Monday, June 18, 2012




Acabou-se, finiu.

As pessoas com rostos cobertos, nebulosos, acendendo um cigarro para respirar, falando compulsivamente,
buscando tranquilidade, desabafando os infortúnios, sofrendo por amores que passaram, por amores
que estão passando, em algum lugar qualquer, perto da esquina.

Estou cansado físicamente, mentalmente, estou cansado desse rítmo desgovernado, automóveis, ruído branco
sobreposto, pixels desalinhados, diagonais e labirintos, britadeiras - estou cansado dessa paisagem, dessas meninas
de corações empoeirados sem sorrir fácil, cansado.

E no meio desse ar, respiro fundo e busco na poça o oceano, no fundo um azul que nunca escutei.

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Os signos urbanos tomam conta dos cidadãos multifacetados, tudo são cortes.

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Rompo elo, com ela
na boca o desejo e a pele.
Não digo, cisco de um lado pro outro
deixando em todo canto um soluço de sofrimento.
Choro amargo, entalado,
Rabiscos, cadernos tremidos,
perda sensitiva num mar de lamentos,
sigo (em frente). ...
Caminhando sozinho numa rua lotada,
passantes desalmados, reencarnações
que me atravessam e silenciam
o grito de um dia.
Já não mais sei das horas, dos dias,
já não sei porque carrego comigo
essas flores sem cor -

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histórias : distância

o italiano deu um anel de prata pra ela,
lua e sol. Ela compreende duas de cada
dez palavras que ele fala, mas quando
voltar, trará junto um dicionário:

mulheres não carecem de entendimento, mas encantar-se.

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e o livro de chumbo foi descendo lá pra baixo,
e o naviou ancorou,
e a pedra fincou,
e eu
eu
com isso.

sigo mais alto,
vejo com a cabeça de cima,
mas e daí,
e os outros com isso,

comigo, eles mesmos,
ou seja lá quem for

e nós e eles com isso?

e o livro chumbado desceu,
o navio partiu,
a pedra
a pedra só testemunha
seja o quê for, seja
quem seja
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nos choros de villa lobos abrirei um guarda-chuva,
caminharei pelo centro noturno, amarelado, com céu refletindo 
nas pedras, e nos veremos. estarei de chapéu e nos encontraremos na
cafeteria e sairemos andando, ainda chove: só nos dois.
entraremos no prédio antigo com a porta de ferro pesada e subiremos
dois lances de escada. ...fecharemos a porta nos beijando apoiando
um corpo no outro e tomaremos um pouco de vinho. não há som,
somente chuva, cidade zunindo no fundo, barulho de pingo.
tiraremos a roupa e deitaremos, seremos felizes por algumas horas
como se o mundo tivesse parado e não houvesse nada além de
nois dois, ali, aquele momento. …e quando amanhecer já não restará
nada, somente o sol passando a cortina que dança no vento.
te verei nua, te observarei em detalhes, farei um mate e sentarei no chão encostado
a parede. o dia chegando, a neblina partindo, notas pipoca de um
clarinete e você ali, dormindo. um gosto de erva invadirá meu paladar,
um gosto de vida, você deitada, vou-me deitar a seu lado, anoitecer,
amanhecer, anoitecer, entardecer, amanhecer a seu lado. 
durmo. durmo feliz, já nada me falta.

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já não sinto flores.
já não sinto
nem vejo buda
nem nada
só falta,

(poema do) 
     
você, aqui [EU] 


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extrato de leveza que virou chumbo.

[(nem sempre o consagrado consagra)]