Tuesday, November 29, 2011
Como se regressasse de uma partida que nunca aconteceu, levando embora tudo que tínhamos e deixando de lado o ser e as posses - essa pausa, esse soluço - e agora os trouxesse de volta pelo som das ondas e na água da chuva, do mar, nos pingos que molham as plantas, nos corpos que banham os amantes, esse silêncio perdido num dia qualquer.
Como se nos encontrássemos pela primeira vez, embora não fosse a primeira, mas a última e disséssemos sem palavras o que sentimos um pelo outro e melhor compreenderíamos nosso destino, o toque imprevisível, o som impossível que representa um instante - esse instante - cada instante - todo silêncio.
Demos as mãos, nos abraçamos e fico agora procurando por seus olhos, pela aprovação do seu olhar, pelo perdão (sincero) do teu peito, pelo silêncio desfeito, pela lágrima, pelo defeito do espelho imperfeito, canalha, mortal e, às vezes, por esse romântico apaixonado que sou.
Poesia, o raio de sol queimando a pele, a água desfazendo o ardor, o toque da tecla que nunca difere do ser, o instante fugaz que dobra a esquina e some, a vida seguindo em inconstantes idas e vindas de sóis e chuvas, sombras e luzes (eterna e tenuamente) presentes. Aqui somos - apenas - passageiros testemunhando esse ciclo misterioso, circular e infinito.
Trata-se de um rápido retrato, pintura ruidosa, desejos, fantasias e sonhos que tenho ao pressentir sua presença, o desenho nu, as formas pela ponta dos dedos, o medo que me trás até aqui encostando o nariz no pescoço, retendo o ar e contendo o movimento: uma incerteza que pulsa, rui, penetra, excita e mistifica cada segundo ao seu lado, cada segundo separado de você, cada segundo que passa, cada segundo, único e solitário segundo, que cala e grita, produz e cessa, chora, sorri e se recompõe, essa infinita presença contida aqui.
Libertando-nos libertamos esse amor e, pra onde quer que ele vá, estará sempre nos esperando de braços abertos. Por hora, sejamos felizes meu bem, é tudo que há.
(...sobre o fim e o recomeço).
