Thursday, December 27, 2012
Fim da estação, mais um ano partindo pra algum lugar na memória, um segundo numa imagem que reaparecerá talvez numa pedra, talvez num pomar, não sei.
Seus olhos pretos, suas pintas escuras, sua pela morena, seus pelos negros, seu busto empinado.
Começo de ano, esperando pelo que virá a ser, pelo que está virando pro meu lado e, no horizonte, a vastidão da palavra esperança enche mares de lágrimas, segura todas árvores de uma floresta, barro batido por mil patas de cavalo, mato mordido pelo macaco, amarelo transformado em potes de trigo, brisa-esperança que sopra atrás do pescoço.
O Amor é um lugar, como um país, uma cidade, uma vila, uma casa, um lar ou um rio.
O Amor é um porto, seguro pra quem acredita, cantado por quem necessita, esquentado por quem o habita ou quer habitar.
E os dias seguem passando em um tempo invisível, sob plumas e pétalas, sob um aroma rosa-alaranjado, sob os beijos que vem e os que nunca chegarão a vir; sob lágrimas e palpitações, a duração penosa de um nada; sob sorrisos intermináveis, o tempo todo esticado, completude: o que possa dar dimensão e expandir o significado de ser, estar e permanecer.
Com ou sem Deus(es), como Natureza frágil ou exuberante, como resposta para as perguntas abertas ou deixadas nos cantos silenciosos, é preciso lidar com a solidão e preencher o eco ininterrupto que carregamos no centro do peito, ao longo da existência, para poder amar, e ser amado.

