Thursday, February 23, 2012




…..

um poema de silêncio eu imagino, um poema consistente

um poema solitário, um poema de verdade

é preciso estar muito dentro de si para acreditar 

num poema de chuva, garoa fina e assovio

num poema de chapéu e sobretudo enquanto as moças varrem a rua,

são os restos de carnaval. . . (daqui, só soube das confusões pela tv)

...

estive caminhando pelo porão das caixas escuras

e dos espelhos, e o pó todo que o sol encobria, se descobriu. 

ali, 

abaixo do nível do mar, onde cavam as formigas,

onde é úmido, é fértil, é o cio da terra

sustentando as pernas e o óleo das juntas

(puramente estruturais )

...

um poema vinho, ou azul grena,

um poema do porto, ou de lisboa (periquita)

um poema barroco, ou romântico

cerebral ou apaixonado, 

vítima ou carrasco:


um poema revela_dor

um poeta silencia

e faz dele seu grito

…..

......

==========================================

alimentadas pelos raios de sol, 

as expectativas nunca poderão ser cobertas, sucessivamente se enfileiram esperando

sua vez sob regime de triunfo ou falha

==========================================


São as águas de fevereiro, fechando o verão, 
só há promessa de cinzas em meu coração,

É pau, é espeto, é um frango profundo
correndo na granja do vejetariano faminto,
sem coração.

É um paulista babaca, em inenação [=]

É um vesgo fodido, tropeçando no chão.

ah, mais que coisa mais linda,
ah, mais que cheia de graça,
é a piranha da augusta,
que pêlos nos carros passa,

pam pim, pim pom!


[=] parasitismo preguiçal

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feroz carnaval, djoe 

feliz carnival, djei

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e o ano começa no brasil.


Tuesday, February 14, 2012



Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou: tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem apreciar ir as origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando um infante. (...) Quem é quando criança a natureza nos mistura com as suas árvores, com as suas águas, com o olho azul do céu. Por tudo isso que eu não gostasse de botar data na existência. Porque o tempo não anda pra trás. Ele só andasse pra trás botando a palavra quando de suporte.

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Tempo - de Manuel de Barros - Memórias Inventadas (imagem: Martha Barros)

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Um livro essencial pra vida [e que eu poderia tentar descrever usando miliadjetivos enaltecedores, mas isso de nada serviria, serve você ler, faz bem pra alma, esse negócio que não sei o quê é, onde está ou precisamente pra que serve, mas faz bem].

Wednesday, January 25, 2012



Sordido, sinistro e marrento, pensando em você:
uma coisa
desagradável

não aos olhos, nem ao paladar,
as palavras nada diziam e
já abatido, meu peito gelou

a cilada estava feita,
tirei o capacete, a armadura e a espada
curvei o tronco olhando com temor:
uma coisa
desagradável

algo me dizia,
algo que eu fazia,
algo diferente
do que eu pensava:

é que não havia dentro
no que habitava
a imposta vestimenta
do desnudo cavaleiro,

---- a carapuça rompeu-se num instante,
foi pra todo canto e no tocante do negócio ---

uma coisa
desagradável

aconteceu em meu coração.

---

cai. cai do céu e aqui do chão,
duro e calcado chão,
miro pro céu, pro azul e
pro vento, pro branco
das nuvens fazendo
silêncio

e assinto*  o tempo
espreguiçando pela manhã
junto aos coqueiros de concreto.

amanhece e a britadeira estraçalha os ouvidinhos todos em débeis decibeis,
agradável resíduo audiovisual em pixels e microorganismos
adentrando a janela da sala pra celebrar um novo dia:

- BOM DIA, BOM DIA SÃO PAULO!!
Wuuuuuu!!!!!!

Grito alucinado ecoando na beleza das calçadas rachadas
explodindo em alegria por mais um dia começar;
vou atrás duma vida melhor, morar num andar mais alto
e contemplar o concreto duma forma abstrata,
sombrinhas, pessoinhas, carrinhos, ha ha ha

e enquanto olhava o céu, foi que uma piranha
cagou na minha cabeça.
acordei

---

hoje eu morri mais um pouco,
uma espécie de sopro
tocou no meu peito
e disse pra mim

hoje eu morri mais um pouco,
uma espécie de louco
mostrou-me uma foice
sentenciando o fim

num era pra ser, mas foi

[doido
calado
apedrejado
estapeado
enlameado
esfumaçado]

emputecido e filho da puta

¡final infeliz!

--

resta-me 1/7. quais as chances?

--

criolo no cú* é rola,
grisalho na fita.

--

[sp é a sua mãe, sou filho do pita,

pega e assa, batata frita!]

--


salvem os animais, apredejem os donos,
viva la revolución.

--

como resumir o brasil:

chico buarque morreu.
caetano morreu.
gil então, nem se fala.
tom zé nunca ouvi falar.
ah, tom jobim… sim, sim.
villa lobos, le village?

(supla=  )

--->; [off: atualmente]

-criolo.
-los hermanos (que se recusou a ir no programa do fausto, aquele que era gordo e virou magro cabeçudo arrancando um pedaço do corpo:
ex gordos são os novos animais castrados da fábula moderna, o gordo arrancou um toletão do estômago e não pode mais comer, adoeceu, quer dizer, emagreceu :D :D :D *D *D *D @bulling
-Nx 0 / Fresno / Evandro Mesquita  (¿¿ quem que errô com texto??)
-Luanzinho San & Michel Telozera,
- Restart.

--->;

Pam / Pa- Pam/ Pa-Pam/ Pa Pam Pa Pam/
2x

-- vinheta do plantão --

sirenes

[off] primeiro foi-se a esquina da ipiranga com a são joão,
agora já não existe mais amor em sp
e os grafites não berram 

[entra som ---sobe som ---desce som ---[interferência]
sansom, sensão sensual, sensação sônica,
arbustos em movimento, sente só: sansom]

nessa cidade arborizada e tranquila, completamente
destruída e refeita com base na teleplastia cérebral
pós evolucionária do patologista dompson charley,
somos reféns do verde, do tiête emulado que existe
no coração musgo de cada um de nós,
dessas bicicletas coloridas e fulgurantes nas praças
onde donzelas educam seus bípedes prediletos
cantando antigas cantigas de roda, que tempos
mais felizes aquele do gris de criolo, aquela soberba
caetaneana erradiante, as ratazanas, as ratazanas nos lixos
da pizzaria cagando bromélias ensandecidas, a velha augusta era
abraçar a loucura, o capeta e agora, essa manhatan (thumbs down)
desconexa, um bairro hypado onde o calhambeque do rei
enguiçou e não resta nada pra além de qualidade de vida,
de cuidados sistemáticos, de filtros de luzes difusas,
de raios de vida beta que assopram limpo ar para os nossos
pulmões, como é bonito, como é bonito, como é bonito… e triste.

sp - parieZ /


----




--->

[app: add to dicionare]

* assinto means: (assim) sinto e assimilo

alemalho - alemãogrisalho

*cu não se acentua.  [o cul ta* agudo, caguetão!]


<---

brasa queimada
noite esfumaçada,

agora foi,
antevi,
é outono no piaui.

---

ESBOÇO.

Monday, January 16, 2012


[...] Era pra ser um esboço, eu e o Guto começamos a captar umas cenas no Minhocão durante um final de semana, fizemos outras imagens na paulista e eu me encarreguei de todas imagens de chuva. Acabamos abarcando o projeto no meio [seria o clipe das 2 músicas] e isso ficou perdido em um hd que resgatei outro dia; revi e gostei. Está cheio de imperfeições, mas virou um poema visual com umas imagens bonitas. Lembro que na época eu estava estudando Haikai, Ideograma e lendo Haroldo e de algum jeito é o quê sinto quando vejo. A sequência predileta é a da chuva - ou choro das telhas [começa lá pelos 3'39] - e queria fazer uma exposição só sobre isso um dia... um dia, quem sabe?

Acho que é de 2006.

Monday, December 05, 2011




---

Procuro um lugar quente, um abrigo dentro da nota que ressoa aguda, o centro.
Procuro por seus olhos, procuro no escuro, procuro a fagulha pra acender essa fogueira de folhas de figo e assoprar um coração magoado. Procuro pela menina que não existia, existiu, existirá e persisto em chamá-la pelo nome que não tem, como se fosse amor. Assim me conforto sozinho tomando suas pequeninas mãos para mim.

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Quando fomos apresentados um ao outro, uma forma incabível numa situação estranha, logo nos apaixonamos como se fóssemos garotos inacabados e não conhecessémos os pormenores e delongas de uma vida juntos para sempre. Ela dizia que eu estava sonhando, quase sempre dizia isso e escrevia nas paredes, as vezes desenhava símbolos sem significado, mas podia fazer-se compreender com alguns jestos misteriosos que faziam tanto sentido quanto trocar o g pelo j, ou o u pelo l, como uma criança aprendendo a escrever. Eu não ligava e guardava pra mim aquela coleção de particularidades que pouco a pouco me apossava e (a) chamava de minha.

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Quando fui pra Portugal, pude compreender um pouco melhor o sentido das coisas, parecia bastante natural o fato de compartilharmos o idioma, mas não o sotaque.
Entendi que uma palmeira azul lá era como uma palmeira turquesa por aqui e o fato se devia,
entre as tantas possibilidades, especialmente à luz, que passa por outro filtro naquela latitude e transforma tudo numa espécie de difusão alegórica. Pensando bem, não sei se existe tradução em Portugal pra esse meu termos.

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꜊꜊꜍꜍
꜍꜍꜊꜊
꜍꜍꜊꜊
꜊꜊꜍꜍
䷒䷪䷫䷮
䷫䷮ ䷒䷪
䷒䷪

---

Ela insistiu bastante nesse ponto, dizendo que era vital pra que as coisas seguissem bem, mas eu realmente estava confuso porque não sabia o quê havia compreendido, também desconfiava se ela tinha clareza ao se colocar e assim deixei os dias correrem bem quietos, acreditando que o tempo poderia dar cabo de se manifestar a respeito com total descrição, soprando no meu ouvido o significado do temor de uma tradução imprecisa, como se fosse o português fazendo-se entender pela palmeira turquesa.

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Antes de conversarmos, mostrei pra ela uma música bonita, casinha dos açoires se chamava e a letra era um pouco assim, mas de ponta-cabeça:

꜊꜊꜊꜊꜊꜊
䷒
䷒             
䷒䷒䷒䷒   
꜊꜊꜊꜊꜊꜊

Ela deu um lindo sorriso, começou a dançar e rodopiou duas vezes, tinha uma flor amarelo presa aos cabelos e usava um vestido branco com desenhos singelos, pequeninos e graciosas sapatilhas com laço duplo de poliquarpo, sabia combinar as coisas, como girassol.

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Antes que o verão retornasse pela terceira vez, dando um nó no escuro, o sol me escapou pela janela e só sobrou uma frestinha que usei olhando pra folhas da figueira, assoprando um coração dolorido e teclando a mesma nota em diferentes intensidades. Seu desenho segue na parede, emoldurei um pedaço dela recortado e grudei meu dedo num ultimo ato despedaçado; troquei o u pelo l, o z pelo s e o ss pelo ç e até agora fico pensando se deveria mesmo continuar chamando-a de meu país, meu idioma, meu amor.

Já não sei porque, ela nunca teve nome realmente


---




Tuesday, November 29, 2011


Como se regressasse de uma partida que nunca aconteceu, levando embora tudo que tínhamos e deixando de lado o ser e as posses - essa pausa, esse soluço - e agora os trouxesse de volta pelo som das ondas e na água da chuva, do mar, nos pingos que molham as plantas, nos corpos que banham os amantes, esse silêncio perdido num dia qualquer.

Como se nos encontrássemos pela primeira vez, embora não fosse a primeira, mas a última e disséssemos sem palavras o que sentimos um pelo outro e melhor compreenderíamos nosso destino, o toque imprevisível, o som impossível que representa um instante - esse instante - cada instante - todo silêncio.  

Demos as mãos, nos abraçamos e fico agora procurando por seus olhos, pela aprovação do seu olhar, pelo perdão (sincero) do teu peito, pelo silêncio desfeito, pela lágrima, pelo defeito do espelho imperfeito, canalha, mortal e, às vezes, por esse romântico apaixonado que sou.

Poesia, o raio de sol queimando a pele, a água desfazendo o ardor, o toque da tecla que nunca difere do ser, o instante fugaz que dobra a esquina e some, a vida seguindo em inconstantes idas e vindas de sóis e chuvas, sombras e luzes (eterna e tenuamente) presentes. Aqui somos - apenas - passageiros testemunhando esse ciclo misterioso, circular e infinito.

Trata-se de um rápido retrato, pintura ruidosa, desejos, fantasias e sonhos que tenho ao pressentir sua presença, o desenho nu, as formas pela ponta dos dedos, o medo que me trás até aqui encostando o nariz no pescoço, retendo o ar e contendo o movimento: uma incerteza que pulsa, rui, penetra, excita e mistifica cada segundo ao seu lado, cada segundo separado de você, cada segundo que passa, cada segundo, único e solitário segundo, que cala e grita, produz e cessa, chora, sorri e se recompõe, essa infinita presença contida aqui.

Libertando-nos libertamos esse amor e, pra onde quer que ele vá, estará sempre nos esperando de braços abertos. Por hora, sejamos felizes meu bem, é tudo que há.

(...sobre o fim e o recomeço).

Friday, November 18, 2011


---

a morte é dramática e dolorosa,
a morte é expansão e desânimo,
pétalas caídas

a morte é cocaína e álcool, noites loucas,
porrada na cara,
no dia seguinte é que dói

a morte é contenção e inércia
grito sofrido, soluço espremido

a morte é escura e gelada
fede a enxofre
decompõe-se vagarosamente

e até que os olhos gotejem,
e até que a garganta seque o pranto
e até que o suspiro se esvaia e deixe de
permanecer,
a morte é agora,
é aqui
hoje e para sempre
presente
no ente
doente
que
se
f
o
i

---

metros

a
b
 a
   i x o

vagões cheios de corpos se deslocam
por baixo da terra e chocam humores
abandonados e mal acomodados
em bancos sebosos e
corrimões esprimidos
numa ressaca interminável

apertados um controutro
comprimidos no tempo/espaço
paisagem sem luz
passagem de luz
elétrica condição -

todo dia é dia

de chumbo

na rotina

sp

--


Tuesday, November 15, 2011



Como se regressasse de uma partida que nunca aconteceu, levando embora tudo que tínhamos e deixando de lado o ser e as posses - essa pausa, esse soluço - e agora os trouxesse de volta pelo som das ondas e na água da chuva, do mar, nos pingos que molham as plantas, nos corpos que banham os amantes, esse silêncio perdido num dia qualquer.

Como se nos encontrássemos pela primeira vez, embora não fosse a primeira, mas a última e, disséssemos não por palavras, mas pela falta delas, o que sentimos um pelo outro e melhor compreenderíamos nosso destino, o toque imprevisível, o som impossível que representa um instante - esse instante - cada instante - todo silêncio.  

Demos as mãos, nos abraçamos e fico agora procurando por seus olhos, pela aprovação do seu olhar, pelo perdão (sincero) do teu peito, pelo silêncio desfeito, pela lágrima, pelo defeito do espelho imperfeito, canalha, mortal e, às vezes, por esse romântico apaixonado que sou.

Poesia, o raio de sol queimando a pele, a água desfazendo o ardor, o toque da tecla nunca difere do ser, o instante fugaz que dobra a esquina e some, a vida seguindo em inconstantes idas e vindas de sóis e chuvas, sombras e luzes (eterna e tenuamente) presentes. Aqui somos - apenas - passageiros testemunhando esse ciclo misterioso, circular e infinito.

Trata-se de um rápido retrato, pintura ruidosa, desejos, fantasias e sonhos que tenho ao pressentir sua presença, o desenho nu, as formas pela ponta dos dedos, o medo que me trás até aqui encostando o nariz no pescoço, retendo o ar e contendo o movimento: uma incerteza que pulsa, rui, penetra, excita e mistifica cada segundo ao seu lado, cada segundo separado de você, cada segundo que passa, cada segundo, único e solitário segundo, que cala e grita, produz e cessa, chora, sorri e se recompõe, essa infinita presença contida aqui.

Libertando-nos libertamos esse amor e, pra onde quer que ele vá, estará sempre nos esperando de braços abertos, por hora, sejamos felizes meu bem, é tudo que há.

(...sobre o fim e o recomeço - mood doce).

Monday, October 31, 2011






---

A cinza mexida, laranja no pires
gotas que não caem, silêncio tristonho

Compor sobre a alegria já não sei,
tudo são pedras no mar, as estrelas caíram do céu.

Mergulho, ponho a cabeça para fora e não vejo o topo da montanha,
é como se não estivesse lá e, quando tento desenhar, está tudo de ponta cabeça:
talvez galdi e suas construções orgânicas espelhadas me ajudem.
mas quem engole fumaça não respira o ar puro e algo está errado no corpo entupido de cinza,
laranja sumido no pó sujo,
um bonde chamado cidade me atropelou.

continuo.

---


> /grit/ ar comprimido [silêncio cardúmico]


desperto no mar, o céu refletido, mergulho

f
u
  n
    d
         o

e prendo o ar calmamente, minha oxigenação muda, tudo tão puro,
luzes brilhantes e criaturas marítimas,
tudo tão belo, tudo tão calmo,
me projeto de outra maneira, estou fora de si:

um esqueleto ignorando contato com solo, 
a massa flutua na água
tudo é respiração, mente calma e solta

e enquanto cavalos marinhos machos dão a luz
e as águas vivas transparecem o próprio interior
e os peixes se agrupam e se dispersam
evitando predadores e minimizando os danos
à sociedade [viva irmandade cardúmica],
tudo brilha e muda durante o dia e,
com tanta água, não é preciso chorar mais
lágrimas tristes,
o oceano é o silêncio da respiração

descontruo.

---

e, novamente poeta, pois o coração é mecânica poética,
fluxo contínuo, transitar vazio, nunca!

e fecho.

---

"hay una pausa en la obra de la nada" //cortazar, j.//




Tuesday, October 18, 2011

Thursday, October 13, 2011


Envolto pelo mar em minha cabeça,
numa maré de altos e baixos, pegadas fincados, agudo sobrevôo,
analiso minha condição de pássaro,
o vento, as correntes do vento, o ar que sopra na árvore e assovia:

um alerta temeroso.

Afinal, o que será da solidão, daquele eco nunca preenchido,
do coração desamparado e do soluço preso na garganta, condição
expressa pelo canto mudo do pássaro?

Envolto por uma montanha de acúmulos, 3 décadas parece muito, parece pouco,
a história em cadernos, livros, discos e filmes; cartas, palavras, humores e nomes;
pronunciáveis, calados, presentes ou apagados.
portas e gavetas distribuídas entre contenção e avanço,
um poema moderno da inimaginação
contemporânea: retratar do eterno retorno.

Exausto e venvolto pelo mar em minha cabeça,
troco tudo de lugar, especialmente as palavras;
mas não me olvido ser um pássaro
e vôo,
independo da condição tempo.


Sunday, October 09, 2011


Repito, apito, pito e fico louco em poucos minutos. Saio dizendo coisas que não deveria, deixo de dizer outras, o tempo segue. Mais um trago, mais um tiro, mais música, como é bom se jogar e me aproximar do outro lado como não acontecia há tanto tempo. Mais um tiro, a noite continua, uma hora vou-me embora, durmo, acordo e saio, me perco, grito, penso em tudo, gasto o quê não tenho, que me importa, são números, não são eles que darão conta do meu sofrimento, que apagarão as lembranças das pessoas que amo, que acabarão com meus sonhos e as noite solitárias, e daí? Posso tudo. E sigo, volto, perco a censura, um labirinto místico, não existe amor em SP/

Meus sonhos estão mortos, mas quando eu abrir os olhos, um resquiço sempre haverá. Uma linha que divide um d'outro, a existência da escuridão, e vou sendo, como posso, um mistério no planeta.

Sigo maquinado, mente privada, pensamentos soltos, palavras sem semiótica, volto ao banheiro, mando ver outra vez e lá estou, inteiro, dançando a própria demência solitária, preenchendo o vazio com imaterialidade, com nada, e danço mesmo sabendo que a música é ruim, que já vai acabar, que será outra noite e nada mudou, mas algo voltou ao lugar, algo saiu do lugar, abraço os amigos e comemoro estar ali, não trocaria por nada. Então, em meio a fortaleza caída e a sombra da ave litoral num tótem no mar, lembro da carta que a cigana me entregou e isso significa muito, significa que sim, diz o quê eu preciso ouvir e me absolve.

:::

Ontem um tiro na cabeça pela guerra.
Ontem uma criança de mãos atadas de castigo, soltei.
Hoje um adulto nu nadando num mar de memórias.

::

Puseram o cara de ponta cabeça, puseram a cabeça na ponta do cara ... e deram porrada no filho de Deus.

Não precisa morrer pra ver Deus.

:

Tanto nada, que tudo é isso agora.

Thursday, October 06, 2011



/////calado [ivory towers]

Quando finalmente chegar à algum lugar e testemunhar a morte, tudo volta, revolta, trás de volta e leva os resquiços na certeza de que uma fase terminou: uma vida: um relacionamento: uma escolha.
Quando tudo finalmente morre e você revive, trazido de volta a superfície do rio, suas margens são fonte de esperanças e reencontros simbólicos com a água que um dia, translucida, você sujou com o barro dessa botina: água mexida, pó na retina, adeus à transparência que havia. Porém, demovida de resquiços passageiros e permitindo mergulho, ao trazer a cabeça de volta para fora, esteja certo de presenciar um segundo em toda intensidade: um momento que se faz, e desfaz, enquanto piscam os olhos piscam: não há morte, nem vida.
Entre um e outro, abismo. Entre um e outro, elo. Entre dois o eco dos ferimentos, mote poderoso: [gritando ou silencioso] chegamos ao fim? E tudo volta, revolta, trás de volta, leve soluço.
Uma noite de peito apertado, pude chorar. Pude finalmente chorar e não me furtei de sentir a dor de cada lágrima que caia, tamanha lucidez, e, meditando para a dor, compreendi sua força destruidora e renovadora. Enquanto agonizam os contemporâneos pedindo pílulas tarja preta, lembro do quanto quero e preciso chorar como carga simbólica e afetiva do luto manifesto: carregar a dor é dar correta dimensão ao presente, vivenciar a intensidade da perda e superar os resquiços da fase que determinou tal recorte, chegar ao fim enquanto os olhos piscam - os seus e os deles. Não há vida na morte.
Não digo nada, sinto sinos, bate o vento e assopra o aparato oriental, coração de metal n'ouvido, lucidez aguda, um sentir-se embrigado de todos destinos afrontados como quebra-cabeças.
Posso escrever, posso sentir, posso cantar e romper com tudo que foi como foi, assim faleceu e assim fenece. Posso enfrentar esses temores mesmo com as incertezas do porvir e seguir em frente, encaminhar-se é rumar, rumar, condição: nada mais se furta na solidão de bastar-se em si mesmo, já não é o bastante para seguir. Não há morte, nem vida.
Parede refinada, túmulo dos não-ditos, monumento a mú: rarefeito sentimento, sobrevôo de pardal, te escuto, pode falar que enquanto isso, pressinto.

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Uma orquídia amarela que floresce uma vez por ano, a pétala caída sobre o preto piano alemão. É primavera.

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Em meio as teclas de marfim e antebraços de madeira, havia um tanto de poeira e uma corrente de primeira, ouro puro caído do pulso. Outro dia um pianista des pedaço de ko ´rente rompida carregada no im pulso,
fui achá-la numa faxina em meio a carcaças de insetos refugiados e poeira ancestrais, reformei o piano desmontando, entendendo, sabendo,
que foi como um presente por tudo: longínquo laçotraço dos tempos distintos no mesmo objeto.

:::::::

sobre a madeira escura. sobre a matéria escura. sobre um brilho dourado.

Thursday, July 14, 2011




desespero desperto

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Lembranças de tempos remotos, a paixão que está contida e não cabe, arruina homens, histórias, ideais, juramentos e acaba. acaba com tudo até se acabar.

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resquiços de dor. dor não se mede. hiperdimensiona. pontua. corta.

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Escrever, escrevia, tinha tanto significado sentir, hoje menos. Não que não sinta, ignore, mas dessituado desse presente de tônica sinceridade, seriedade revisada e cercado de discursos cartesianos, objetivos estruturais, sentir menos, agir mais [ou menos], o seguinte é resto, sobra da divisão.
mas, afinal, do que estou falando? de que coração, do seu, do meu ou da comunhão presente nisso tudo? o ar que me escapa, atrapa e invade seu ouvido, chega ao pulmão que apreende e exala, ruah, prana, ar é vida; presença é vida. (me) pergunto, o que está presente e deixa de estar presente, o que se apresenta em meio a tantas linhas que partem nas diversas direções, o que é justo, ou deveria ser. ? . cada vez mais acredito que não exista nada pra além de inspirar e expirar.

:::

todas versões de uma vida, todos versos de um poeta, todas melodias de um torto navegar, indeciso. a lógica de seguir com o mesmo nome, número de identidade, as contas que chegam, por trás de um dia atrás do outro supõe-se uma ação linear inexistente, por trás dos olhos e da pele que ganha rugas seguem idéias que vem, vão, se deslocam e são tão ilógicas quanto supor que Presença se materializa em alguém, em algum objeto: presença, por si só, tão ilógica e fragmentada que praticamente inexiste pra além do ato de inspirar e expirar. ruah, prana, ar é vida escapando.

:::

como era mesmo seu nome? qual era a cor de seus cabelos, a forma como os olhos se moviam e no que se transformaram meus gestos depois de ter perdido o controle dos sentidos? lógica feminina apreendida pelo masculino, fiz questão de tratá-la mal - mal deu-se conta a pobre do fascínio que me exerceu. A crueldade ao se apaixonar é a falta de controle, de quem controla e de quem é controlado, de quem se entrega e de quem tenta resistir, como se fosse possível, passar alheio a essa aguda presença. dói em dós, dói em nós.

:::

fragilidade, falta, sonhos, angústias, banalidades, libertações, travas e solturas. como era mesmo sentir isso? estou me lembrando.

:::

destempero deserto.

Wednesday, April 27, 2011

compulsive word smoker
terrra sólida
plástica
que devora
dinossauros como ervas
que sugam a água
enraizada no fundo
de suas existências.

o melado
que se apega às mãos
é doce e gruda.

o grude me parte
ao meio quando
não depende
de cola ou baba,

é só a vontade
ficar junto
e espancar
o teclado de letras
e respiros musicais
de vontades de dentro.
de dentro do mundo
cosmético da alma,
como dói.

da inércia
em um dia de sol
violeta
em letras
de arcade fire.

na busca suja
e linda

POR UM RETALHO MAIS HUMANO
que me envolva
e me faça
chorar
de amor
e não de felicidade.

engraçadezas e felicidades
me tomam como moscas azuis
do pensamento aventureiro.

mais límpido,
honesto e franco
é o dedo paralisado
pelos bons modos?

amo a crueza
e a vida do alaska.

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linck, gabriela.