenderas.
** do idioma proto sincrático do período molestro da urmanidade.
* AILANDER!!! Vou ter que ter uma conversinha com seus pais, de onde você tira esse tipo de coisas? Isso é muito estranho!!
....
Rcortes do cuaderno de Ailander, criador criado cadeado de Usnavi.
Sunday, April 01, 2012
Ela disse que era atriz, eu, carioca. Ela tinha olhos negros de amêndoa, abriu o espelho e passou um batom bem vermelho, encostou em mim. Nos encaramos, ela me beijou (ou eu a beijei). Ela usava um vestido curto e florido, la flaca. Fiquei encarando seu rosto como se fosse um amor pra toda vida, não era, apenas outra noite. Amanhecia e a vista daquela cobertura era linda, Recife em seu esplendor, rios, pontes, mares, meninas ainda mais bonitas na luz do sol, não há maquiagem borrada ou recalques típicos da ríspida aridez paulistana que não se desfaça num sorriso fácil. Todos sorriem fácil, uma leveza desconhecida em meio ao gris, a beleza é simples.
Na periferia as mulheres acreditam muito em deus e nas Celebridades. Em seu íntimo desejam ter a vida com a qual não foram agraciadas e usam cremes e maquiagens de todos tipos para conquistar seus pares, tem filhos cedo e perdem parentes próximos com uma naturalidade quase causal, deus dá, deus tira.Talvez elas tenham razão, nomeando a estância da maneira que crêem mais adequada. Queria saber se existe algo fora da periferia, se me faço entender. ?
...
É preciso acreditar em algo, sempre
Frisei que ela se parecia com a Penélope Cruz, ela ficou orgulhosa, disse que só treparia com uma mulher se fosse Penélope. Era linda, ela, Natália, a menina de uma noite em Recife. Estávamos bêbados, só melhorou, amei-a como se fosse minha ultima noite no mundo e, de repente, dissemos tchau e nunca mais nos veremos. Nem quero. Sonhos servem pra ficar guardados difusos, tudo que o cotidiano - e os meios digitais - estragam, a memória aprimora.
Nem sempre, mas cabe aqui.
Nem sempre, mas cabe aqui.
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Cansado, virado, lamentei estar sem câmera olhando praquela cidade, mas meus olhos se lembrarão da luz, do escuro e do amanhecer de Boa Viagem. Das nuvens e do céu mudando de cor. Da poesia já no nome, das meninas bonitas.
Cansado, virado, lamentei estar sem câmera olhando praquela cidade, mas meus olhos se lembrarão da luz, do escuro e do amanhecer de Boa Viagem. Das nuvens e do céu mudando de cor. Da poesia já no nome, das meninas bonitas.
Grilo, seu par e dois amigos no frontal, série de botecos de guerrilha que fazem frente ao central, bar dos artistas, arteiros e cultos. Disseram sermos os outros, putos. E os putos discutiram sobre o universo, astronomia, astrologia, música, filhos e muitas coisas que não me lembro. Sobretudo sobretempo e sobre o tempo. A vida é linda, a vida é curta, não sejam bestas, não percam tempo, liguem-se as pequenas coisas e tenham histórias para contar. Como dizem, um dia você viverá de suas memórias, faça uso do cotidiano para construí-las e aproveite, passa rápido (e você não precisa ser velho pra ter essa consciência).
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E sonharei com aqueles olhinhos que nunca mais verei - essa dor é boa.
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