Thursday, July 25, 2013




……….

Fico esperando a tela carregar como se houvesse novidade, 

nesse meio tempo ardem as expectativas, 

não há nada e,

pronto, 

chegamos a uma conclusão:

perda de tempo.

……….

esperar que algo aconteça e tome um espaço no meio de suas expectativas desgovernadas. a pessoa muda de roupa, a pessoa corta o cabelo, a pessoa se esparrama, a pessoa muda suas atitudes numa tentativa de auto descoberta, exposta ao mundo, esperando reconhecimento social. pessoal. a pessoa bebe. a pessoa para de beber. a pessoa fuma. a pessoa para de fumar. a pessoa deita. a pessoa nunca mais levanta. a pessoa deixa de ser, a pessoa se evaporou (e seus pensamentos sopraram no ar).

agora vamos ao universo, pulso negro, estrelas longínquas, pedaços de pedra que brilham, consciência dum espaço misterioso, incerto, infinito como medida de grandeza, lua satélite, velocidade da luz, o som sônico sem deixar rastros, o olho biônico da pupila chamuscada, um raio qualquer ocupando uma antena qualquer em cima de um prédio qualquer, nuvens, balões de imaginação e objetos voadores não identificados, o quê acende e apaga, esse tal dia que tive medo de et e você apareceu na janela com os cabelos molhados, saindo do banho, andando nua no jardim, a grama brilhando.

……….

ardem as expectativas?

pronto, chegamos a uma conclusão:

não há nada e fico esperando a tela carregar como se houvesse,

perda de novidade,


tempo.

……….


 

Thursday, July 18, 2013



A carne, a unha da carne, a pele debaixo da carne da unha.
O sangue segue o fluxo, circula o corpo, irriga a ponta do
dedo, o sangue da unha da carne debaixo da pele, na boca do
sujeito.

A raiva, a ansiedade, a fome que não sacia, um pedaço de pele morta na boca do sujeito descontrolado, viva.

O dente, osso, magnésio, mastiga a comida, despedaça a
unha, a carne, misturando a saliva ao sangue, a saciedade dum pote de ânsia debaixo dos dentes.

O aparelho digestivo, complemento biomolecular da alma desenformada, traduz ânsia em ondas, sinais elétricos em estímulo, o corpo que alimenta e transforma a ação do invisível digerindo o resíduo energético mastigado, desmascarando a alma sem forma, faminta, saciando-a pouco a pouco.

A palavra que escapa, linguagem, tradução falha,
o corpo elétrico, energético, digerindo o todo, a alma sem forma, sem toque, linguagem audiovisual,
pixels, layers, ondas, notas, grãos de prata, areia, alcance e projeção imaterial dos sentidos que
desconhecemos.


o que significa o homem?

.....

mastigar a carne crua - reflexões de uma vaca, imposição humana.

(sebastião josé alves da cruz almeida - fósseis, resíduos, hominídios - 1456).




Saturday, July 13, 2013



(el dia de los muertos)

Ela me faz rir. Rir bastante. Ela é irônica e perspicaz, e eu me sinto babaca babando nela. Desse jeito. Pensando que talvez ela seja o quê não é, e representando a dura missão de ser ela mesma, mal saiba quem seja, e o que faz. Medo? Talvez seu ego seja ela, e o ego não é nada além de uma  

Pedra. Fico pensando que talvez haja esperança nisso tudo se o amor deixar de representar a morte, depois que o amor morreu. Que meu amor morreu. Que o luto dessa morte se apossou do meu amor depois que [+ uma vez] os planos não deram certo, os sonhos não se tornaram outra coisa [pois, não se realizam] e ainda penso nela, naquela noite, na chuva, no vinho avinagrado, no som do corpo pintado e só vejo a imagem do outro lado da tela, não falo com ela. Me borro. Tenho medo, a rejeição é a morte e não quero mais sofrer dum mal que já sofri: me preservo, imagino que poderia ter sido, ser, fosse, fico na minha expectativa de um dia sair desse abismo, mas abraço meu medo, 
abraço a morte,  prefiro não arriscar a posse- (o amor) - do que me resta.

...

Sorrir, desejar, sentir, sonhar, vivenciar essa porra toda que tento evitar. 
Dialogo com ela no espelho invisível, desarmo toda carapuça, penso no impossível. Dialogo com ela como se houvesse conversa, mas ignoro a realidade palpável e gostaria que fosse de outra forma, hoje só existe uma (por enquanto).

...


Aquele anel que ela falava. Esse buraco que carrego. Símbolo oculto, bravura escondida, confiança esbanjada, isso que pinga em um e rebate no outro. Esse papo todo de louco que ninguém compreende, excluindo você, e eu, somos tão poucos:
é disso que estou falando.

...

 Se(r) alguém que(r) compartilha(r)?

Não sei- não sei o que quero e nem como evitar o que não quero. 
Complico o que já é difícil, ligo a cabeça, desligo a tv, dou um gole de Porto e ouço o peito em ebulição, penso que assim o destino me trás o que preciso, e um dia isso (ser)vir(á) outra coisa.

Hoje não sei.