Thursday, February 23, 2012




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um poema de silêncio eu imagino, um poema consistente

um poema solitário, um poema de verdade

é preciso estar muito dentro de si para acreditar 

num poema de chuva, garoa fina e assovio

num poema de chapéu e sobretudo enquanto as moças varrem a rua,

são os restos de carnaval. . . (daqui, só soube das confusões pela tv)

...

estive caminhando pelo porão das caixas escuras

e dos espelhos, e o pó todo que o sol encobria, se descobriu. 

ali, 

abaixo do nível do mar, onde cavam as formigas,

onde é úmido, é fértil, é o cio da terra

sustentando as pernas e o óleo das juntas

(puramente estruturais )

...

um poema vinho, ou azul grena,

um poema do porto, ou de lisboa (periquita)

um poema barroco, ou romântico

cerebral ou apaixonado, 

vítima ou carrasco:


um poema revela_dor

um poeta silencia

e faz dele seu grito

…..

......

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alimentadas pelos raios de sol, 

as expectativas nunca poderão ser cobertas, sucessivamente se enfileiram esperando

sua vez sob regime de triunfo ou falha

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São as águas de fevereiro, fechando o verão, 
só há promessa de cinzas em meu coração,

É pau, é espeto, é um frango profundo
correndo na granja do vejetariano faminto,
sem coração.

É um paulista babaca, em inenação [=]

É um vesgo fodido, tropeçando no chão.

ah, mais que coisa mais linda,
ah, mais que cheia de graça,
é a piranha da augusta,
que pêlos nos carros passa,

pam pim, pim pom!


[=] parasitismo preguiçal

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feroz carnaval, djoe 

feliz carnival, djei

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e o ano começa no brasil.


Tuesday, February 14, 2012



Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou: tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem apreciar ir as origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando um infante. (...) Quem é quando criança a natureza nos mistura com as suas árvores, com as suas águas, com o olho azul do céu. Por tudo isso que eu não gostasse de botar data na existência. Porque o tempo não anda pra trás. Ele só andasse pra trás botando a palavra quando de suporte.

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Tempo - de Manuel de Barros - Memórias Inventadas (imagem: Martha Barros)

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Um livro essencial pra vida [e que eu poderia tentar descrever usando miliadjetivos enaltecedores, mas isso de nada serviria, serve você ler, faz bem pra alma, esse negócio que não sei o quê é, onde está ou precisamente pra que serve, mas faz bem].