Sonho com ela, essa moça sem rosto, essa flor sem perfume, essa parede sem cor, essa música silenciosa.
Olho pra ela e não vejo nada, não estou ali, refletido em coisa alguma, despertenço com toda fluidez.
Rezo, mas não há simbolismo oculto; Desejo, mas não há significado; Traduzo, mas não há linguagem.
Despertenço, desmaterializo, desfaço, descontruo, destruo, desobstruo, desobedeço, descarrego, danço.
Não há nada que se possa fazer quanto a humanidade limitrofe, somos como somos, todos parte do mesmo, buscando diferenças como propósito quando o que delimita deveria acrescentar, ignorando o altruismo, sem saber o quanto queremos fazer parte disso e o quanto queremos deixar de fazer:
dia D
existência
dia D
existência
(Murille Savage, Lille, France, 1967)
