Debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando: escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.
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Rua Augusta, descendente, bebendo num boteco fajuto sob o testemunho dos passantes que pediam trocados para biritas, cigarros dum maço acabado e um pouco de atenção e dignidade, nós dois.
Rua Augusta, descendo em direção ao Inferno, um carro preto com um cartaz no para-brisas 'batida', uma mão que remove o cartaz e risadas, 'vamos colocar noutro lugar', até que alguém aparece enfurecido dizendo para deixar o cartaz onde estava. Impressionados e sob efeito de algumas risadas etílicas, o cartaz é deixado por lá. A descida continua, parados em frente a um lindo hotel de luz roxa tiram uma foto, 'aqui nos casamos' e seguem de braços dados, cruzam a rua de um lado pro outro e um carro preto, com porta malas abertos passa reto ente a vista, mais risadas, regridem quinze passos pra trás e averiguam, 'batidas: um porta mala aberto, um isopor cheio de gelo e um casal com um cara bravo que acabou de pedir pra que deixassem o cartaz no lugar. A vida é literal, naquela esquina.
Ignorando maiores detalhes de todo resto, chegam ao vão livre da avenida Paulista e dividem espaço com veados, moleques, moradores de rua e os ratos atravessando a mureta coberta de plantas, mobiletes de plástico e uma floresta, lá brisam, discutem arquitetura, filosofam sobre o vão do museu e sua falta de colunas centrais torcendo para um skatista-vulto cair no chão para rirem mais um pouco, algo que não aconteceu, ele confessa seu sonho de fazer um clipe na cobertura e não me lembra mais o quê. 'Vamos embora, não posso mais...'.
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Caminhando sob a avenida debaixo da fina garoa, etílicos e brisados, param sob um ponto qualquer, é preciso chamar um taxi e acabar com isso de uma vez por todas, e assim será. Prontamente, 4h da madrugada, debaixo do guarda-chuva, espremidos, em frente ao cinema, tapando os rostos, um casal se pegando: escondidos sob a fina garoa, algo por trás do ato descabeçado.
