
desespero desperto
:::
Lembranças de tempos remotos, a paixão que está contida e não cabe, arruina homens, histórias, ideais, juramentos e acaba. acaba com tudo até se acabar.
:::
resquiços de dor. dor não se mede. hiperdimensiona. pontua. corta.
:::
Escrever, escrevia, tinha tanto significado sentir, hoje menos. Não que não sinta, ignore, mas dessituado desse presente de tônica sinceridade, seriedade revisada e cercado de discursos cartesianos, objetivos estruturais, sentir menos, agir mais [ou menos], o seguinte é resto, sobra da divisão.
mas, afinal, do que estou falando? de que coração, do seu, do meu ou da comunhão presente nisso tudo? o ar que me escapa, atrapa e invade seu ouvido, chega ao pulmão que apreende e exala, ruah, prana, ar é vida; presença é vida. (me) pergunto, o que está presente e deixa de estar presente, o que se apresenta em meio a tantas linhas que partem nas diversas direções, o que é justo, ou deveria ser. ? . cada vez mais acredito que não exista nada pra além de inspirar e expirar.
:::
todas versões de uma vida, todos versos de um poeta, todas melodias de um torto navegar, indeciso. a lógica de seguir com o mesmo nome, número de identidade, as contas que chegam, por trás de um dia atrás do outro supõe-se uma ação linear inexistente, por trás dos olhos e da pele que ganha rugas seguem idéias que vem, vão, se deslocam e são tão ilógicas quanto supor que Presença se materializa em alguém, em algum objeto: presença, por si só, tão ilógica e fragmentada que praticamente inexiste pra além do ato de inspirar e expirar. ruah, prana, ar é vida escapando.
:::
como era mesmo seu nome? qual era a cor de seus cabelos, a forma como os olhos se moviam e no que se transformaram meus gestos depois de ter perdido o controle dos sentidos? lógica feminina apreendida pelo masculino, fiz questão de tratá-la mal - mal deu-se conta a pobre do fascínio que me exerceu. A crueldade ao se apaixonar é a falta de controle, de quem controla e de quem é controlado, de quem se entrega e de quem tenta resistir, como se fosse possível, passar alheio a essa aguda presença. dói em dós, dói em nós.
:::
fragilidade, falta, sonhos, angústias, banalidades, libertações, travas e solturas. como era mesmo sentir isso? estou me lembrando.
:::
destempero deserto.