Sunday, September 09, 2012

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Um dia qualquer, início de tarde, um corpo desanimado vaga pelas ruas procurando alguma coisa que caiu, sua alma. Desconhece o paradeiro, se quando aconteceu era dia ou noite, inverno ou verão, tampouco está certo em relação ao conteúdo, não se lembra com exatidão o que continha esse pedaço metafísico do ser, mas sente falta de algo.

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Vagando pelo Myspace Wilson busca referências, modelos de vida, apreço por algo. Mas Wilson não encontra nada, sistematicamente dá de cara com seu vazio interior e tenta, a qualquer custo, negá-lo.
Wilson sente uma tristeza intransponível, uma imobilidade ignóbil e usa signos não verbais buscando a todo custo exteriorizar a grande tragédia, sua auto-imagem. Wilson não se reconhece em nada do que faz, o ser escapa a autoimagem; Wilson pensa em quem é, pensa no que pensam que ele é, pensa [que] é, mas desconhece sua razão de ser. O modus operandi de Wilson parece incompatível com o mundo, seja ele qual for.

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Viciando-se em substâncias químicas para amortizar o valor do tempo e estender e mesclar a memória presente com o grito calado; agarrando-se a experiência do isolamento a ponto de desenvolver algo sem necessariamente criar uma ponte, uma ligação com o mundo real; fechando-se sobre a própria carcaça e devorando, como um abutre, o intestino e corpo biológico e finalmente criando um elo de dependência com uma escolha como se ela fosse outra coisa além disso, Jeremias desistiu de si. Jeremias matou-se, mas não no sentido físico. Jeremias perdeu a essência de sua alma e hoje vaga pelas ruas sem saber se é dia ou noite, verão ou inverno, tentando a qualquer custo encontra-lá para voltar ao principio de tudo, o início daquele ser, o momento em que escolheu uma vida que não satisfaz sua fome.

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bilhete encontrado na porta de casa:

Ignóbio

A pedra fundamental da desordem social é a ignorância dos seres humanos para com os seus iguais; quando um homem ignora um outro, ele dá ignição em um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim

resposta:

Quando um homem ignora a suas próprias necessidades, ele dá início a um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim.

conclusão:



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Não sei mais se foi noutro país, ou se dentro de mim

num qualquer lugar, mas escuro e deserto,
deparei-me com o espelho e fiquei horas tentando
tocar seu reflexo, reflexo, eu
e ao encostar na imagem invertida, não sabia quem
era quem, qual era qual, o que era imagem, o que era real

talvez a imagem resista permanentemente como ideal de recordação,
mas, efetivamente, ela deixou de ser àquilo que transparece há muito tempo. se o real está morto, resta a imagem, imaginar é resistir.

mas hipótese maior é que toda essa construção virtual
constata a busca por algo [im]palpável e [in]tangível, calado e não verbalizado:
me enganei. mais uma vez e para sempre, constantemente persistindo em enganar-me todos os dias, penso que os silêncios e pausas são como pedaços de pulsação cortados e as memórias versões para o presente que se desfaz a cada palavra, passo ou

respiro.

Para reviver é preciso buscar na morte um motivo --> motivo//ação.

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A busca por oportunidades maiores trás dores de cabeça, mas [se] expor é a única forma e [solu]ação.
Definhar é a morte.

Re-Start.