Tantas coisas medimos, planejamos e cuidamos dos detalhes, esmiuçando em mil pedaços, puro retalho de como deveria ser; e se esvai.
Precisão desmiolada, imprecisa sensação, as vezes desmedidas ramas de flor, as vezes mil cavalos cruzando o vento, as vezes mais que um suspiro escapando.
Rego todo dia essa planta, cuidando para que cruze o outono e siga úmida na terra, abastecida de raios de sol e gotículas d'água que percorrem raiz, caule e toda extensão até a pétala - fruto / amor / flor - desabrochar.
Nela a certeza da existência de cada olhar, cada gesto, afeição e zelo para que se mantenha viva, registro do dia a dia que motiva e efetiva, mente, afeta.
Contida em 8 e 80's, certezas equivocadas, finito inesgotável, imperfeita condição, materializando o todo num ser, fundindo-se e continuamente em renovação, um organismo pleno:
o perfume da flor,
os olhos da flor,
as mão e as unhas,
a respiração e a boca,
a amora da flor - você.
Esse pulso impulsivo, constante até intrusivo,
um instante efetivo na minha condição de amante.