numa maré de altos e baixos, pegadas fincados, agudo sobrevôo,
analiso minha condição de pássaro,
o vento, as correntes do vento, o ar que sopra na árvore e assovia:
um alerta temeroso.
Afinal, o que será da solidão, daquele eco nunca preenchido,
do coração desamparado e do soluço preso na garganta, condição
expressa pelo canto mudo do pássaro?
Envolto por uma montanha de acúmulos, 3 décadas parece muito, parece pouco,
a história em cadernos, livros, discos e filmes; cartas, palavras, humores e nomes;
pronunciáveis, calados, presentes ou apagados.
portas e gavetas distribuídas entre contenção e avanço,
um poema moderno da inimaginação
contemporânea: retratar do eterno retorno.
Exausto e venvolto pelo mar em minha cabeça,
troco tudo de lugar, especialmente as palavras;
mas não me olvido ser um pássaro
e vôo,
independo da condição tempo.