Já a bastante tempo a minha doença crônica e incurável, a chative, vem aumentando progressivamente e atormentando tanto eu quanto as pessoas próximas. Já tentei arranjar soluções para isso - tomei poções mágicas, sacrifiquei virgens e embebi bebês em sangue e, enfim, poupando outras flatulências, as tentativas nunca alcançaram um resultado concreto. Assim continuo sendo da mesma forma, conscientemente chato, mas aborrecido por isso.
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Fiquei pensando que as vezes eu deveria ser um barbatuque e que se eu me irritasse por algum motivo eu sairia batucando no corpo, formaria uma conchinha de ar com as mãos e bateria no peito ao mesmo tempo que mexeria as pernas com tamanha destreza, criando uma jinga branca vexatória qualquer. E pulando pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima... pra baixo.... pra cima... pra baixo....todos os males desapareceriam. Faria isso até dar com a cabeça no teto, criando assim uma performance conceitural significando o retorno da irritabilidade, um mote bem contemporâneo. Também adoraria ter mais amigos barbatuques e ficar numa espécie de onda hippie-corporal, valorizando os sentidos neutralizados pela cidade, imitando o som de uma bexiga esvaziando e dando petelecos nas meninas como forma de pulsão reprimida. Escutar o meu eu interior, que adorável vida seria essa.
O problema é que eu sou apenas um paulistano irritado sem motivo e que, mesmo que eu pudesse lutar com todas minha forças, mesmo se soubesse o que é xi pra isso, eu nunca me apresentaria ou revelaria ser um barbatuque. Isso seria, sob qualquer aspecto, um erro. Um erro repugnante.
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baseado realmente no fato verídico e fatídico episódio de uma amiga que pediu pra outra descrever o namorado novo: `ele é um palhaço´ e ao que ela traduziu `ahh! Ele é engraçado?´ a outra cortou e disse `não... ele é um ...palhaço´.
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Enquanto isso eu continuo batucando. batucando. e. batucando.
até dar com a cabeça no teto.
























