(el dia de los muertos)
Ela me faz rir. Rir bastante. Ela é irônica e perspicaz, e eu me sinto babaca babando nela. Desse jeito. Pensando que talvez ela seja o quê não é, e representando a dura missão de ser ela mesma, mal saiba quem seja, e o que faz. Medo? Talvez seu ego seja ela, e o ego não é nada além de uma
Pedra. Fico pensando que talvez haja esperança nisso tudo se o amor deixar de representar a morte, depois que o amor morreu. Que meu amor morreu. Que o luto dessa morte se apossou do meu amor depois que [+ uma vez] os planos não deram certo, os sonhos não se tornaram outra coisa [pois, não se realizam] e ainda penso nela, naquela noite, na chuva, no vinho avinagrado, no som do corpo pintado e só vejo a imagem do outro lado da tela, não falo com ela. Me borro. Tenho medo, a rejeição é a morte e não quero mais sofrer dum mal que já sofri: me preservo, imagino que poderia ter sido, ser, fosse, fico na minha expectativa de um dia sair desse abismo, mas abraço meu medo,
abraço a morte, prefiro não arriscar a posse- (o amor) - do que me resta.
...
Sorrir, desejar, sentir, sonhar, vivenciar essa porra toda que tento evitar.
Dialogo com ela no espelho invisível, desarmo toda carapuça, penso no impossível. Dialogo com ela como se houvesse conversa, mas ignoro a realidade palpável e gostaria que fosse de outra forma, hoje só existe uma (por enquanto).
...
Aquele anel que ela falava. Esse buraco que carrego. Símbolo oculto, bravura escondida, confiança esbanjada, isso que pinga em um e rebate no outro. Esse papo todo de louco que ninguém compreende, excluindo você, e eu, somos tão poucos:
é disso que estou falando.
...
Se(r) alguém que(r) compartilha(r)?
Não sei- não sei o que quero e nem como evitar o que não quero.
Complico o que já é difícil, ligo a cabeça, desligo a tv, dou um gole de Porto e ouço o peito em ebulição, penso que assim o destino me trás o que preciso, e um dia isso (ser)vir(á) outra coisa.

