Monday, December 05, 2011




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Procuro um lugar quente, um abrigo dentro da nota que ressoa aguda, o centro.
Procuro por seus olhos, procuro no escuro, procuro a fagulha pra acender essa fogueira de folhas de figo e assoprar um coração magoado. Procuro pela menina que não existia, existiu, existirá e persisto em chamá-la pelo nome que não tem, como se fosse amor. Assim me conforto sozinho tomando suas pequeninas mãos para mim.

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Quando fomos apresentados um ao outro, uma forma incabível numa situação estranha, logo nos apaixonamos como se fóssemos garotos inacabados e não conhecessémos os pormenores e delongas de uma vida juntos para sempre. Ela dizia que eu estava sonhando, quase sempre dizia isso e escrevia nas paredes, as vezes desenhava símbolos sem significado, mas podia fazer-se compreender com alguns jestos misteriosos que faziam tanto sentido quanto trocar o g pelo j, ou o u pelo l, como uma criança aprendendo a escrever. Eu não ligava e guardava pra mim aquela coleção de particularidades que pouco a pouco me apossava e (a) chamava de minha.

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Quando fui pra Portugal, pude compreender um pouco melhor o sentido das coisas, parecia bastante natural o fato de compartilharmos o idioma, mas não o sotaque.
Entendi que uma palmeira azul lá era como uma palmeira turquesa por aqui e o fato se devia,
entre as tantas possibilidades, especialmente à luz, que passa por outro filtro naquela latitude e transforma tudo numa espécie de difusão alegórica. Pensando bem, não sei se existe tradução em Portugal pra esse meu termos.

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꜍꜍꜊꜊
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䷒䷪䷫䷮
䷫䷮ ䷒䷪
䷒䷪

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Ela insistiu bastante nesse ponto, dizendo que era vital pra que as coisas seguissem bem, mas eu realmente estava confuso porque não sabia o quê havia compreendido, também desconfiava se ela tinha clareza ao se colocar e assim deixei os dias correrem bem quietos, acreditando que o tempo poderia dar cabo de se manifestar a respeito com total descrição, soprando no meu ouvido o significado do temor de uma tradução imprecisa, como se fosse o português fazendo-se entender pela palmeira turquesa.

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Antes de conversarmos, mostrei pra ela uma música bonita, casinha dos açoires se chamava e a letra era um pouco assim, mas de ponta-cabeça:

꜊꜊꜊꜊꜊꜊
䷒
䷒             
䷒䷒䷒䷒   
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Ela deu um lindo sorriso, começou a dançar e rodopiou duas vezes, tinha uma flor amarelo presa aos cabelos e usava um vestido branco com desenhos singelos, pequeninos e graciosas sapatilhas com laço duplo de poliquarpo, sabia combinar as coisas, como girassol.

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Antes que o verão retornasse pela terceira vez, dando um nó no escuro, o sol me escapou pela janela e só sobrou uma frestinha que usei olhando pra folhas da figueira, assoprando um coração dolorido e teclando a mesma nota em diferentes intensidades. Seu desenho segue na parede, emoldurei um pedaço dela recortado e grudei meu dedo num ultimo ato despedaçado; troquei o u pelo l, o z pelo s e o ss pelo ç e até agora fico pensando se deveria mesmo continuar chamando-a de meu país, meu idioma, meu amor.

Já não sei porque, ela nunca teve nome realmente


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