Tuesday, April 23, 2013



.....

perder-se é encontrar-se em mil pedaços partidos no solo e juntar os migalhos pacientemente:

pouca coisa pode ser mais bonita que a recomposição daquilo que se quebrou/rompeu
em algo rarefeito e se refaz mantendo a própria essência.

todo ser humano é digno de abandonar o que não precisa carregar, (se) perdoar, olhar pra si, ser humilde e reconhecer quando se equivoca, só não há perdão para aqueles que não se permitem
dar um passo para trás e se recompor sem arrogância ou afetação -

maior pureza que o verdadeiro arrependimento e a busca pela reconstrução não há,
é no consolo que um bom coração dá vazão a luz.

......

'histórias das cores do prisma, fragmentos de um coração de papel', editora nullman, 1994,
fabbrizio gofrinni.


Friday, April 05, 2013





----milindagacões---

escolha a palavra e substitua no poema, brinque de ser poeta,
como se fosse, você.

brinque você como se fosse poeta a palavra substituída no poema.

substitua você como se fosse o poeta no poema da palavra.

poeta substituido brinca com o se do poema, palavra foi-se,

problema.

---

----decorpoealma---

tudo é questão de ordem, e postura: realinhe sua sua coluna cervical,
seja firme, mas maleável, dobre e deixe-se dobrar, estique e verta-se
para si mesmo percebendo que todo esse encaixe de magnésio (osso)
e sua durabilidade como sedimento secular (caveira, pedra, gesso) 
pode agir como se morasse num mar com mil células (organismos marítimos) compartilhando graças, numa combinação mutualista desencadeando flutuação.

fosse assim sempre (só leveza), ao menos quando vivo (biomolecular consciente), e isso calaria perfeitamente minhas angústias quanto a dor nas costas.

--------

nem tudo é como parece,
você existe dentro de mim, 
universo,
e somos mesmo 
essa consciência de nós,
possibilidades aleatórias de eu's e vocês, 
- n u t  z -
onde tudo,
mesmo os seres em extinção,
jamais desistem e
se proliferam:

espuma do mar.

--------

estou tentado a rimar
[b com a] 
para provar
que talvez
não valha a pena
fazer a lição de casa
já que ordem da vida não altera
os resultados instáveis das
uniões casuais
afim de
perpetuar-se como raça.

portanto,

nem tudo é como parece, e distante
como se vê.

----------

portanto,

 como tudo se parece,
não há distância,
 como se vê.

-----------



(burceteoplatismo cenil da índia amazônica - gaspar toledo, 1976 - galeria isias maia)


Thursday, April 04, 2013





espírito selvagem 2013

um homem
num carro
em são paulo
atropela
na rua
um sujeito,

[[[andava de bicicleta]]]

dois homens
num carro 
em são paulo 
e um braço 
descolado
no banco de trás,

[[[andava de bicicleta]]]

um homem
num carro
em são paulo
atira o braço
num córrego
putre e infestado,

[[[andava de bicicleta]]]

sujo de mijo de rato
um pedaço humano é levado
rumo a origem do fato,
lá jamais será costurado
como se fosse todo retalho de
um espírito desgovernado
chamado de homem
vestido de carro

nesse raio 
um pedaço de máquina
se sobrepõe a consciência
biológica do braço,
já não coça a cabeça
nem coça o saco
já não sente necessidade
de existir como pedaço
de nada e ninguém:

já não serve
como denúncia
da selvageria,
mas atestado de podridão
do espírito cinza chamado de
homem
carro
ou grande cidade

Tuesday, January 29, 2013





Versos em cinzas e num copo de saquê,
confundo os sentindos tentando compreender,
quanto mais te vejo, mais pergunto porquê?

num maracujá retirado da casca, amarelo e preto
num abacateiro fim de tarde, rosa e verde,
na melancia azul e no branco do ipê,
pela lua prateada, procuro você

…..

a maré dos vai vens nos trouxe pra cá, 
nesse canto da praia, escondidos do mundo,
uma canoa, um silêncio e nada,

as ondas quebram na pedra e esculpem
um sonho,
passeiam a toa pelo cheiro de mato, 
enquanto isso fazemos amor
plantando esperança num mundo
tão frágil, 
linhas e teias,
vento de praia,
palmeiras e cocos,
tela duma coleção
de caiaques,
esse que remei por toda vida
até chegar na margem do rio pra te
pegar,
mas você se foi,

não compreendo.

…..

Versos da ressaca de um copo de mar de saquê,
uma série de cinzas, 
  lágrimas esculpidas numa cidade de pedra
e isopor miniatura,
tudo é confusão:

apesar de tudo, você não foi.

devemos estar confundindo as coisas,
ou não

sabemos o que fazer.

um universo amarelo, preto, verde, 
manga rosa abacateiro e pitanga,
branca lua dum dia prateado,

cabe você

…..


------> desoriente [noite oriental].

Saturday, January 12, 2013



As vezes pensa-se que uma coisa acabou mesmo bem antes de começar,
as vezes tem-se a impressão de matar as sementes antes que possam germinar,
as vezes tem-se a certeza de se haver cometido uma estupidez como auto-sabotagem,
as vezes perdem-se os sentidos numa vontade incontida para elocubrar um silêncio,
as vezes fazemos tudo errado, mesmo querendo acertar.

Quando nossas falhas são expostas aos olhos do céu e um raio de sol fura a pupila, lidamos com as consequências,

as vezes os erros se convertem em aprendizado, ou a estupidez em raiva e descontrole,
as vezes somos capazes de dar a volta por cima, outras vezes nos apegamos ao erro e ao
sofrimento como resposta,
as vezes somos observadores passivos de um amor que parece ir e vir sem mais nem menos
e queremos somente fechar os olhos e poder começar tudo de novo.

Entre sorrisos, soluços e lágrimas, acenamos para felicidade, abraçamos os infortúnios,
guiamos ou deixamo-nos levar, sempre respirando fundo e seguindo em frente - para onde, afinal?

No fundo somos isso tudo nesses todos, razão (des)informada, vazão aberta,
uma questão de ponto de vista, projeção imaterial de uma substância chamada alma.

O amor funciona como redenção, esperança, impulso e força para
encontrarmos o melhor de nós, para nós mesmos e para aqueles
que queremos bem.

O amor não é posse descabida, controle ou aprisionamento, o amor não é satisfação egoísta, auto afirmação ou um troféu a ser exibido, o amor transcende, supera, embeleza a natureza sem maquiagem e é capaz de salvar qualquer ser, lidando com toda franqueza com as fraquezas e estando sempre
disposto a dar e receber força e esperança:

o amor reside na capacidade de, incondicionalmente, querermos bem a tudo que possuímos
e deixamos de possuir.

-----

arnald moustard, sgt do regimento francês balístico, discorre sobre o sentido da vida.

(foto cuville, f).

Thursday, December 27, 2012



Fim da estação, mais um ano partindo pra algum lugar na memória, um segundo numa imagem que reaparecerá talvez numa pedra, talvez num pomar, não sei.

Seus olhos pretos, suas pintas escuras, sua pela morena, seus pelos negros, seu busto empinado.

Começo de ano, esperando pelo que virá a ser, pelo que está virando pro meu lado e, no horizonte, a vastidão da palavra esperança enche mares de lágrimas, segura todas árvores de uma floresta, barro batido por mil patas de cavalo, mato mordido pelo macaco, amarelo transformado em potes de trigo, brisa-esperança que sopra atrás do pescoço.

O Amor é um lugar, como um país, uma cidade, uma vila, uma casa, um lar ou um rio.

O Amor é um porto, seguro pra quem acredita, cantado por quem necessita, esquentado por quem o habita ou quer habitar.

E os dias seguem passando em um tempo invisível, sob plumas e pétalas, sob um aroma rosa-alaranjado, sob os beijos que vem e os que nunca chegarão a vir; sob lágrimas e palpitações, a duração penosa de um nada; sob sorrisos intermináveis, o tempo todo esticado, completude: o que possa dar dimensão e expandir o significado de ser, estar e permanecer.

Com ou sem Deus(es), como Natureza frágil ou exuberante, como resposta para as perguntas abertas ou deixadas nos cantos silenciosos, é preciso lidar com a solidão e preencher o eco ininterrupto que carregamos no centro do peito, ao longo da existência, para poder amar, e ser amado.





Sunday, December 23, 2012





Ela faz as cores trocarem de lugar, e quando olha pra uma coisa escura, esclarece, quando olha pra uma melhor iluminada, brilha ainda mais intensa. Ela faz o rufo peitoral soar mais alto, e ao encostar a cabeça pra escutar, ou segurar no pulso pra verificar o batimento, a intensidade aumenta produzindo um som proporcional a um acontecimento de altura traduzido numa onda grave gigante, bem maior que qualquer coisa que veio antes. Assim, suscetivamente, as percepções que tendem a se acumular e se substituir periodicamente sem maiores alterações, sobressaltam, destacando  a partir de então presença em qualquer nuance, porque as nuances estão aí para provar que nada, nem um minuto, nem um segundo, nem um, nada, é igual a outra coisa, e vivemos quase assim, sem saber direito o que está acontecendo.

Ele sente tudo como mais vasto, e também sente o corpo enraizado, e até mal sente, por não estar acostumado a lidar com sentimento. Ele sente o dia inteiro ela, como uma química invisível, como uma idéia que flutua, leveza de ar como brisa no rosto. Ele nota que tudo faz sentido e se encaixa num quadro maior, feito de peças que não se encontram de acaso e ajuntam naturalmente, uma choupana  quente de cor amarelo alaranjada.





futuro dias deverão,
...................................


Vitamina C, praia, ventilador, areia, livro, violão, deck, praia, chinelo, óculos escuro, biquini, barraca, esquece, esquece, biquini, barraca, Vitamina C, Vitamina C, V C, chinelo, óculos, sol, olhos fechados, brisa, brisa, barulho do mar.


..................................

passados dias, verediam.











Sunday, December 02, 2012


Boletim:

Seus braços estavam queimados, a cabeça chamuscava,
mil idéias repartidas em nozes quebradas por um martelo
de ferro num pote de barro com mel.

Alimentar-se do sagrado, clarificando o que se profana, debaixo
dos panos, nas esquinas opacas duma rua deserta, cheia de
folhas, outono, dias de inverno, devora as paredes
internas como forma de estranho, atordoa as víceras 
e causa mal estar passageiro, age ainda sem elegância,
mas cresce com bastante naturalidade.

Tudo isso coube, quando soube, pois, que era tarde demais,
em seus dentes escorria o mel das abelhas, e as nozes dos
deuses, e da sua fenda a fertilidade de flores avermelhadas,
que ao banhar-se na luz da lua do céu estrelado 
concebeu uma criatura pura, pintura, arte da lua, luz que ressoa,
talvez responda a tantas dúvidas estranhas, tá prenha.

Estás escorrendo pela pele, vermelho e queimando como quem acredita no
que até Deus duvida, disseram-lhe, estava transbordando. Não, não seria uma boa idéia,
a solução pra todos os problemas, uma concepção segura; não, não seria como deve ser,
mas tudo enrolado, distanciado, tudo tão raro, tudo tão duro.

Ele disse por ela, 

Te desejo felicidades.

Ela disse pra ele, também.

E foram se buscar por aí, em algum lugar invisível, caçando respostas com uma rede,
resultando numa grande interrogação que informa mudanças de paradigma, dizendo
em forma voz de gás hélio que se tornaria provedor de uma nova alma, embora ainda
sejam precisos ajustes. Escutou uma voz lhe dizer e desde então vem sendo bastante
borra botas.

Thursday, November 29, 2012




Oblivión:

- soy raro, vós

- sí. y ¿que pasa?


….

Eram quase duas manhã quando ela abriu a porta e o convidou pra entrar,
estava de penhoar, atravessou o pátio florido e lhe ofereceu algo pra tomar,
- sí, alcoolico,
misturou zumo de naranja,  hortelã, três gelos e mexeu,
pôs em suas mãos, perguntou que tal, estava bom, mas ela não se deixou convencer,
disse que àquilo era fanta e não zumo.

Já havíam passado pelo quarto, logo foram pra sala, ela partiu pra cozinha e pediu pra que não a seguisse,
saiu lá fora pra pendurar as roupas, estava com os cabelos mojados,
voltou e foi pro quarto, pediu pra que permanecesse na sala,
mas enquanto se vestia, ele cortou o barato e entrou, pronto fue echado
e novamente encontrou seu drink.
...já de volta, ela lhe disse que parecia nervoso,
vai ver estava,
pegou seu drink e tomou.

Tinham se esquecido de algumas coisas ao longo do tempo e pelas impressões,
sí, estavam cambiados,
a querência, não.

Elogiou suas mãos enquanto sorria, 
levantou a masajear las espaldas, que dolian e
atravessando suas costas y tocando la piel con propriedad
pôde ver los senos pela fenda da vestimenta até que em determinado momento.
não se sabe ao certo como, estavam atracados.


Entraram no quarto, tiraram as vestes e
acenderam o abajur anaranjado y ¡la pegación!  iniciaron
Pouco há de ser dito, nada mais fazia sentido,

una música de toques, mordidas, arranhões e lambidas
una música de violência, explosão e rompimento,
una música de falta, afeto,
fricção de claros e oscuros,
baixo clero e agudos,

lindo tema duma noite portenha.

……

(ela)

Deu-lhe um ramo de flores vermelhas
feitas de um guarda-chuva de enfeite
resignificadas em pedaços de afeto
num drink de laranja, gelo e hortelã.

……..

(ele)

Deixou-lhe as flores e um bilhete
pedindo pra que as regasse diariamente com água de mel docinho,
assim o coração seguiria batendo con vitalidad  e que volte logo,
a verla numa hora dessas.

……….

bandoneon
cello
piano
y bajo

.......

--pietra y blanco--

 :

encantamiento roto:

le falta confianza,
su corazón está roto.

𝄞

encantamiento resurgido :

no le falta nada,
su corazón está rellenado.

....

Todos te querem,
mas o que quieres,
¿usted?

……….

caminante del infinito   

...........

Tuesday, November 20, 2012




….


Alaranjado

…

Todos pecados, pudores, miudezas
Todos narcisismos, esconderijos e auto afirmações,
Todas leituras, interpretações e conclusões momentâneas,
Todas contradições, exemplos, tolices e doses de sabedoria,
Todo todo, tolo do todo, lodo do tolo, todomundocabenumverso
e é isso que digo, posso dizer e venho dizendo.

Todos olhares contidos, todas vozes caladas,
todo assovio, toda prosa, todo pilantra, 
indivíduos parecidos com tudo e nada como se fossem o mesmo,
sendo outro; como se outro fossem, sendo mesmo, e se esmiuçando, 
tendo em posse números, 
livros, discos, amores e cartas de emprego, falência moral,
bajulação intelectual, dominação, fantasias e realizações, 
# etnias de paus e bucetas, cus e freud ou jung, 
qualquer coisa pra se justificar:
tanto faz, pega na minha mão e vem, acabou o passeio por hoje.

….

Agora de noite eu li algo de bom, reli e fiquei bem, (ou)vi você
escapando do cuspo soltando bolinhas de baba sem uma razão que eu possa traduzir,
suponho só que seja da sua natureza_
[martelo, medito, reflito, atento]
veneno.

Você não justifica, eu não pergunto,
sou assim sem querer, sendo,
mas te admiro, fique sabendo e rimo
curtindo as diferenças
prefiro assim, pra mim
im
e você, um tom que não existe,
mas acabei de inventar
duma cor opaca
que esquentei num pote de vidro
e escorreu como lágrimas amarela
das
de um azul grego.

Ouça só:

Vamos seguir inventando palavras, assim a vida passa mais massa,

bjo.

---- amar sem desgraça o cangote da flor da toalha e seu caule. 

Tuesday, November 13, 2012


la meduza.



As pessoas procuram pela solidão apoiando os cotovelos nos parapeitos das janelas e olhando por ela como se buscassem respostas, mas não há perguntas, somente cansaço. Melhor pegar chuva do que enfrentar o trânsito, bom é morar perto do trabalho, queria ser famoso, queria te dinheiro, queria casar e ter filhos, queria me livrar de tudo. Inalamos fumaça pra respirar, corremos sempre nos justificando e esquecemos o que não se pode justificar, somos contraditórios, frágeis e inseguros; arrogantes, confiantes e ególotras, débeis; contradição, parasitas sociais, fóbicos, neuróticos, psicóticos, narcísicos, maniáticos, dramáticos, midiáticos  e no final nos acotovelamos na janela, partilhando ou evitando a multidão, nos encarando pelo reflexo do túnel enquanto observamos as linhas que levam o trem de um lado pro outro, vida em comunidade,

vicilisação HUMANA. …
                         *****!!

..........


***** vicilisação = você quis dizer civilização, é isso?

você e essas inversões!!!

.....

psfora, você sempre me corrige, mas sempre entende,
compreende? me conhece faz tempo.

eu não quis dizer nada, eu disse.

              
…

trombada por casualidade:

bueiros, ganidos e sujeira, 
outro dia um rato entalou na minha perna,
ambos nos assustamos e corremos -
não soubemos ser amigos, sequer colegas,
não trocamos gentilezas ou mesmo rudes palavras,
apenas nos afastamos como se não quiséssemos ver a nós
mesmos um no outro,

....

________

...

freak,
vc fez barulho ontem a noite, 
ontem vieste a ser um ovo, mas hoje
comporta-se como pinto direito,
postura!

pó pó


::::



......

e seu coração bateu mais vermelho e enrubeceu como pitanga com cor de mirtilho,
e seu figo pulo de baixo pra garganta e desceu novamente,
já o pêssego não é maçã, mas o paraíso permanece,
só dispois consolação,


….

msg de amor ao alvo:

o  ···3

...

joga quem qué,

acerta quem tenta,

erro brincando.



::::

o poeta foncusão solto segue a linha
e logo lodo no estouro da espinha
verde jante no je nto na sua tela 
amarela eita trela
não foi nada,

DANADO.

::::

live water.





___________________


                                            <---->        O


____________________


Sunday, November 11, 2012



....

Pensando bem, já não quero guardar nada,
carregar seu nome pelos mares, pelas rondas,
rotundas memórias esmiuçadas pelos dentes do animal,
ganiço estridente buscando equilibrar-se na natureza 
agressiva do peito, desejo de carne, das vísceras, de um foda,
da baba de sangue nos dentes,
de tudo que não tenha nome, mas devore.

....

e se possa: ignorar a passagem do furacão.


....

mais um CHUVA fazendo poesia e regando o muro.

Sunday, October 28, 2012


N_na:

Noite, clima agradável, lugar e música boas, moças bonitas. Você, bem, fazes tudo certo e ouve buchicho de quem por, casualidade, cruza seu caminho, 'ai, é uma pena que estou casada': seu ego festeiro balança, a felicidade comparece, mas não, nada além de um sorriso, pois você não estava ali, falando com ela, olhando pra ela, fantasiando com ela, você apenas perguntou pra ela, 'mas e a sua amiga'.

Todos assuntos deram certo, todos conhecidos dos conhecidos bateram, todas impressões deram certo, assuntos aleatórios deram certo, a atração deu certo, mas no final, quando tudo dá certo, é porque ainda não é o final.

Inversão subversiva do dito popular: fiz tudo errado, mas deu certo.

E concluo.

Tuesday, October 16, 2012



Vou estalar os dedos 47 vezes, deitar com meu chapéu e olhar pro teto: o ventilador espalha o ar e minha garganta se delicia com um gole de bourbon,.

A brisa está boa, o ar está seco, como minha pele e toda a superfície que se desprende, por onde andamos nesses ultimos meses do ano, se bem me lembro já estivemos por aqui, ou talvez não, minhas memórias as vezes se confudem, talvez seja o verão chegando. Outro dia estava andando e cai. Estava andando e cai, simples assim, estranho, não? Você já sentiu uma queda iminente? Andou e caiu?

Bom (coça cabeça), onde estávamos mesmo? A ultima coisa que lembro foi do bacalhau, estava gostoso, ninguém gosta de óleo de bacalhau, eu como como ninguém, você sempre diz isso, mesmo sem me contar, vejo nos seus olhos. Depois você sai com aquele sorriso excitado, sabendo de qualquer coisa que me escapa, quem se importa? Você sempre vai embora, mas uma hora tem vontade de voltar e dizer oi, e aí, legal te ver, tal. E vem, vai,...

Gosto do fato do malte viscoso quebrar o gelo, se misturar a pedra derretida e deixar meu paladar amarelado, sinto até seu cheiro e misturo uma coisa com a outra, bem que te disse.

Ouve só:

There's a winner in every place
There's a heart that's beating in every page
The beginning of it starts at the end
When it's time to walk away and start over again

No more rain, no more roses
On my way, shake my thirst in a cool cool pond

...

Não sei porque, nasci mágico, bom de carteado, dedos habilidosos e aprendi cedo, é preciso saber tirar proveito da vida, sentir o gosto das coisas que apetecem antes que se perca o paladar. Gosto de adivinhação, dos sentidos e músicas, imagens por palavras.

Dorme bem.

(e sonha comigo).

...

youseffmonkey




Saturday, October 13, 2012




Debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando:  escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.

...

Rua Augusta, descendente, bebendo num boteco fajuto sob o testemunho dos passantes que pediam trocados para biritas, cigarros dum maço acabado e um pouco de atenção e dignidade, nós dois.

Rua Augusta, descendo em direção ao Inferno, um carro preto com um cartaz no para-brisas 'batida', uma mão que remove o cartaz e risadas, 'vamos colocar noutro lugar', até que alguém aparece enfurecido dizendo para deixar o cartaz onde estava. Impressionados e sob efeito de algumas risadas etílicas, o cartaz é deixado por lá. A descida continua, parados em frente a um lindo hotel de luz roxa  tiram uma foto, 'aqui nos casamos' e seguem de braços dados, cruzam a rua de um lado pro outro e um carro preto, com porta malas abertos passa reto ente a vista, mais risadas, regridem quinze passos pra trás e averiguam, 'batidas: um porta mala aberto, um isopor cheio de gelo e um casal com um cara bravo que acabou de pedir pra que deixassem o cartaz no lugar. A vida é literal, naquela esquina.

Ignorando maiores detalhes de todo resto, chegam ao vão livre da avenida Paulista e dividem espaço com veados, moleques, moradores de rua e os ratos atravessando a mureta coberta de plantas, mobiletes de plástico e uma floresta, lá brisam, discutem arquitetura, filosofam sobre o vão do museu e sua falta de colunas centrais torcendo para um skatista-vulto cair no chão para rirem mais um pouco, algo que não aconteceu, ele confessa seu sonho de fazer um clipe na cobertura e não me lembra mais o quê. 'Vamos embora, não posso mais...'.

...

Caminhando sob a avenida debaixo da fina garoa, etílicos e brisados, param sob um ponto qualquer, é preciso chamar um taxi e acabar com isso de uma vez por todas, e assim será. Prontamente, 4h da madrugada, debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando:  escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.