Thursday, July 18, 2013



A carne, a unha da carne, a pele debaixo da carne da unha.
O sangue segue o fluxo, circula o corpo, irriga a ponta do
dedo, o sangue da unha da carne debaixo da pele, na boca do
sujeito.

A raiva, a ansiedade, a fome que não sacia, um pedaço de pele morta na boca do sujeito descontrolado, viva.

O dente, osso, magnésio, mastiga a comida, despedaça a
unha, a carne, misturando a saliva ao sangue, a saciedade dum pote de ânsia debaixo dos dentes.

O aparelho digestivo, complemento biomolecular da alma desenformada, traduz ânsia em ondas, sinais elétricos em estímulo, o corpo que alimenta e transforma a ação do invisível digerindo o resíduo energético mastigado, desmascarando a alma sem forma, faminta, saciando-a pouco a pouco.

A palavra que escapa, linguagem, tradução falha,
o corpo elétrico, energético, digerindo o todo, a alma sem forma, sem toque, linguagem audiovisual,
pixels, layers, ondas, notas, grãos de prata, areia, alcance e projeção imaterial dos sentidos que
desconhecemos.


o que significa o homem?

.....

mastigar a carne crua - reflexões de uma vaca, imposição humana.

(sebastião josé alves da cruz almeida - fósseis, resíduos, hominídios - 1456).