O vazio [
]
desse poema corresponde a
f
a
l
t
a
de estímulo, como numa cachoeira ao contrário
----> volte para o início subindo a escada, pule
e se agarre ao início do poema, desça novamente ------>
e agora estamos de volta depois de uma escorrega de bunda, pura diversão.
o que eram versos, revelam, em água túrgida, no movimento dessas águas, umas lágrimas minhas
que não caem, não vêm, e não se manifestam com a franqueza que deveriam- pura construção.
=
=
=
=
=========
000000000
OOOOOOO
ooooooooo oo (cadeira de roads)
ooooo
o ooo o
o 000 o
o 000 o
o o
ooooo
talvez haja um poema acidental, tetraplégico, imóvel e triste, tentando se desvelar frente as águas,
o narciso olhando pro espelho e sua falta de vida no reflexo incompreendido-
não há mais reconhecimento de qualquer vista e espécime.
(soluço. ar.)
como se deserto seco fosse
terreno desabitado, só mato,
pântano traiçoeiro, bicheiro,
floco de neve cortando a montanha
ou qualquer paisagem
que desse de cara com a nostalgia e a dor,
essa seria minha face.
sem vida. sem cor. sem fogo.
sem a juventude. sem a esperança. desprovido de desejo.
antes fosse, restaria um teco. nem isso.
sem frequência, alcance,
sem afeto ou doçura,
me lanço querendo
d e s
a p a r e
c e r
em meio a noite colorida do universo. da lua. dos planetas. dos cometas. e constelações inteiras.
só pó. pedra. grão de infinito. testemunho de uma madrugada inventada a sina dessas impressões
ligeiras e fugazes da vida.
como dói cutucar nessas palavras. nessa vã tentativa, de, novamente,
ser poeta.
só é poeta quem é poesia, e poesia, feneceu.
fantasia: reviverá um dia?
é como se tudo fosse
um remexer nas águas túrgidas depois de um escorregão duma cachoeira.