Monday, September 10, 2012



Já a bastante tempo a minha doença crônica e incurável, a chative, vem aumentando progressivamente e atormentando tanto eu quanto as pessoas próximas. Já tentei arranjar soluções para isso - tomei poções mágicas, sacrifiquei virgens e embebi bebês em sangue e, enfim, poupando outras flatulências, as tentativas nunca alcançaram um resultado concreto. Assim continuo sendo da mesma forma, conscientemente chato, mas aborrecido por isso.

...

Fiquei pensando que as vezes eu deveria ser um barbatuque e que se eu me irritasse por algum motivo eu sairia batucando no corpo, formaria uma conchinha de ar com as mãos e bateria no peito ao mesmo tempo que mexeria as pernas com tamanha destreza, criando uma jinga branca vexatória qualquer. E pulando pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima... pra baixo.... pra cima... pra baixo....todos os males desapareceriam. Faria isso até dar com a cabeça no teto, criando assim uma performance conceitural significando o retorno da irritabilidade, um mote bem contemporâneo. Também adoraria ter mais amigos barbatuques e ficar numa espécie de onda hippie-corporal, valorizando os sentidos neutralizados pela cidade, imitando o som de uma bexiga esvaziando e dando petelecos nas meninas como forma de pulsão reprimida. Escutar o meu eu interior, que adorável vida seria essa.
O problema é que eu sou apenas um paulistano irritado sem motivo e que, mesmo que eu pudesse lutar com todas minha forças, mesmo se soubesse o que é xi pra isso, eu nunca me apresentaria ou revelaria ser um barbatuque. Isso seria, sob qualquer aspecto, um erro. Um erro repugnante.

...

baseado realmente no fato verídico e fatídico episódio de uma amiga que pediu pra outra descrever o namorado novo: `ele é um palhaço´ e ao que ela traduziu `ahh! Ele é engraçado?´ a outra cortou e disse `não... ele é um ...palhaço´.

...

Enquanto isso eu continuo batucando. batucando. e. batucando.
até dar com a cabeça no teto.

Sunday, September 09, 2012




Continuar a espantar-se; continuar a ser novo, e até o fim, ante tudo o que é novo… pois tudo é novo para quem é novo.
Não ceder ao hábito, que é usura progressiva; e tudo se torna poeirento e cinza, tudo se torna igual ao que sempre somos,
tudo se parece e se repete, porque nós nos parecemos e nos repetimos. Seria preciso que o homem se acrescentasse à
criança, sem dela desprender-se, que a criança subsistisse dentro do homem, que fosse uma base para a construção de
acréscimos sucessivos - que não a destruíssem, como acontece. Não basta ser apenas um primitivo, mas é preciso ser
também um primitivo. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras; elementar diante do elementar; ser capaz
de, sempre devir e não apenas ser: não imóvel, mas em movimento, em meio ao que é móvel; em contacto incessante com
o que se transforma, transformando-se a si próprio; como a criança entregue totalmente ao exterior, mas com esse retorno
a si mesmo, que a criança não tem, em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas".

C.F.Ramuz, "Pages de Journal", Fontaine, nº 33, 1944, apud H.Read,ob.cit.


Hoje quero brincar com as palavras, quebrá-las em letras e deixá-las escorrer soltas.

Hoje quero usar letras garrafais, letras pequeninas, minuciosas, afiadas e desafiadoras, hoje quero quebrar a gravidade e fazê-las levitar.

O gelo da palavra.

Como se fosse em um playground ventando com uma gangorra porteña, como o vento sul en Mar de Ajó. Palavras que rompem e irradiam um tipo de luz que eu já não via há muito tempo, mas que hoje voltaram como se nunca tivessem partido e deixado essas tantas lacunas. Letras, letras, pós e mágicas impossíveis de serem desvendadas, como um feitiço quebrando. Não senhores, hoje me libertei e até perdi o medo de baratas.

Macumbas, pós e feitiçarias, tudo pode ser quebrado, assim como a palavra em letras e o vazio em seus significados. Hoje, senhores, eu pedi para que tudo se fosse e deixei apenas o necessário para que seja diferente amanhã. Assim, de forma simples, creio que meu pedido será atendido.

Hoje quero quebrar as letras e significar as palavras, hoje quero questionar o porquê de tanto vendaval e de outras tormentas pois, apesar de tudo, falharam em desmantelar o barco e o capitão segue firme na proa de seu velho barco marcado pelo tempo. É apenas caso de sair do mar, lustrar o casco, polir até brilhar e esperar pela próxima saída. Assim são os dias do marinheiro apalavrado, do sonhador incrustrado, burro e teimoso, que não teme suas esperanças mais remotas de um dia encontrar um porto seguro que aceite que ele continue teimando e retornando a seu mundo-  remando no mar.

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tentativas tentações tentáculos
Octupu´s garden.



--

Hoje escrevi uma linhas
numa grafia incorreta
sob o ponto de vista plural.

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[acerca de um dia passageiro]

Descastelo.

E, já no espaço cartográfico celestial,
aonde estarei, como estarei, com
quem estarei, estaria na lua, no
sol, em jupiter, saturno ou
escorpião?
era um corpo formoso que
eu foderia se pudesse.

não pude.

apesar de tudo
falhou a palavra
fagulhou o silêncio
e finalmente
morreu desgostoso.

Desde então estivemos apalavrados.

--



--

auguri aos
moresa
mantes
::::

Um dia qualquer, início de tarde, um corpo desanimado vaga pelas ruas procurando alguma coisa que caiu, sua alma. Desconhece o paradeiro, se quando aconteceu era dia ou noite, inverno ou verão, tampouco está certo em relação ao conteúdo, não se lembra com exatidão o que continha esse pedaço metafísico do ser, mas sente falta de algo.

::::

Vagando pelo Myspace Wilson busca referências, modelos de vida, apreço por algo. Mas Wilson não encontra nada, sistematicamente dá de cara com seu vazio interior e tenta, a qualquer custo, negá-lo.
Wilson sente uma tristeza intransponível, uma imobilidade ignóbil e usa signos não verbais buscando a todo custo exteriorizar a grande tragédia, sua auto-imagem. Wilson não se reconhece em nada do que faz, o ser escapa a autoimagem; Wilson pensa em quem é, pensa no que pensam que ele é, pensa [que] é, mas desconhece sua razão de ser. O modus operandi de Wilson parece incompatível com o mundo, seja ele qual for.

::::

Viciando-se em substâncias químicas para amortizar o valor do tempo e estender e mesclar a memória presente com o grito calado; agarrando-se a experiência do isolamento a ponto de desenvolver algo sem necessariamente criar uma ponte, uma ligação com o mundo real; fechando-se sobre a própria carcaça e devorando, como um abutre, o intestino e corpo biológico e finalmente criando um elo de dependência com uma escolha como se ela fosse outra coisa além disso, Jeremias desistiu de si. Jeremias matou-se, mas não no sentido físico. Jeremias perdeu a essência de sua alma e hoje vaga pelas ruas sem saber se é dia ou noite, verão ou inverno, tentando a qualquer custo encontra-lá para voltar ao principio de tudo, o início daquele ser, o momento em que escolheu uma vida que não satisfaz sua fome.

::::

bilhete encontrado na porta de casa:

Ignóbio

A pedra fundamental da desordem social é a ignorância dos seres humanos para com os seus iguais; quando um homem ignora um outro, ele dá ignição em um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim

resposta:

Quando um homem ignora a suas próprias necessidades, ele dá início a um ciclo destrutivo que culminará no seu próprio fim.

conclusão:



::::



Não sei mais se foi noutro país, ou se dentro de mim

num qualquer lugar, mas escuro e deserto,
deparei-me com o espelho e fiquei horas tentando
tocar seu reflexo, reflexo, eu
e ao encostar na imagem invertida, não sabia quem
era quem, qual era qual, o que era imagem, o que era real

talvez a imagem resista permanentemente como ideal de recordação,
mas, efetivamente, ela deixou de ser àquilo que transparece há muito tempo. se o real está morto, resta a imagem, imaginar é resistir.

mas hipótese maior é que toda essa construção virtual
constata a busca por algo [im]palpável e [in]tangível, calado e não verbalizado:
me enganei. mais uma vez e para sempre, constantemente persistindo em enganar-me todos os dias, penso que os silêncios e pausas são como pedaços de pulsação cortados e as memórias versões para o presente que se desfaz a cada palavra, passo ou

respiro.

Para reviver é preciso buscar na morte um motivo --> motivo//ação.

:::::

A busca por oportunidades maiores trás dores de cabeça, mas [se] expor é a única forma e [solu]ação.
Definhar é a morte.

Re-Start.




Hoje chovia, fora
e o barulho dos pingos respingava
pela janela do quarto

lá fora não há jardim,
mas ventava como se houvesse

um ni mim

uma rede balançando com nós dois
aos pés da praia e umas pitangas no chão
e num tempo que a semântica não pesa,
leve como horizonte,
com os pés pra cima, no sol
esperando pela chegada dos seus

as horas se passam com a calma tal
qual horas deveriam sempre passar

::::

mas na cidade os carros estacionam
na alma e não há como se afastar
desse perigo, há muito gris e
ficar em casa é abrigo por
falta de opção: ficar
consigo mesmo
rascunhando
o paraíso

::::

revivendo dias que não passam de memórias distantes
persigo um espírito que nunca deixou de estar presente

[e tentarei- te colocar nesse lugar ao meu lado]

:::::

andando por aí perseguindo o próprio rabo
querendo dizer algo que não lhe sai,
porque se sair algo mais escapa
ele corre atrás do rabo

continua a correr atrás do rabo
mas diferente de um cachorro
latindo para a lua suas palavras
ecoam nalgum lugar e rebatem
de volta ao sinal:
revoltado [reboot]

::::::

vôo_

circuitos circulam c_urto circuitos

repouso.

::::::

continuo deitado na rede, ouço o mar
há quanto tempo já não repouso?

a calmaria de tempos remotos que poderiam voltar como se nunca
houvesse
um dia partido,
como dói.

poderia ser mais feliz, ou calmo.
poderia ser diferente.
e todo novo dia penso que virá a ser, deverá ser,
mas e se não for? se for isso mesmo, se for assim mesmo

e talvez eu viva a me enganar, traçando linhas que nunca passarão
de abstração, de dúvidas, de idéias vagas, de planos que falharão
e eu não possa me recompor, como sempre pude até hoje
o que farei?

::::

[se] faria diferente [?]
mas só posso fazer,

e o que virá que vire

o que viria a ser
tivesse sido outro

[passado]

[presente]

[futuro]

numa mesma camada,
tudo junto: aqui agora
isso meu / eu / neu contido

::::::



triunfo do poeta empalhado
[grito da gruta gutural]:


os homens de pedra e concreto venceram
mas ainda tenho meu silêncio


::::::

vaga-lume abstrato
cada um tem o quixote que merece.

:::::::

soluço matutino [poesia para juventude]

.

Vou pra lá e pracá
procurando
quebrar

o ovo
da casca
de cuzco

calado e só

.

riminha briguenta, essa minha história que conto #:

queria que fosse, ficou
queria de noite, manhã
queria tão quente, esfriou

e assim por diane

.

poeta já foi,
artista tentou,
então musicou

e assim por diane.

.

mas ao quebrar
a casa do ovo
ouviu
a casca de cuzco
partir:
end iane
nasceu

e finalmente,
pôde chorar.

.

uma pequena casa de pedra na margem do rio
local

lágrimas acumuladas sobre um fundo arenoso
e o pântano brejeiro engolindo os assop

cena do vazio do coração de diane em pb despedaçado,
escala de cinza

.

a vida descoloriu o coração seguinte, acizentando toda história de então
end i ane


mas posso afirmar, não sou eu que estou muito louco,
e novamente garantir, não sou eu que sou muito louco,
jurando, são vocês que não vêem comtrozolhos,
são vocês que ignoram e calam
seguindo a trilha mundana
contagiada por cegos que
dizem

dana

.

idiotas.
ordinários.
papagaios.
mas não você -
nunca deixe de questionar
até que encontre
o que queria encontrar
e conte para todos
como foi
sentir-se assim:

daí endiane
pode voltar, revoltar e tingir o contágio cinzento,
colorindo o canto dos sapos
que coaxam nos corações solitários.

.

não deixem para trás, niños:
cabe a vocês o resgate do que se quer
ser um dia
até ser,
pouco a pouco e vagarosamente,
outro

[nem por isso sumir].

.

a fantástica história do quixotesco end i ane

Wednesday, September 05, 2012




Opereta Nº12 [fígaro]


de manhã você é aquele que saiu cabisbaixa com má impressão

ou é alguém que sorri quando ouve alguma coisa boa?


Estado de espírito em transformação, o corpo e suas extensões, o corpo e suas dores, o corpo, seu abandono, sua quentura, o resto e mais um pouco, já não sabemos.

Plenamente abertos, sentimos muito,

fechados, menos,

modificados, creemos.

Abandone a censura para que se tornes ti mesmoo, fragmentados em muitos eus e outras faces de sefosses, espelhos, flashes, portáteis, uma divisão digital repartida em mil telas, monstros de retalhados e pelúcia, paina e algodão, revisão análoga de um ser biológico e metafísico solto no tempo.

...

Respirar numa pulsão determinante para todos os dias e situações, para tanto,
creme capilar para todos os dias, pura emulssão.

Friday, August 10, 2012




-------

Mais um ciclo chega a seu fim e outro virá, essa é a sensação que tenho quando suponho relatar o sentimento do movimento terrestre na órbita de lua cheia, bem como agora. 

[título: tenho visto alguns lobisomens nas ruas].

Qualquer mudança é mais forte que tudo, que sua própria causa, a única causa das mudanças é a própria necessidade de se manifestar resultando num abalo sísmico que contagia todo sistema e estrutura, do peso da base ao cerco do topo. 
Pulando da rocha o corpo se choca com a água, trovão, raios e chuva, tudo molhado, a terra que tem as raizes molhadas e resolvem crescer, florescer, se desenvolver e realizar seu ciclo existencial  (ou mestrual**), que do pó vieste e a ele voltará, seja na versão cinzas, vinis, idéias ou ideais e que de algum jeito assopram vida pra onde vão e por onde passam, de geração em geração.

Por isso afirmo, a vida é uma praga, ela se perpetua e deseja a imortalidade do corpo, por isso os robôs e sonhos de transposição, ou isso ou a nível de consciência, transcender. Por fim, quais os limites do corpo quando se trata da humanidade? da consciência? das emoções?

o que é o corpo?
e a mente?
e a tormenta entre os dois?

disso se trata a praga da vida, superar o homem, cooperar com ele e depois se apossar de tudo, até que o caos dê jeito.


(mais um roteiro espetacular de

A.Er Land).


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ailander, você é MALUCO (de novo te digo isso!). pi-neu!


não sei mais o que fazer, devo aceitá-lo como você é?


...você enlouquece qualquer um.


e presta mais atenção, você quis dizer MENSTRUAL (não mestrual**!!)


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[anotações do caderno de ailander nas aulas de matemática]

Direto dos posteres, do fundo da cabeça e pulando da cartola escondida as mudanças estão em curso e nada poderá detê-las, de volta para o futuro, o de lorean - uma incrível carcaça voadora de viajar no tempo - anuncia no mesmo almanaque da loteria esportiva:

- Atualmente muita gente não gosta de beef, só de vegans!  Devo mudar meu nome, mcfly, seu organic chicken?! 

:^ :] _| ¨P :D xs :[ :/ :]] 

back to the future?

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Wednesday, July 25, 2012














Móveis velhos.

Restos de pó.

Poeira em estado bruto. Talvez eu esteja sozinho, se aproxime.

Soltei todas as teclas e fui limpando. Todos caracteres embaralhados num quebra cabeças indecifrável, quem se importa?

Talvez eu esteja sozinho, se aproxime.

Juntei toda poeira e separei em cabelos, pelos e fragmentos humanos em uma calça suja. Fragmentos biológicos, restos de drogas e pensamentos soltos. Tudo enrolado. Restos meus e seus, restos deles, delas, das aventuras que carrego, uma longa reta pela frente, se aproxime.

Componho com uma série de rostos, expressões de susto, sorrisos mudos e lágrimas, mudas de plantas e botões a florescer, talvez eu esteja perdido num mar de pensamentos, buscando mudar a direção da maré e controlar a força das ondas, a terra se locomove. Um espaço desordenado, outro perfeitamente seguro de si, regido sob as leis do universo. Descanse. Descanse porque amanhã tem mais, nuvens. 

...

Vôo pra cá e pra lá me deslocando como um pássaro. Carrego meu peso arrastado, como serpente e empino sob os raios e tempestades, trovões que estouram meu ser nas pedras e chocam tantas verdades, um cavalo guiado por lampejos de braveza que o fazem desejar sempre mais, cortando a floresta desconhecida pra um dia saber o porque.

...

O tempo passa. O mundo gira. O tempo vira,  a vida para. O mundo gira, a vida anda. Separei os fragmentos de tudo, como antes costumavam fazer outras mãos ao longo do tempo, pensei em alguma coisa e soube o que queria daquilo tudo. Mesmo o gelo estava em pedaços, era tudo que havia. Eu lhe disse pouco mais de duas palavras, queria outra coisa, talvez algo que nunca tive, ou terei novamente.Não funciona desse jeito. O gelo derreteu, a garganta
mais quente e o peito calejado, um talho no meio, talvez um dia cicatrize, já está em processo, mas hoje eu carrego poeira, restos de pó, de mim, de você, de histórias, de repentes, de saudades, de tanta coisa, do seu cheiro, que já não é o seu cheiro e de outras histórias. 

Talvez eu esteja perdido.

…

O vento que sopra há de trazer mais surpresa, e soprar a poeira, nos fazer sorrir ao acordar num outro dia. Enquanto as letras se embaralham e o tempo passa, e seu gosto volta, e suas palas também, é sempre a mesma história de um outro jeito, sabemos pelo que buscar. Um sintoma que confirma a tese, tal qual uma estrada pela frente trás riscos, e pelo espelho outras histórias, nunca sabemos exatamente qual nossa localização nisso tudo, se ela existe.

Talvez estejamos perdidos.

…

Meu peito calou, o tempo estorou,

rosas caidas, raízes rachadas,

pedras que testemunham sob o sol de um deserto o estalar duma pedra de gelo, o líquido viscoso e amarelado descendo goela abaixo, um soluço mudo com tantos gritos, é preciso soltar o silêncio apavorado, agarrado a tudo que vivemos com o peito batendo receoso, a incerteza que dói, cala e desliza face abaixo. Talvez um dia inventem algo pra conter as lágrimas como pra cortar o apetite e eliminar as doenças, talvez nos aproximemos ainda mais das máquinas, talvez possamos eliminar todas as falhas de conduta e caráter, então deixaremos de sentir a coçega dolorosa que causa a lágrima delizando face abaixo, aliviando um pouco da alta porcentagem líquida e volátil que carregamos num ser de corpo frágil, débil, humano e falho, sujeito a doenças e emoções de todos os tipos. Migraremos, logo, para outro lugar, outra idéia, forma de pensamento, experimento do universo, estrela, pedra, fragmento, poeira, cinza, sedimento, brilho ou qualquer forma de existência. Por hora secamos, nos desfazendo em restos e esperando por um ar, sopro.

...

Talvez eu esteja sozinho, talvez eu esteja muito sozinho, se aproxime. Existe tanta gente, tantos segredos, você sabe disso. A cidade é maluca e ninguém está nem aí, talvez eu esteja sozinho, talvez eu esteja muito sozinho, se aproxime, você sabe disso. 

...

Eu estou apagando e você não se dá conta,

está tudo em sua cabeça, e na minha,

mas é tempo de dizer adeus, 

...

maré nova.

...

satélite.

...

galope

...

baseado em fatos reais, romanceados e narrados sob uma perspectiva de quem observa a própria vida sem tomar posse e propriedade de sua real natureza. sob os olhos descrentes de quem espera complacência. sob a propriedade de quem sabe o que diz e paga o preço por suas escolhas. sob escombros, ruinas e incertezas. sob esperança na chuva, guarda e capa, botas, londres nas olimpíadas e o vento cortante do topo do prédio. sob onde tocam os rapazes da cidade vizinha e atravessam a rua pedestres descalços, sem havaianas, sem sorrisos, sem pagode, sem familiaridade com a cartografia afetiva urbana. sob sinos.

...

é tempo de mudanças e já veremos pra onde o vento sopra.

...


Monday, July 16, 2012




O fb virou orkut, feito previsível. As pessoas [maioria] continuam idiotas, isso nunca muda [ao longo da história]. Alguns dias você chuta pedra, outros olha pro alto. Um dia você compra um saquinho com comida e conservante, outro dia tira a comida do chão, lava e manda pra dentro. Um dia come boi, outro dia não. Um dia ouve música, noutro, outra. E assim por diante.

Todo mundo sempre tem algo a dizer, algo a mostrar, todos se mostram porque tem algo a dizer, feito irrelevante. E talvez tudo seja irrelevante, de fato a maioria das pessoas abre a boca antes de abrir os olhos, ou levantar as orelhas, ou mesmo tatear a parede. A parede pode te dizer muita coisa interessante, as pedras também, como as estrelas. Mas ninguém quer saber, parar pra escutar essas coisas efêmeras como o vento soprando, o sol entrando, o pé no chão, tudo tão pouco.

Não estou sendo hedonista, conheço o peso do chumbo diário, mas sempre os guarda-chuvas e harpas com chuva fictícia são mais bonitos, tudo no cinema é mais bonito. Mas, por trás dele existe um projetor, um projeto, um projetante e muitos projéteis: compreenda, o projetor projeta uma imagem numa superfície, as vezes a projeção é bonita, outras dissonante e, qual seja a reação da superfície projetada, outras reações se projetam e proliferam a vida, que se projeta e se introjeta no que toca, sua forma continua de continuar, se perpetuar e, efetivamente, durar - Ad eternum, inércia - até acabar.

Vir[a][á] vinil. , nitrato de prata. ,página. pó. cinza. terra úmida que alimenta os microorganismos que povoam o organismo e se proliferam, etc.

Amigos, a vida é uma praga, e só.

A terra, cheia de parasitas, provedora maior.

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Mas, e a morte?

---

ocidente
afrente:
- volver!

---

Thursday, July 12, 2012



Os dois elevadores panorâmicos sobem e descem piscando uma luz amarelada. Está frio, o ar úmido, as pessoas - bem vestidas e agasalhadas - caminham com alguma pressa, é fim de dia, um dia sem luz, e elas devem estar indo pra casa. Eu não. Entro no ônibus, sento na parte da frente e coloco uma música triste, todo um disco com esse tom invernal, meu peito está seco como os galhos das árvores retorcidos em frente ao parque.

Começo a pensar olhando a rua pela janela, o ônibus atravessa a avenida rapidamente, uma cena cotidiana, mas sempre há surpresas e a de hoje foi não haver nada extraordinário, de fato estamos no inverno. Penso num punhado de gente, separo alguns nomes de cabeça e fico de ligar, ainda assim, não paro de pensar no que me aflige e continuo encarando a avenida pela janela.

'Não há esperança, não há esperança, não há esperança', a frase ecoando na minha cabeça. Escuto música, penso na frase e, pura coincidência, encontro um vizinho quase no ponto em que desço, começamos a conversar e ele me pergunta se estou tocando muito, estou. Ele me perguntando se fazemos jazz estilo NY, New Orleans ou Chicago, queria dizer que não era nada disso, mas digo NY porque tenho vontade de ir pra cidade. Ele segue fazendo perguntas, algumas boas e explico pra ela os limites da nossa cena musical. Chegamos a porta do prédio, ele sobe um lance de escada e se despede, eu sigo até o final do corredor, abro a porta e olho pro piano - silêncio - não há nada a dizer.

Sunday, June 24, 2012


En este domingo el sol llega a los balcones y moja la gente, que saca la ropa a quemarse tumbada de espaldas en el suelo.
En este domingo las flores escuchan al silencio de la avenida, como un mar calmo, y el azul del cielo tiene una tonalidad muy particular.
En este domingo caminan las chicas en el parque seguidas por la familia y en una casa cercana escucha a Beethoven un señor major.
En este domingo llora un hombre que perdió su amor y corren dos perros atrás de sus colas.
En este domingo amanecio el inverno y todo un desierto puso a llorar: que lindo dia, que lindo domingo. 

((la poetica de todos los dias - para neruda))


Monday, June 18, 2012




Acabou-se, finiu.

As pessoas com rostos cobertos, nebulosos, acendendo um cigarro para respirar, falando compulsivamente,
buscando tranquilidade, desabafando os infortúnios, sofrendo por amores que passaram, por amores
que estão passando, em algum lugar qualquer, perto da esquina.

Estou cansado físicamente, mentalmente, estou cansado desse rítmo desgovernado, automóveis, ruído branco
sobreposto, pixels desalinhados, diagonais e labirintos, britadeiras - estou cansado dessa paisagem, dessas meninas
de corações empoeirados sem sorrir fácil, cansado.

E no meio desse ar, respiro fundo e busco na poça o oceano, no fundo um azul que nunca escutei.

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Os signos urbanos tomam conta dos cidadãos multifacetados, tudo são cortes.

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Rompo elo, com ela
na boca o desejo e a pele.
Não digo, cisco de um lado pro outro
deixando em todo canto um soluço de sofrimento.
Choro amargo, entalado,
Rabiscos, cadernos tremidos,
perda sensitiva num mar de lamentos,
sigo (em frente). ...
Caminhando sozinho numa rua lotada,
passantes desalmados, reencarnações
que me atravessam e silenciam
o grito de um dia.
Já não mais sei das horas, dos dias,
já não sei porque carrego comigo
essas flores sem cor -

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histórias : distância

o italiano deu um anel de prata pra ela,
lua e sol. Ela compreende duas de cada
dez palavras que ele fala, mas quando
voltar, trará junto um dicionário:

mulheres não carecem de entendimento, mas encantar-se.

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e o livro de chumbo foi descendo lá pra baixo,
e o naviou ancorou,
e a pedra fincou,
e eu
eu
com isso.

sigo mais alto,
vejo com a cabeça de cima,
mas e daí,
e os outros com isso,

comigo, eles mesmos,
ou seja lá quem for

e nós e eles com isso?

e o livro chumbado desceu,
o navio partiu,
a pedra
a pedra só testemunha
seja o quê for, seja
quem seja
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nos choros de villa lobos abrirei um guarda-chuva,
caminharei pelo centro noturno, amarelado, com céu refletindo 
nas pedras, e nos veremos. estarei de chapéu e nos encontraremos na
cafeteria e sairemos andando, ainda chove: só nos dois.
entraremos no prédio antigo com a porta de ferro pesada e subiremos
dois lances de escada. ...fecharemos a porta nos beijando apoiando
um corpo no outro e tomaremos um pouco de vinho. não há som,
somente chuva, cidade zunindo no fundo, barulho de pingo.
tiraremos a roupa e deitaremos, seremos felizes por algumas horas
como se o mundo tivesse parado e não houvesse nada além de
nois dois, ali, aquele momento. …e quando amanhecer já não restará
nada, somente o sol passando a cortina que dança no vento.
te verei nua, te observarei em detalhes, farei um mate e sentarei no chão encostado
a parede. o dia chegando, a neblina partindo, notas pipoca de um
clarinete e você ali, dormindo. um gosto de erva invadirá meu paladar,
um gosto de vida, você deitada, vou-me deitar a seu lado, anoitecer,
amanhecer, anoitecer, entardecer, amanhecer a seu lado. 
durmo. durmo feliz, já nada me falta.

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já não sinto flores.
já não sinto
nem vejo buda
nem nada
só falta,

(poema do) 
     
você, aqui [EU] 


----------------

extrato de leveza que virou chumbo.

[(nem sempre o consagrado consagra)]

Friday, June 15, 2012





silêncio, uma reposta ambígua pra quem quer acreditar. quem quiser que acredite, mas eu não.

silêncio, uma resposta adormecida disposta a alimentar fantasias pra quem aguarda algo que supõe saber, mas dissabe, uma vitória inesperada, o desfecho (in)feliz-

conquista, quem sabe.


o silêncio é tempo
o vento, voa
o vermelho bombeia
6l de sangue

circula em
minha cabeça
somente seu nome.

-------?¿--------

---silêncio---

-------?¿--------

::::::

mas a que se está disposto se sois somente uma idéia,
um ideal, um idoso, medroso, preguiçoso, e a desgosto
-sa
idéia de viver a vida
que povoa
à toa.

essa idéia:


::::::::::::::::




::::::::::::::::


artista. maluco.
desorganizado.
desregulado.
biruta da silva.
bruscheta.
biriba de festa junina.

CA PUM

::::::

(plei)

::::::

bilhete caipira no c.e  :

certos riscos, melhor corrê-los noutrora.

::::::

agarrem-se.

::::::

romanceado bilhete, página destacada do folhetim:

'a história de toby-o valente, galã criado por japas'.


por hayldr



Friday, June 08, 2012

 
SP Concreticidade: Sinfonia das Pedras.

Descrição:

Música contemporânea que deflagra a migração do nome de compositores e movimentos musicais para  prédios e condomínios, criando novos significados urbano-culturais.


Constituição: Notas metálicas, notas de pedra, notas sujas, sobreposição contínua.


Instrumentos: britadeiras, marretas, martelos, pneus, piche, trator e furadeiras - só quebradeira! 
(liberdade criativa total aos instrumentistas, escapamentos também estão liberados) 

Andamento: Rompimento ao ar livre, Buraqueira.


Lema (tema): Sonhos não são feitos para acabar, tudo há de se concretar.



Monday, June 04, 2012



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EL NICHO
En el nicho hay fabulosos inventos.
Una radio de indudable calidad acústica
que permite escuchar el silencio,
y un televisor que permite ver el espacio.
La oscuridad aparente esconde infinitos
[matices.
En el espacio, encierran a los hombres libres.
Allí se sienten polizones entre guirnaldas de
[energía.


poética para cosmonautas [henry pierrot]


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gostar quieto, como é que faz?
o que esperar, mesmo quando talvez não haja nada além de espera?


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não esconda àquilo que você ama e te constitui. não se esconda na culpa, embaraço ou qualquer variação que se relaciona a uma dessas categorias.

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leve, fique com essa :) http://www.youtube.com/watch?v=ZjxifjiXC74&feature=related

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Friday, June 01, 2012

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Tanta procura. Tanta procura por respostas e significados. Tanta procura pelos escombros das palavras. Pelos olhos, pelos gestos, por alguém que não existe.

Tanta doçura. Tanta agressividade. Tanta ilusão. Tantos vôos, tantos pousos. Dei uma guinada de 360, mas não voltei pro mesmo lugar, ele já não estava lá. Nem você. As coisas nunca ficam no lugar que as guardamos, não sem pegar pó. As coisas nunca saem do lugar, mesmo que você gire até perder o horizonte, labirinto estridente. Todas as coisas, por si só, constituem-se em totalidade, ignorando os olhos de quem observa. Mas quem sou, observador?

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(verde-jante escadaria)

Ontem te escrevi, antiontem também. Esses dias te excretei no chão, você secou na calçada. Mas não leve como menosprezo, foi só uma expressão mucosa enquanto desentalava seu nome da minha garganta.

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Ninguém entende nada,

e pode complicar.

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(é só uma idéia?)

As vezes quero tirar sua roupa e te desnudar, te lamber inteira e sentir seu cheiro forte, morder seu corpo e alisar suas pernas. As vezes quero te dar um tapa na cara e morder seus lábios, lambuzar os dedos na coxa, te abraçar por trás e foder gostoso. As vezes quero silêncio, te comer calado. As vezes nem te comer quero, estar quieto e te abraçar, colocar as mãos por trás da nuca te olhando por horas, tentando adivinhar detrás de seus olhos.

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Não sei mais o que é amar.

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Escrevi tanta poesia, fiz música, pensei te querendo bem e ali, nada. Continua sendo, só, bela. Já agora, sinto nada. Ou um breve resquiço, vaga idéia, um dia. Mas não há somente paixão, a mais intensa das intenções, se você colocar uma parede na frente e concretar suas idéias, tudo seca e se solidifica. As vezes é preciso ser líquido, volátil, sair da zona de conforto, entregar-se, correr todos riscos, se borrar de medo, então surgirão as palavras, mais palavras, idéias, sentires e tudo viverá. Como agora. Como a idéia te desnudar.

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Por hora, darei mais um trago, são dois quase toda noite, com gelo. Coisa de Homem, coisa de entrega, coisa de quem assume sua forma viscosa em malte amarelo. Este sou eu após as brigas e romarias, este sou eu, pleno, sorrindo, sofrendo, curtindo.

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Daqui a pouco fico famoso, espero não me tornar vítima da própria armação,

Boa noite.

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Uma pedra de gelo rachou, harmônico cristalino, você refletindo.

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Sobre um sentimento impuro e incasto chamado tesão. (em inglês. em português. dizem as mulheres)
do u. ? .






Tuesday, May 29, 2012

Tantas coisas medimos, planejamos e cuidamos dos detalhes, esmiuçando em mil pedaços, puro retalho de como deveria ser; e  se esvai.

Precisão desmiolada, imprecisa sensação, as vezes desmedidas ramas de flor, as vezes mil cavalos cruzando o vento, as vezes mais que um suspiro escapando.

Rego todo dia essa planta, cuidando para que cruze o outono e siga úmida na terra, abastecida de raios de sol e gotículas d'água que percorrem raiz, caule e toda extensão até a pétala - fruto / amor / flor - desabrochar.

Nela a certeza da existência de cada olhar, cada gesto, afeição e zelo para que se mantenha viva, registro do dia a dia que motiva e efetiva, mente, afeta.

Contida em 8 e 80's, certezas equivocadas, finito inesgotável, imperfeita condição, materializando o todo num ser, fundindo-se e continuamente em renovação, um organismo pleno:

o perfume da flor,
os olhos da flor,
as mão e as unhas,
a respiração e a boca,
a amora da flor - você.

Esse pulso impulsivo, constante até intrusivo,
um instante efetivo na minha condição de amante.