Sunday, October 09, 2011
Repito, apito, pito e fico louco em poucos minutos. Saio dizendo coisas que não deveria, deixo de dizer outras, o tempo segue. Mais um trago, mais um tiro, mais música, como é bom se jogar e me aproximar do outro lado como não acontecia há tanto tempo. Mais um tiro, a noite continua, uma hora vou-me embora, durmo, acordo e saio, me perco, grito, penso em tudo, gasto o quê não tenho, que me importa, são números, não são eles que darão conta do meu sofrimento, que apagarão as lembranças das pessoas que amo, que acabarão com meus sonhos e as noite solitárias, e daí? Posso tudo. E sigo, volto, perco a censura, um labirinto místico, não existe amor em SP/
Meus sonhos estão mortos, mas quando eu abrir os olhos, um resquiço sempre haverá. Uma linha que divide um d'outro, a existência da escuridão, e vou sendo, como posso, um mistério no planeta.
Sigo maquinado, mente privada, pensamentos soltos, palavras sem semiótica, volto ao banheiro, mando ver outra vez e lá estou, inteiro, dançando a própria demência solitária, preenchendo o vazio com imaterialidade, com nada, e danço mesmo sabendo que a música é ruim, que já vai acabar, que será outra noite e nada mudou, mas algo voltou ao lugar, algo saiu do lugar, abraço os amigos e comemoro estar ali, não trocaria por nada. Então, em meio a fortaleza caída e a sombra da ave litoral num tótem no mar, lembro da carta que a cigana me entregou e isso significa muito, significa que sim, diz o quê eu preciso ouvir e me absolve.
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Ontem um tiro na cabeça pela guerra.
Ontem uma criança de mãos atadas de castigo, soltei.
Hoje um adulto nu nadando num mar de memórias.
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Puseram o cara de ponta cabeça, puseram a cabeça na ponta do cara ... e deram porrada no filho de Deus.
Não precisa morrer pra ver Deus.
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Tanto nada, que tudo é isso agora.

