Não chores, menina. Nada será como antes, amanhece e você desperta, chove e você se molha, pela avenida caminha sentindo tudo diferente, mesmo permanecendo sob a regência soberana do tempo.
Já no espaço, tudo se redimensiona e tudo é espaço - mesmo as pedras da base do todo de concreto, a estrutura, esse esqueleto que nunca te abandona mesmo com tantas reformas.
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Um dia chorei, chorei tanto que achei que fosse acabar seco, dormi úmido, mas acordei com a pele queimada por um punhado de raios de sol que devem ter cruzado a imensidão escura do cosmos até entrar pela janela do meu quarto, um milagre. Pensei em tantos rostos e passantes que cortavam meu caminho, nas árvores, flores e canteiros, no mau cheiro da fumaça dos ônibus e nas abelhas - um gosto de mel nos lábios que veio e seria sua memória.
Ainda sinto por tudo que ficou n´algum lugar fora disso, as migalhas soltas na chapa do pão, a fumaça do pingado numa padaria na cidade, uma idéia de convivência de tantos amores que nascem, morrem e as vezes querem renascer; procuram, atam e desatam nós e botões de vestido encontrando no corpo um abrigo quente afim de aquietar qualquer batida no contra-tempo: doce ninho.
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O abandono desconhece qualquer objeto de busca, se uma aventura contínua, se um breve momento até que se desfaça por dentro, é só na falta que caminhamos rente ao abismo: não projete seu caminho, deixe-se levar, as falsas impressões é que te derrubam. Se você cair, levante, se recomponha e comece tudo de novo. Aproveite o vento, use a gravidade a seu favor, agradeça e siga.
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Nascimento- Estou só e não resisto, muito tenho pra falar, meu caminho é de pedra, vou fechar o meu pranto, não quero mais a morte, vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer, já não sonho, hoje faço com meu braço meu viver.
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Já John - All we need is love, love, love is all we need.
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E você, o quê manda?