Sabe que é, são sei lá que horas da madrugada e a ultima
lembrança que eu tenho é você entrando nesse apartamento e eu acendendo as
luzes; ao acender a luz sozinho, lembrei de você. Resolvi olhar suas
fotografias e senti uma ponta de ciúmes daquele babaca que costumeiramente
divide o espaço com você no quadro. Vejo nele um sorriso que eu já senti, vejo
em seus olhos uma expressão de leveza, invejo ele na foto que nunca tiramos e
sei o quanto é bom te amar quando estamos ali, transcendendo qualquer dúvida ou pensamento que se entreponha, são e salvos.
Me perco em seu sorriso, desejo seu corpo, seu busto e suas
pernas, e tudo que posso fazer é lamentar sua falta, despedaçado e te querendo mais que tudo, um dia que não chega, e não passa, até que volte e novamente se instale aqui. Você não se aquieta, desafiando toda fragilidade no peito consigo
mesma, e na indiferença entre um e outro, transgredindo as incompreensões que apenas se traduzem numa tola explicação.
...
Posso sonhar, transformar o porvir e alimentar minhas razões ilógicas, mas
FODA-SE.
Como uma sombra que
escapa pela parede, como um assovio, como um respiro de alívio, como um
trompete safado, com merda nenhuma, como uma falta que me faz, você se esvai e eu desperto num outro dia: passou, mas não passou, passou, mas nunca
passará (disso. disso tudo. Isso. Isso, tudo).