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Aqui estou, nesse lugar. Sozinho, como sempre e desacompanhado, cada vez mais. Por opção, mais, ou menos, (irr)racional. De fato, de alguma maneira me isolo mais e mais continuamente, num movimento que não sei se vai em direção ao egoísmo, ou puramente contra ele, na falta de sentir necessidade de compartilhar meu 'self' com o mundo. Aparentemente contraditório, sempre lembro de duas afirmações: as aparências enganam.
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Alguns artistas se confudem com a própria obra. Alguns artistas se diferem a personalidade da obra. Alguns artistas não se assemelham a nada, ninguém, nem a sí, nem a própria obra. Eu nado nu, desejo que minha obra circule, mais do que desejo circular por rodas/redes sociais, sendo reconhecido pelas ruas/atualizações. Se daqui há alguns anos eu lograr sucesso, darei um sorriso atemporal- não quero ou posso ser um modelo de sucesso, vitória, ou desejo pré moldado numa sociedade em crise de valores. Vivo num tempo a parte, nem bem sei onde estou, onde vivo, e gostaria de dizer que não me importo; me importo, mas não procuro, ou conseguiria, me adaptar a um lugar onde, de fato, não estou adaptado.
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Sou oposição- não sou direita, esquerda, sou canhoto, torto, pau que nasce torno não se endireita.
Sou oposição- não sou vítima, opressor, pregador, sou todos juntos, o que me convir quando souber, ou não, me portar.
Sou louco, sou são, sou racional, sou sonhador, sou realista, sou um mendigo, sou esperto, sou burrão, sou tantos que não sei dizer se sou ... , sou ..., sou ..., nada ou um pouco de cada. Sempre me perguntam como querem que me chamem e respondo que tanto faz, que me chamem como quiserem, prefiro a carregar o peso de um som morto e inúmeros moribundos sob minhas costas brancas. Ferre-se o mundo (e eu junto à ele).
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Sábado, domingo de madrugada, 0h08. Sozinho, eu e uma garrafa sem outro destino, somente o fim. Poderia ter companhia, despejo. Poderia farrear, me nego. Poderia descansar, não vou. Produzo estimulado. Dou-me a chance de escutar a voz, porque no momento ela quer se centrar, fosse outra e estaríamos por aí, em determinado momento ou contexto, aqui permaneço- sou o que (de)tenho, me basto agraciado, nisso e na falta de (estar) (sendo) outro. A morte é um desejo, um desejo a renúncia- aqui não renuncio, reafirmo, é só o sou- vivo. Bem vivo.
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Cada um traça o próprio destino no risca-faca. Cada um se insere na própria lógica. Cada um se projeta, cria uma imagem e semelhança de sí e do mundo. Cada um é o próprio Deus, e sua ausência (onipotente e fálica). Cada um experimenta o que pode, deseja, escapa e teme: o que mais se pode fazer nessa lógica de quebra-cabeças até que ela se borre e torne-mo-nos outra coisa? Pergunto e calo.
